Pré-candidato afirma ter corrigido erros de 2022, descarta novas alianças no momento e aponta desgaste da base governista na Bahia
Em entrevista à rádio CBN Salvador, concedida ao jornalista Evilásio Júnior nesta quinta-feira, o pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), detalhou os bastidores da montagem de sua chapa majoritária, fez uma avaliação crítica do grupo governista e afirmou que chega mais preparado para a disputa eleitoral.
Logo no início, Neto destacou o ritmo intenso de articulações políticas, mesmo durante o período da Semana Santa. “Essa, para nós da política, é uma Semana Santa um pouco atípica. Mesmo com ponto facultativo, estamos trabalhando a todo vapor. Ontem saímos da sede do partido depois das 23h, quase meia-noite, e hoje não tem hora para parar”, afirmou, ao mencionar reuniões com lideranças e definição de pré-candidaturas proporcionais.
Chapa “mais competitiva” e autocrítica
Ao abordar a composição da chapa, o ex-prefeito evitou comentar diretamente as decisões do grupo adversário, liderado pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT), mas fez questão de destacar o que considera um diferencial de sua aliança.
“Eu, ao contrário deles, já anunciei minha chapa. Acho que montamos a chapa mais competitiva. Se você me perguntasse há um ano, eu diria que não seria possível reunir um grupo tão forte quanto o que conseguimos agora”, declarou.
Neto também fez uma autocrítica em relação à eleição de 2022, quando foi derrotado no segundo turno. Segundo ele, houve falhas estratégicas na montagem da chapa. “Reconheço que cometemos erros, como deixar para definir a composição na última hora. Isso acabou não trazendo nomes de maior peso político. Desta vez, aprendemos com isso e corrigimos o rumo”, pontuou.
Alianças ampliadas e reforço político
O pré-candidato ressaltou que conseguiu atrair lideranças importantes, inclusive de campos políticos distintos, como o ex-ministro João Roma, hoje pré-candidato ao Senado, e o senador Ângelo Coronel, que rompeu com a base governista.
Além deles, citou o apoio do prefeito de Jequié, Zé Cocá, como peça-chave para fortalecer a presença no interior. “Trouxemos uma liderança de grande musculatura política, que representa a força do interior do estado”, disse.
Segundo Neto, o lançamento da chapa, realizado em Feira de Santana com articulação do prefeito José Ronaldo, demonstrou unidade do grupo. “Mostramos harmonia completa. Estamos 100% alinhados”, afirmou.
Críticas ao governo e “chapa do cansaço”
Ao comentar o cenário do lado governista, Neto adotou um tom crítico e classificou a base adversária como desgastada. “Do lado de lá, é a chapa puro-sangue, a chapa da panelinha, a chapa do cansaço. São 20 anos de poder, com desgaste político evidente e brigas internas”, disparou.
Ele também criticou o tratamento dado a aliados dentro do grupo governista, citando episódios envolvendo lideranças como o vice-governador Geraldo Júnior (MDB). “É um absurdo o processo de fritura política que estão fazendo. O PT sempre disse que valorizava aliados, mas na prática não é isso que vemos”, afirmou.
Estratégia mais enxuta e foco partidário
Neto destacou ainda que optou por uma estratégia mais enxuta na composição partidária. Diferentemente da eleição passada, quando reuniu 13 siglas, desta vez a base conta com cinco partidos.
“Aprendemos que muitos partidos acabam dispersando força e votos. Agora, concentramos em uma base mais coesa, o que nos deixa muito mais competitivos”, explicou.
MDB e cenário em aberto
Sobre uma possível aproximação com o MDB, partido que integra a base do governo estadual, Neto afirmou que não há qualquer negociação em curso no momento.
“Hoje não existe diálogo com o MDB. Se, eventualmente, houver uma saída da base governista, aí sim podemos sentar e conversar. Mas, neste momento, não há absolutamente nada sendo tratado”, garantiu.
Clima de incerteza na base governista
Nos bastidores, o pré-candidato mencionou sinais de insatisfação dentro da base adversária, como a ausência de lideranças em eventos recentes e movimentações partidárias ainda indefinidas.
Apesar disso, reforçou cautela ao comentar o cenário: “Não cabe a mim me meter no quintal do vizinho. Cada grupo que faça suas escolhas. O nosso foco é seguir trabalhando, com organização e responsabilidade, pensando no futuro da Bahia”, concluiu.
Da Redação – Soteropolis Noticias
Foto: Rede Social/Youtube/CBN

