A coluna Feira em História, assinada pelo jornalista Zadir Marques Porto, traz fatos históricos e curiosos sobre a cidade
Alguns esquecem, ou preferem não lembrar, onde nasceram, principalmente quando se tornam muito conhecidos — famosos — e o sucesso acontece em uma cidade grande. Mas ele fez exatamente o contrário: cravou o topônimo de sua terra natal como seu nome artístico e, com um detalhe mais interessante, como o topônimo original foi mudado, ele adicionou ambos como codinome artístico. Assim surgiu Mairi Monte Alegre no lugar de Antônio Pinto de Oliveira Filho. O nome de batismo só mesmo no papel, no registro de nascimento, que é indispensável, e em outros documentos essenciais, sem os quais o cidadão não existe.Filho do respeitado casal Antônio Pinto de Oliveira, popularmente Antônio Bicudo, que era comerciante e dono de uma forte loja de tecidos, e de dona Maridete Silva Oliveira, o garoto Antônio fez os estudos iniciais no Grupo Escolar Getúlio Vargas para concluí-los no CENEC. Um aluno interessado, que cumpriu os estudos primários de forma elogiável, com aproveitamento muito bom. Mas, destino ou não, sua vida estava relacionada de forma inexorável ao mundo da música. Precocemente, aos 15 anos de idade, começou no Trio Elétrico Tapajós, que era um dos mais importantes da Bahia.Também mairiense, o multi-instrumentista Zé Trindade lembra Mairi Monte Alegre ainda garoto. “Eu comecei bem antes dele tocar gaita de boca. Ele veio depois cantando, tinha bela voz, excelente artista, fez sucesso, mas faleceu cedo”, relata. O filho do lojista Antônio Pinto, dono de bela voz, estendeu seu trabalho, com a dinâmica natural dos jovens, a vários grupos de sucesso em Feira de Santana na época, com as bandas Som Livre, Sport Press e Cheiro Verde. Depois, indo para Salvador, integrou Os Monges e Objeto. Voltando a esta cidade em 1988, manteve intensa atividade com apresentações solo em diversos estabelecimentos, até que firmou exclusividade com o Trio Elétrico Brilhaê. Após concluir o contrato com o trio, na década de 1990, profissionalmente já consolidado, preferiu retornar à carreira solo com sucesso.Mairi Monte Alegre, embora cantasse em trios e bandas, tinha repertório eclético e gosto musical apurado, externado em um CD com músicas da MPB consideradas clássicas. Fruto de uma excursão a estados do Norte, ele gravou a música Lamour, do compositor maranhense Beto Douglas. Lamour, que foi o seu grande sucesso, conta hoje com mais de quatro dezenas de gravações de outros artistas e bandas. Do contato com Beto Douglas nasceu a Banda Voo Rasante, que tinha Gilson Reis nos teclados.Artista talentoso e muito querido pela extrema simplicidade e atenção que a todos dedicava, Antônio Pinto de Oliveira Filho, ou Mairi Monte Alegre, faleceu aos 61 anos de idade, no dia 19 de fevereiro de 2019 (1958–2019), em sua cidade natal, vítima de infarto fulminante. Ele havia sofrido um desmaio em frente à Cidade da Cultura, instituição do artista e incentivador cultural Asa Filho. Ali, vinha realizando shows de sucesso. Depois de ser atendido por um médico, foi liberado e, mostrando-se bem, viajou para sua terra natal. Faleceu, inesperadamente, quinze dias depois, em Mairi. (Por Zadir Marques Porto).
Foto: Arquivo ZMP

