Abertura com força feminina, debates sobre saúde emocional e posicionamentos sobre educação marcam encontro que ecoa além do Brasil e reforça: “É tempo de voltar à essência da Palavra”
Por Itamar Ribeiro*
Entre louvores, abraços, lágrimas discretas e palavras que pediam fôlego — e reflexão — a 13ª Assembleia Geral Ordinária (AGO) da CEADES mostrou que fé, organização e posicionamento caminham juntos. A Convenção de Pastores e Evangelistas das Assembleias de Deus do Estado do Espírito Santo abriu seus trabalhos nos dias 30 e 31 janeiro, sob forte condução feminina, enfrentou temas delicados como ansiedade e depressão no ministério e ampliou o debate sobre o papel da família na educação dos filhos.
Abertura com a UFADES: avivamento e firmeza na Palavra
A noite inaugural foi conduzida pela UFADES — União Feminina das Assembleias de Deus no Estado do Espírito Santo — presidida pela pastora Haydée Belchior. A programação reuniu grupos musicais, líderes e membros de diversas regiões, num ambiente marcado por espiritualidade e reverência.
A ministração da Palavra ficou por conta da missionária Cleo Disney Almeida Gomes, conhecida como missionária Cleudinha, natural de Ibatiba (ES). Com voz firme e tom pastoral, ela trouxe um chamado ao avivamento espiritual.
“Estamos vivendo dias muito difíceis. A Igreja precisa se posicionar, tapar as brechas e permanecer firme na essência da Palavra”, afirmou.
Ao explicar o tema escolhido, ela destacou a atualidade das Escrituras: “O tempo muda, mas o que não pode mudar é a essência da Palavra. A virtude e a ação da Palavra precisam permanecer fiéis até o fim.” Cleudinha também fez um alerta sobre o cenário religioso contemporâneo: “Existem falsas profecias, falsos mestres e pessoas falando em nome de Cristo, mas onde está o Cristo? A Igreja precisa se levantar e se posicionar.”
Mulher no ministério: portas que se abriram
Ao falar sobre o papel feminino na Igreja, a missionária emocionou o público ao recordar sua trajetória.
“Sou de uma época em que a mulher não subia ao púlpito. Preguei desde os 12 anos, mas lá embaixo. Hoje vejo com alegria as portas abertas para as mulheres no ensino e na pregação da Palavra.”
Ela ressaltou que a presença feminina sempre esteve na história bíblica: “Desde o início, as mulheres estavam firmes, lutando e servindo. No ministério de Jesus também foi assim. Vejo com bons olhos essa liberdade que a mulher tem hoje.”
E concluiu com uma exortação direta às mulheres da CEADES e da UFADES: “Sejam firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, porque o trabalho de vocês tem recompensa n’Ele.”

Saúde emocional entra em pauta: “Não podemos ignorar o sofrimento”
O segundo dia (31) da AGO trouxe um tema sensível e urgente: “Ansiedade, angústia e depressão: desafios para o ministério”. O plenário registrou presença maciça de pastores, evangelistas, missionários, presbíteros, diáconos e esposas de obreiros.
O palestrante convidado, pastor Luiz César Mariano, conduziu a reflexão com base bíblica e abordagem pastoral. Ele chamou o momento atual de “guerra geracional”.
“Homens e mulheres de Deus enfrentam desafios espirituais, emocionais e psicológicos que precisam ser encarados com as armas adequadas.”
Segundo ele, falta preparo para lidar com conflitos internos. “Faltam ferramentas espirituais e orientação para enfrentar esses desafios.”
O alerta foi direto: “Não podemos ignorar o sofrimento emocional no meio pastoral; é preciso tratar o assunto com responsabilidade e base bíblica.”

Pr. Luiz César Mariano
Debate sobre educação e direito dos pais
Ainda no segundo dia (31), o deputado estadual Alcântaro Filho (Republicanos), diácono e membro da Igreja Presbiteriana Manancial, também participou como preletor. Ele apresentou um termo de conduta destinado a pais que desejem formalizar, junto às escolas, restrições à participação dos filhos em conteúdos que considerem contrários à fé cristã.
“A família tem o direito, de que sua fé, não seja afrontada dentro da sala de aula”, afirmou.
O parlamentar mencionou lei de sua autoria em vigor no Espírito Santo, que, segundo ele, garante aos pais o direito de decidir sobre determinados conteúdos escolares. “Os filhos são dos pais e da família, não do Estado”, declarou, acrescentando que a norma enfrenta questionamentos judiciais.

Diácono e depuatado estadual Alcantaro Filho
Liderança destaca edificação, não apenas eventos
O presidente da CEADES, pastor João Manoel Rodrigues, avaliou a abertura como marcante.
“A liturgia e a mensagem foram uma bênção. Deus falou profundamente. É isso que a Igreja precisa: foco na Palavra, não apenas eventos, mas edificação que consolide a fé.”
Ele detalhou que a programação incluiu reuniões ministeriais, eleições da diretoria, definição de comissões, assuntos administrativos e consagração de obreiros.
“Abrimos com as mulheres e fechamos com a juventude, despertando novos obreiros dentro da nossa visão, que é o crescimento do Reino de Deus”, afirmou.
Sessão administrativa e novas consagrações
Na sessão ordinária da tarde, foram tratados assuntos administrativos, realizada a eleição e posse da nova diretoria, além da consagração de 18 novos obreiros — onze pastores e sete evangelistas. A Convenção também recebeu 34 novos obreiros e registrou cinco trocas de credenciais, sinalizando expansão ministerial.
Juventude encerra com chamado à profundidade
A noite festiva ficou sob coordenação da UJADES — União de Jovens e Adolescentes das Assembleias de Deus no Estado do Espírito Santo. O coordenador, Renilton Martins Ribeiro Júnior, destacou o foco espiritual da programação.
“Não há outro caminho além da oração e da Palavra de Deus. O que não pode acontecer é o entretenimento tomar o lugar da espiritualidade. Essa é a luta do nosso tempo.”
Com o tema “Jovens afiados na Palavra, ativados pela Palavra de Deus”, o encontro reforçou a necessidade de uma juventude firmada nas Escrituras, mesmo em meio aos desafios da era digital.
Uma convenção que ultrapassa fronteiras
Com presença também nos Estados Unidos, em Portugal e na Argentina, a CEADES segue em expansão. A 14ª AGO está prevista para setembro, com data e local ainda a serem definidos.
Entre louvor e debate, entre lágrimas e decisões administrativas, a 13ª AGO deixou uma mensagem clara — para dentro e para fora do Brasil: em tempos de incerteza emocional, disputas culturais e desafios geracionais, a Igreja, segundo seus líderes, precisa voltar ao centro. E o centro, repetiram diversas vozes ao longo do encontro, continua sendo o mesmo: a Palavra de Deus.
*Itamar Ribeiro/Profº Academico, escritor, jornalista, pedagogo, contador e teólogo
Fotos: Divulgação/Secom
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