Sessão especial resgata fundação da entidade em 1945, relembra resistência durante a ditadura e aponta desafios atuais da profissão
Em um ato marcado por memória, reconhecimento e posicionamento político, a Assembleia Legislativa da Bahia realizou, nesta quarta-feira (29), uma sessão especial em homenagem aos 81 anos do Sindicato dos Jornalistas da Bahia. Fundado em 14 de abril de 1945 por Aureliano Contreiras, Alberto Vita e Mário Sandes, ainda como Associação dos Jornalistas da Bahia, o sindicato surgiu em meio ao processo de redemocratização do país e teve sua primeira sede provisória na Casa de Rui Barbosa. A solenidade também celebrou o Dia do Jornalista (7 de abril), reforçando a centralidade da imprensa livre na garantia da democracia.
Proponente da sessão, o deputado estadual Robinson Almeida (PT) destacou que a homenagem representa mais do que um reconhecimento formal.
“Esta homenagem não é apenas um gesto institucional, é um ato político. A história do SINJORBA se entrelaça com a luta do povo baiano e brasileiro por democracia, direitos e liberdade”, afirmou.
Trajetória de luta e resistência
Oficializado em 1951 com a carta sindical concedida pelo Ministério do Trabalho, o SINJORBA consolidou-se como uma das principais entidades de defesa da categoria no estado.
Durante a ditadura militar, enfrentou perseguições, teve suas atividades interrompidas e parte de sua memória destruída. Ainda assim, resistiu e manteve viva a defesa da liberdade de expressão.
Na redemocratização, retomou sua atuação com força, tendo como símbolo o jornalista Raimundo Lima, primeiro presidente no período pós-ditadura.
Jornalismo e democracia
Em seu discurso, Robinson Almeida reforçou que não há democracia sem imprensa livre.
“Sem jornalismo forte, não existe democracia sólida. E sem profissionais valorizados, não há jornalismo de qualidade”, disse.
Ele também alertou para os riscos da desinformação, ataques à imprensa e precarização do trabalho.
Mulheres que transformaram o jornalismo baiano
O parlamentar destacou o protagonismo feminino na história da entidade e da comunicação na Bahia, citando nomes como Helô Sampaio, Marjorie Moura, Fernanda Gama e Kardé Mourão.
Também foram lembradas referências como Sueli Temporal, Mariluz Moura e Zilá Moreira, que ajudaram a abrir caminhos para maior pluralidade na profissão.
LINHA DO TEMPO — SINJORBA
- 1945 – Fundação da Associação dos Jornalistas da Bahia
- 1951 – Concessão da carta sindical e formalização do SINJORBA
- 1964–1985 – Perseguições durante a ditadura militar; atuação sob repressão
- Pós-ditadura – Retomada democrática com reorganização da entidade
- 2026 – SINJORBA completa 81 anos reafirmando seu papel na defesa do jornalismo
BOX HISTÓRICO
Origem e primeiros passos
O SINJORBA nasceu em um momento de transição política no Brasil, no fim do Estado Novo, com forte reação democrática e espírito de organização coletiva.
Primeira sede
Funcionou inicialmente na Casa de Rui Barbosa, espaço simbólico da imprensa baiana.
Memória interrompida
Parte dos arquivos da entidade foi destruída durante a ditadura militar, o que hoje motiva esforços de reconstrução histórica.
Compromisso com o futuro
Ao encerrar, Robinson Almeida reforçou o significado da homenagem:
“Defender o jornalismo é defender a democracia. Fortalecer o sindicato é garantir cidadania.”
A sessão especial reafirmou que, aos 81 anos, o SINJORBA segue como uma das principais vozes na defesa da informação de qualidade, dos direitos dos jornalistas e da democracia brasileira.
Editor: Soteropolis Noticias
Foto: DIvulgação SN

