Jornalismo feirense perde um de seus maiores personagens; fundador do Noite & Dia deixa legado de mais de quatro décadas dedicadas à comunicação e à memória popular
Feira de Santana amanheceu mais silenciosa neste domingo (31) com a partida de José Carlos Pedreira, eternizado como Zé Coió. Aos 88 anos, o jornalista, empresário e contador de histórias encerra uma trajetória marcada pela paixão pela comunicação, pela valorização dos personagens populares e pelo amor incondicional à cidade que adotou como sua. Sua morte representa o fim de um capítulo importante da história cultural e jornalística feirense.
Nascido em 29 de agosto de 1937, no município de São Gonçalo dos Campos, José Carlos Pedreira construiu em Feira de Santana uma das trajetórias mais singulares da imprensa baiana. Com seu estilo irreverente, olhar atento ao cotidiano e uma habilidade única para transformar fatos simples em histórias memoráveis, tornou-se uma referência para gerações de jornalistas, comunicadores e leitores.
Conhecido popularmente como Zé Coió, ele foi muito além das redações. Fez da comunicação uma missão de vida e encontrou no jornalismo uma ferramenta para registrar a alma da cidade. Durante décadas, acompanhou as transformações de Feira de Santana, registrando personagens, costumes, festas e acontecimentos que ajudaram a construir a identidade local.
Sua paixão pelo jornalismo ganhou força no tradicional Jornal Feira Hoje, onde consolidou sua experiência profissional. Posteriormente, ao lado do amigo e parceiro Cironaldo Santos, o Ciró, fundou o histórico Jornal Noite & Dia, publicação que se transformou em um verdadeiro arquivo vivo da memória regional. Por mais de 40 anos, o semanário documentou a vida social, cultural e econômica da cidade, tornando-se leitura obrigatória para quem desejava acompanhar o cotidiano feirense.
Mas Zé Coió também foi um empreendedor visionário. Apaixonado pela vida noturna, administrou casas de entretenimento que marcaram época e ajudou a fortalecer o setor de eventos da cidade. Foi um dos pioneiros na modernização da cobertura da Micareta de Feira de Santana, tornando-se um dos idealizadores dos famosos camarotes da festa e contribuindo para elevar o padrão da cobertura jornalística do evento.
Seu espírito empreendedor também se refletiu na criação do tradicional Troféu Noite & Dia, premiação que reconhecia profissionais, empresas e personalidades que se destacavam em suas áreas de atuação, incentivando o desenvolvimento econômico e social do município.
Apesar do reconhecimento público, amigos e familiares destacam que sua maior riqueza sempre esteve nas relações humanas. Casado com Dona Maria, já falecida, formou uma família sólida e amorosa. Deixa os filhos José Carlos Pedreira Filho (Nengo), Carla Pedreira Ogaratto e Mailin Pedreira, além de netos e inúmeros amigos que encontravam nele um conselheiro, incentivador e exemplo de generosidade.
Em emocionantes homenagens publicadas nas redes sociais, familiares resumiram sua trajetória em uma frase simples e poderosa: “Ele foi gigante.”
O prefeito José Ronaldo lamentou a perda e destacou que a cidade perde uma de suas figuras mais emblemáticas. O secretário municipal de Comunicação Social, Joilton Freitas, ressaltou que Zé Coió deixa um legado de autenticidade, criatividade e dedicação à comunicação.
Para muitos profissionais da imprensa, ele foi mais que jornalista. Foi mestre, incentivador e porta de entrada para inúmeras carreiras. Sua capacidade de acolher pessoas e abrir oportunidades tornou-se uma de suas marcas mais admiradas.
Mesmo enfrentando problemas de saúde nos últimos meses, Zé Coió manteve viva sua paixão pela notícia e continuava acompanhando de perto a produção do Noite & Dia, que funcionava em sua própria residência.
Sua despedida deixa uma lacuna difícil de ser preenchida. Entretanto, sua obra permanece viva nas páginas dos jornais, nas fotografias, nas histórias contadas pelos amigos e, principalmente, na memória coletiva de Feira de Santana.
Zé Coió ajudou a escrever a história da cidade. Agora, seu nome passa definitivamente a integrar as páginas mais importantes dessa mesma história.
Feira de Santana se despede de um jornalista, mas eterniza um personagem inesquecível de sua própria história.
Serviço
Velório: Domingo (31), a partir das 16h, no Cerimonial Imperial, localizado na Rua Barão do Rio Branco, nº 347.
Sepultamento: Segunda-feira (1º), às 15h, no Cemitério Piedade.
Editor: Soteropolis Noticias
Foto: Divulgação

