Proposta de colaboração premiada apresentada à PGR ainda está em fase de ajustes; executivo relata operações envolvendo fundos de investimento e menciona políticos baianos
O ex-controlador da Reag Investimentos, João Carlos Mansur, apresentou à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma proposta de acordo de delação premiada que está em fase final de negociação. O material cita o senador Jaques Wagner (PT-BA), candidato à reeleição, e o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil), que disputa o Governo da Bahia.
As informações foram divulgadas pelo portal UOL. A colaboração tem como principal foco supostas irregularidades relacionadas ao ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, mas também reúne relatos sobre operações financeiras envolvendo fundos administrados pela Reag e pessoas ligadas às investigações.
Ingressos para show de Taylor Swift
No caso de Jaques Wagner, a proposta de delação menciona a obtenção de ingressos para o show da cantora Taylor Swift, realizado no Allianz Parque, em São Paulo, em 2023.
Segundo o relato atribuído a Mansur, os ingressos, avaliados em R$ 63,3 mil, teriam sido solicitados pelo empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, para presentear o senador baiano.
Wagner afirmou que os ingressos foram obtidos após um pedido pessoal de Lima a um amigo que poderia ajudá-lo na aquisição. O senador também declarou que não conhece Mansur e que nunca manteve qualquer relação com a Reag.
ACM Neto aparece como investidor
ACM Neto é citado em razão de sua participação no fundo de investimento Seattle 95, do qual, segundo as informações divulgadas, era proprietário exclusivo. O fundo foi administrado pela Reag até 2025.
Por meio do Seattle 95, Neto realizou aplicações no Structure, fundo constituído a partir de operações de empréstimos consignados originados pelo Banco Master.
Em nota, ACM Neto afirmou que o Seattle 95 foi criado no final de 2021 com recursos próprios, de origem declarada e lícita. Segundo ele, a contratação da Reag ocorreu em conformidade com as regras estabelecidas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
O ex-prefeito também afirmou que a rentabilidade obtida esteve dentro dos parâmetros do mercado e que os tributos incidentes foram devidamente recolhidos.
Entre novembro de 2021 e julho de 2025, o Seattle 95 teria aplicado aproximadamente R$ 4,8 milhões no Structure, distribuídos em quatro operações. Em fevereiro de 2023, esse investimento chegou a representar 98,6% do patrimônio do fundo.
Ainda segundo as informações divulgadas, ACM Neto fez dez aportes no Seattle 95, que totalizaram R$ 7,92 milhões. O patrimônio do fundo chegou a R$ 11,94 milhões em outubro de 2025, representando um ganho de aproximadamente R$ 4,01 milhões e rentabilidade média de 17% ao ano.
A Reag também administrava outros fundos relacionados a pessoas mencionadas nas investigações sobre o Banco Master, entre eles o Astralo 95, o Haena 808, ligado a Augusto Ferreira Lima, e o Whynot, de Valério Marega Júnior, apontado nas investigações relacionadas a Jaques Wagner.
Vorcaro é principal alvo da colaboração
O principal foco da proposta de colaboração é Daniel Vorcaro. Mansur chegou a negociar uma possível delação conjunta com o ex-controlador do Banco Master quando ambos eram clientes do criminalista José Luís de Oliveira, mas a iniciativa não avançou.
Após a saída do advogado do caso, Mansur passou a ser representado pelo criminalista Aloísio Medeiros.
Na proposta apresentada à PGR e à Polícia Federal, Mansur afirma que a Reag prestava serviços ao Banco Master e a Vorcaro desde 2019, período em que o empresário assumiu o controle da instituição.
Segundo o executivo, a Reag teria estruturado operações financeiras por meio de fundos de investimento. Ele também relata que determinados fundos administrados pela empresa teriam sido utilizados em operações que, segundo sua versão, serviriam para desviar recursos do banco, com participação de supostos intermediários e estruturas mantidas no exterior.
Mansur teria apresentado à PGR documentos relacionados às transações financeiras e às negociações que, segundo ele, foram realizadas diretamente com Vorcaro.
Acordo ainda não foi homologado
A proposta de delação ainda não foi formalmente assinada. Caso as negociações sejam concluídas, o acordo deverá ser encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF).
O caso está sob responsabilidade do ministro André Mendonça, a quem caberá analisar eventual pedido de homologação da colaboração, observados os requisitos previstos na legislação.
Por enquanto, portanto, os relatos apresentados por Mansur fazem parte de uma proposta de colaboração que ainda depende de formalização, análise e eventual homologação judicial.
Da Redação – Soteropolis Noticias
Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado – Divulgação

