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Estado recebeu 1.206 pedidos de registro para o pleito deste ano, contra 1.719 em 2022; retração interrompe ciclo de crescimento que durava mais de duas décadas
A eleição de 2026 marca uma mudança importante no cenário político da Bahia. O estado registrou 1.206 pedidos de registro de candidatura, contra 1.719 nas eleições de 2022. A redução chega a 29,8% e interrompe uma trajetória de crescimento que vinha sendo observada há mais de 20 anos.
O levantamento tem como base dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), divulgados pelo portal bahia.ba. A queda coloca a Bahia diante de um cenário eleitoral bem diferente daquele observado no último pleito geral.
Desde o início dos anos 2000, o número de baianos interessados em disputar vagas para deputado estadual, deputado federal, Senado e Governo do Estado vinha crescendo de forma quase contínua. O movimento atingiu seu ponto máximo em 2022, quando foram registrados 1.719 pedidos.
Série histórica mostra a mudança
Os números das últimas eleições ajudam a dimensionar a transformação.
Em 1994, a Bahia registrou 710 candidatos. Quatro anos depois, o número caiu para 559. A partir de 2002, entretanto, começou uma sequência de crescimento: foram 787 pedidos naquele ano, 883 em 2006, 1.020 em 2010, 1.093 em 2014 e 1.196 em 2018.
Em 2022, o estado chegou ao recorde de 1.719 pedidos de registro.
Agora, em 2026, o volume recuou para 1.206.
A comparação mostra que a redução deste ano não é apenas uma oscilação pontual. Ela interrompe um ciclo de expansão que marcou boa parte das últimas duas décadas.
Disputa proporcional concentra a retração
A maior parte da redução está nas eleições proporcionais, que envolvem as disputas para a Assembleia Legislativa da Bahia e para a Câmara dos Deputados.
Em 2026, foram registrados 632 pedidos para deputado estadual e 529 para deputado federal. Em 2022, esses números eram de 913 e 776, respectivamente.
Já nas disputas majoritárias, o comportamento foi diferente. O número de pedidos para o Governo da Bahia passou de seis para sete, enquanto os registros para vice-governador também subiram de seis para sete.
No Senado, foram dez pedidos em 2026, contra seis no pleito anterior.
Mudanças na legislação pesam sobre as chapas
A redução do número de candidatos ocorre em um momento de transformação das regras eleitorais e da própria estratégia dos partidos.
O fim das coligações nas eleições proporcionais e o avanço da cláusula de desempenho fizeram com que as legendas passassem a selecionar com maior rigor os nomes que irão disputar as cadeiras de deputado.
Na prática, os partidos passaram a evitar o lançamento de chapas muito extensas e a concentrar recursos do Fundo Eleitoral, estrutura de campanha e apoio político em candidaturas consideradas mais competitivas.
Menos candidatos, maior concentração
A mudança pode produzir efeitos importantes na disputa pelas cadeiras da Assembleia Legislativa e da Câmara dos Deputados.
Com menos nomes nas urnas, a tendência é de uma concentração maior de recursos e de estruturas partidárias em candidatos considerados capazes de alcançar votação suficiente para conquistar uma vaga.
O cenário de 2026, portanto, não representa necessariamente uma redução do interesse pela política. Ele revela, sobretudo, uma nova forma de organização das campanhas e das estratégias partidárias.
Depois de atingir o maior número de candidaturas de sua história em 2022, a Bahia entra em uma eleição marcada por menos pedidos de registro e por uma disputa proporcional potencialmente mais concentrada.
Da Redação – Soteropolis Noticias
Foto: Fábio Pozzebom/Agência Brasil

