Conviver com Parkinson já é um desafio. Não pode virar negócio

Por Josalto Alves (*)

Quem convive com a Doença de Parkinson sabe como é difícil, muito difícil, e não precisa ser iludido e explorado com falsas promessas de cura, de controle, de melhora baseada apenas em esforço individual, transferindo para o paciente um peso que não é dele.

O Parkinson é uma doença neurológica séria, progressiva, que exige acompanhamento médico, tratamento adequado, suporte multidisciplinar e políticas públicas eficientes.

Ainda não tem cura, mas há tratamento eficaz, como o uso de medicamentos à base de Levodopa, além de terapias complementares que permitem ao paciente manter autonomia e qualidade de vida por muitos anos.

Mas, infelizmente, para muitos insensíveis, o drama das pessoas com Parkinson representa a oportunidade de ganhos fáceis, de faturar explorando a dor do próximo!

Isso é irresponsabilidade. Desumanidade.

Nos últimos anos, nos meios digitais, surgiram livros, cursos e métodos diversos prometendo à pessoa com Parkinson assumir o controle da doença com base em mudanças de estilo de vida.

Exercício físico, alimentação equilibrada e saúde emocional são pilares importantes no cuidado com o Parkinson, mas tratá-los como solução central ou suficiente é uma distorção perigosa.

Reduzir essa complexidade a promessas de autonomia total não apenas desinforma. Gera frustração e culpa em quem já enfrenta uma condição desafiadora.

O avanço de conteúdos digitais voltados para pessoas com Parkinson levanta um alerta importante. A informação oferecida ajuda ou explora?

A questão torna-se mais grave quando essas mensagens vêm associadas a produtos comerciais. Transformar a dor em oportunidade de lucro exige reflexão ética.

E reação enérgica.

Informação em saúde deve ser responsável, baseada em evidências e comprometida com a dignidade do paciente.

É inaceitável a exploração da esperança de quem luta todos os dias contra essa doença.

Exercício, alimentação e saúde emocional são fundamentais, mas  não substituem ciência, nem neurologista, nem acesso digno ao sistema de saúde.

Precisamos de informação de qualidade, respeito ao paciente e compromisso com a verdade.

Não de marketing disfarçado de solução.

É preciso separar o que é incentivo saudável do que é marketing disfarçado de solução.

A sociedade, os profissionais de saúde e o poder público têm papel fundamental: garantir acesso à informação de qualidade, tratamento digno e políticas públicas eficazes.

É preciso ter cuidado com promessas de que o paciente pode se tornar especialista do próprio resultado.

Observar se o autor tem  referência médica, se é neurologista ou pesquisador reconhecido. Geralmente são apresentados como  profissional de educação física e criador de programas on-line.

Promessas como “você pode influenciar ativamente sua condição” e “se tornar especialista do seu resultado”, são típicas de produtos digitais de venda, não de literatura científica.

Expressões como “descubra o segredo que médicos não contam”, “controle total da doença”, “método natural comprovado”, “cura sem remédio” e “você pode reverter”, formam um padrão clássico de exploração!

Lembre-se: quando alguém promete controlar ou curar o Parkinson fora da medicina, não está oferecendo solução.

Está vendendo ilusão.

Este artigo tem o objetivo de alertar a sociedade sobre a crescente oferta de livros, cursos e “métodos” que prometem controle ou melhora significativa do Parkinson sem base científica comprovada.

Se você conhece alguém que convive com a Doença de Parkinson, por favor compartilhe este texto.

(*) Josalto Alves é jornalista e advogado, e convive com a Doença de Parkinson.  E-mail josalto-alves@hotmail.com

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