No último dia do mês de agosto, a Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) abriu as portas do Plenário Orlando Spínola para homenagear os 109 anos do Derba, Departamento de Infraestrutura de Transportes da Bahia, extinto em 28 de fevereiro de 2015. Servidores, técnicos, engenheiros, sindicalistas e dirigentes da autarquia participaram, nesta segunda-feira (31), da sessão especial, um encontro marcado por memórias, lutas dos velhos companheiros e cobranças contra o fim de um órgão que foi responsável pelo planejamento, construção e manutenção de quase 20 mil quilômetros de rodovias estaduais. “O Derba não morreu. Podem ter desmontado sua estrutura, mas não conseguiram apagar a história construída por milhares de trabalhadores e a importância que o órgão teve, e ainda tem, para a Bahia”, declarou o deputado Hilton Coelho (PSOL).
Após a execução do Hino da Bahia, uma reverência ao 2 de Julho, o proponente da sessão leu uma mensagem enviada pela presidente da ALBA, deputada Ivana Bastos, na qual destaca a relevância do Derba para o desenvolvimento regional. “Faço questão de me somar a esta homenagem e deixar registrado o reconhecimento à história de uma instituição que teve papel fundamental na construção da infraestrutura e na integração de nosso estado”, afirmou a chefe do Legislativo. Ela salientou ainda que o Derba contribuiu, ao longo de sua trajetória, para o crescimento dos municípios baianos. “Esta sessão é uma homenagem às pessoas que construíram essa história. A todos que dedicaram e continuam dedicando seu trabalho à infraestrutura da Bahia, deixo o meu abraço e o reconhecimento da Casa Legislativa”, manifestou a presidente.
Em seu discurso, o deputado Hilton Coelho falou sobre a extinção do Derba, que teve suas atribuições absorvidas pela Superintendência de Infraestrutura de Transportes (SIT), vinculada à Secretaria de Infraestrutura do Estado da Bahia (Seinfra). Ele considera que a decisão do Governo do Estado resultou no desmonte de uma estrutura pública, com décadas de experiência e conhecimento técnico. “O sucateamento do serviço público aparece como justificativa para entregar ao setor privado aquilo que deveria estar sob controle do Estado e da sociedade”, assegurou. O legislador defendeu o retorno do órgão, um patrimônio que não pode ser jogado fora. “Cada estrada representa uma comunidade conectada, um agricultor escoando sua produção, um estudante chegando à escola e um trabalhador conquistando seu emprego. O Derba nunca construiu apenas estradas. Construiu integração, desenvolvimento e caminhos para o povo”, ressaltou o parlamentar.
BONS TEMPOS
A Família Derbiana, com suas lideranças de associações sindicais e representantes das 20 residências espalhadas pelo interior baiano, marcou presença na Casa do Povo para relembrar os bons tempos da autarquia, criada em 1917. O vereador Hamilton Assis, integrante da Comissão de Transportes e Serviços Públicos da Câmara Municipal de Salvador (CMS), destacou que a sociedade não vai abrir mão de um órgão tão importante para o desenvolvimento da população, em especial para as comunidades rurais. De acordo com o vereador, “os pequenos agricultores têm dificuldades para levar o que produzem nos distritos para as sedes dos municípios, por conta da precariedade das estradas vicinais”. Presidente do Conselho de Administração da Sociedade de Assistência Social do Derba (Sasderba), Osmar Freire Guimarães justificou a importância da construção e manutenção das estradas, como se fazia em outras décadas na Bahia. “Naquela época, as estradas traziam educação, levavam segurança, permitiam melhores condições de transporte, geravam progresso para a zona rural e também para as pessoas dos centros urbanos. Hoje em dia os baianos estão sendo prejudicados”, garantiu o dirigente.
A gerente administrativo-financeira Luciana Serafim e o assessor jurídico Francisco Pereira, ambos da Sasderba, fizeram pronunciamentos exaltando a luta de pessoas “que devotam suas vidas, há mais de 35 anos, pela causa de bem servir à malha rodoviária baiana”. Eles ressaltaram que os trabalhadores do Derba estão reivindicando na justiça os seus direitos, depois do fechamento da autarquia. Para o jornalista e escritor Elieser Cesar, “os derbianos são uma Grande Família, unida, fraterna e resiliente”. Autor do livro que conta a história do Derba, ele diz que antes do departamento a Bahia vivia isolada, em ilhas distantes: “Derba, estradas e desenvolvimento se conjugam. Estou disposto a escrever mais um capítulo para esse livro”, projetou o jornalista.
O engenheiro Nilton Ramos, uma referência entre os servidores, questionou as autoridades do estado sobre o que foi feito das usinas de asfalto existentes em diversas regiões da Bahia e os equipamentos de última geração que foram adquiridos. O atual gerente-geral da Sasderba e presidente da Asderba/Sindicato agradeceu ao deputado Hilton Coelho, “pela dedicação em participar desta frente de luta pelo retorno do Derba” e disse ser preciso “fazer um dossiê dos direitos que foram subtraídos dos servidores, a exemplo dos precatórios”. No final da sessão, o proponente da homenagem garantiu que seu mandato vai patrocinar uma nova edição do livro do jornalista Elieser, com um conteúdo mais abrangente sobre a situação dos servidores da autarquia. “O Derba vive, viva o Derba”, finalizou o deputado. (Ascom).
Foto: Juliana Andrade/Ascom

