ACM Neto aponta “divergência interna” no PT e questiona liderança de Jerônimo: “Nunca vi um governador cogitado para ser substituído”

Pré-candidato da oposição afirma que especulações sobre troca na chapa governista revelam fragilidade política, desgaste e falta de confiança interna

Em novo trecho da entrevista concedida à rádio CBN Salvador, o pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), aprofundou as críticas ao grupo governista e comentou as recentes especulações sobre uma possível substituição do governador Jerônimo Rodrigues (PT) na disputa pela reeleição.

O oposicionista foi direto ao associar o cenário político do adversário a um ambiente de instabilidade. Segundo ele, há sinais claros de divisão interna no Partido dos Trabalhadores e incertezas quanto à liderança do atual governador.

“Existem coisas que são especulação, mas há fatos concretos. O primeiro é que existe uma divergência clara dentro do PT entre o ex-governador Rui Costa e o senador Jaques Wagner. Eles podem demonstrar unidade publicamente, mas todos sabem que há problemas internos”, afirmou.


Especulações e bastidores da sucessão

Durante a entrevista, ACM Neto relembrou episódios de bastidores envolvendo a sucessão estadual, citando movimentações anteriores que teriam colocado em dúvida a permanência de Jerônimo como cabeça de chapa.

“Essa história não é nova. No ano passado, já se especulava que Rui Costa poderia substituir Jerônimo. Inclusive, houve pesquisa qualitativa que apontava fragilidades do governador, o que acendeu alerta dentro da base”, disse.

Segundo ele, ainda que não seja possível comprovar todos os rumores, o fato de o tema voltar ao debate público reforça a percepção de instabilidade. “Vez ou outra, essa possibilidade de substituição reaparece. Isso, por si só, já diz muito”, pontuou.


“Fato inédito” e críticas à gestão

O pré-candidato classificou como “inédito” o cenário em que um governador no exercício do mandato tem sua candidatura à reeleição colocada em dúvida.

“Eu nunca vi isso. Um governador com a caneta na mão ser cogitado para sair da cabeça de chapa. Isso demonstra fragilidade, falta de liderança e de marca administrativa”, declarou.

Em tom crítico, ACM Neto listou problemas que, segundo ele, caracterizam a gestão estadual. “Quando você pergunta qual é a marca do governo, não existe. O que vemos é a Bahia liderando índices negativos, como violência, dificuldades na saúde e problemas na educação”, afirmou.


Disputa interna e escolha do vice

Outro ponto abordado foi a dificuldade do grupo governista na definição do candidato a vice. Para o ex-prefeito, o processo evidencia desorganização política.

“Eles entraram em um processo de ‘bater cabeça’ para escolher o vice. Já surgiram mais de dez nomes. Isso nunca aconteceu dessa forma. É uma condução confusa e desgastante”, criticou.

Ele também afirmou que, ao contrário da base governista, sua chapa não enfrentou resistência interna. “Do nosso lado, avaliamos diversos nomes e não ouvi ‘não’ de ninguém. Lá, houve convites recusados, o que mostra falta de confiança no projeto”, disse.


Comparação histórica e alerta político

ACM Neto ainda fez um paralelo com a eleição de 2006, quando, segundo ele, divergências internas em seu grupo político contribuíram para a derrota.

“Eu vivi isso. Publicamente havia unidade, mas internamente o clima era pesado. Isso enfraquece qualquer projeto político. E é exatamente o que vejo hoje do outro lado”, afirmou.


Cenário de desgaste e polarização

Por fim, o pré-candidato reforçou a leitura de que o grupo governista enfrenta desgaste após anos no poder. “O que existe hoje é um cansaço interno, uma fadiga política e uma falta de confiança na reeleição de Jerônimo Rodrigues”, concluiu.

A entrevista reforça o tom de polarização entre governo e oposição na Bahia, em um cenário que, segundo analistas, tende a se intensificar à medida que o calendário eleitoral avança.

Da Redação – Soteropolis Noticias

Foto: Rede Social/CBN

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