Setor responde por quase um quarto do PIB nacional, lidera exportações e sustenta milhões de empregos em toda a cadeia produtiva
Responsável por movimentar uma parcela significativa da economia nacional, o agronegócio segue consolidado como um dos principais motores do crescimento brasileiro. Com participação que varia entre 20% e 25% do Produto Interno Bruto (PIB), considerando toda a sua cadeia produtiva, o setor mantém influência decisiva na geração de riqueza, empregos e divisas para o país.
O desempenho do campo tem sido determinante para os resultados da economia brasileira nos últimos anos. Somente em 2025, a agropecuária registrou crescimento de 11,6% nos três primeiros trimestres do ano, contribuindo diretamente para a expansão de 2,4% do PIB nacional no período. Sem a participação do setor, segundo estimativas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o crescimento da economia teria sido significativamente menor.
Para o economista e pesquisador da Universidade de Brasília (UnB), Luiz Honorato Junior, o agronegócio ocupa atualmente uma posição singular no cenário econômico brasileiro. Segundo ele, nenhum outro segmento apresenta o mesmo nível de competitividade, robustez produtiva e capacidade de geração de resultados observados no setor agropecuário.
Nas últimas quatro décadas, o Brasil protagonizou uma transformação histórica no campo. De importador de alimentos, o país tornou-se uma das principais potências agroexportadoras do planeta. A produção nacional de grãos, que somava cerca de 38 milhões de toneladas em 1975, deverá ultrapassar 354 milhões de toneladas na safra 2025/2026. No mesmo período, a área cultivada cresceu em ritmo bem menor, evidenciando os avanços em produtividade, tecnologia e inovação.
A evolução também é expressiva na pecuária. O rebanho bovino brasileiro supera atualmente 238 milhões de cabeças, consolidando o país como detentor do maior rebanho comercial do mundo e um dos principais fornecedores globais de proteína animal.
Além da produção interna, o agronegócio exerce papel fundamental no comércio exterior. Em 2025, as exportações do setor alcançaram US$ 169,2 bilhões, representando 48,5% de tudo o que o Brasil vendeu ao mercado internacional. Carnes, soja, café e produtos do complexo sucroenergético lideraram a pauta exportadora, tendo a China como principal destino, seguida pelos países da União Europeia.
Segundo Honorato, a força exportadora do agro é essencial para a manutenção da balança comercial brasileira, permitindo a entrada de recursos que financiam a importação de medicamentos, equipamentos industriais, tecnologia e diversos insumos estratégicos para a economia nacional. Ao mesmo tempo, o economista alerta para a necessidade de diversificação de mercados, diante da elevada dependência de alguns compradores internacionais.
O impacto do agronegócio, entretanto, vai muito além dos números do PIB e das exportações. Atualmente, mais de 28 milhões de brasileiros estão empregados em atividades ligadas ao setor, que movimenta uma extensa cadeia envolvendo transporte, logística, comércio, indústria alimentícia, tecnologia, crédito e serviços.
Especialistas destacam que o crescimento do campo gera reflexos positivos em praticamente todos os segmentos econômicos, fortalecendo a arrecadação, ampliando investimentos e estimulando o desenvolvimento regional. Com vantagens competitivas como disponibilidade de terras, abundância de recursos hídricos, clima favorável e capacidade de produzir múltiplas safras ao longo do ano, o Brasil segue ampliando sua relevância como um dos maiores produtores e exportadores de alimentos do mundo.
Da Redação – Soteropolis Noticias
Foto: CNA

