Preletor do segundo dia do encontro apresentou termo de conduta para ser protocolado em escolas e criticou o que chamou de “ideologia de gênero”
No segundo dia da 13ª Assembleia Geral Ordinária (AGO) da CEADES — Convenção de Pastores e Evangelistas das Assembleias de Deus no Estado do Espírito Santo e em outros estados da Federação —, realizado sábado (31), o diácono, deputado estadual e membro da Igreja Presbiteriana Manancial, Alcântaro Filho (Republicanos), foi o segundo preletor da programação. Em sua palestra, ele afirmou haver preocupação com a presença do que classifica como “ideologia de gênero” nas escolas públicas e apresentou aos participantes um termo de conduta destinado a pais que desejem formalizar, junto às unidades de ensino, restrições à participação dos filhos em atividades que considerem contrárias à fé cristã.
Ao portal, o parlamentar falou sobre o tema e relacionou sua abordagem à narrativa bíblica de Daniel. Segundo ele, a questão educacional estaria ligada a uma disputa de valores. “A ideologia de gênero, na verdade, nada mais é do que um instrumento de deformação da fé cristã. O grande objetivo, na nossa visão, é mudar aquilo que a Bíblia nos traz como verdade”, afirmou.
O deputado também associou o debate a correntes políticas e filosóficas. “Assim como o movimento feminista e outros movimentos que vêm dessa corrente marxista, eles têm como alvo a desconstrução da fé cristã e, em consequência disso, da família, da forma como nós conhecemos e como a Bíblia nos apresenta. A própria Constituição Federal, no artigo 226, diz que a família é a base da sociedade”, declarou.
Ainda segundo Alcântaro Filho, a escola seria um dos espaços centrais dessa disputa. “Uma das principais barreiras a essa visão de mundo é o cristianismo, é a igreja. Então, a ideologia de gênero é implementada nas escolas, muitas vezes contra o consentimento dos pais e dos próprios alunos”, disse.
O parlamentar citou, ainda, legislação de sua autoria aprovada no Espírito Santo. “Tem uma lei de minha autoria que está em vigor no Estado. Ela foi aprovada no ano passado e teve sanção tácita. Essa lei garante aos pais o direito de decidirem sobre determinados conteúdos aos quais os filhos serão expostos, como não serem obrigados a participar de aulas que tratem de ideologia de gênero. A norma está em vigor, mas está sob ataque judicial”, afirmou.
De acordo com ele, a legislação é questionada em instâncias superiores. “Há ações judicializadas, inclusive no STF, e o tema deve ser analisado agora no início do ano. Caso a lei seja mantida, entendemos que ela pode ser replicada em todo o Brasil, porque garante o direito das famílias. Afinal, os filhos são dos pais e da família, não do Estado”, declarou.
Durante o evento, o deputado anunciou a disponibilização de um documento voltado aos responsáveis legais. “Nós elaboramos um termo de conduta para que os pais possam levar às escolas e protocolar na secretaria, deixando claro, com base legal, que seus filhos não participem de atividades que considerem contrárias à fé cristã. A família tem o direito de que sua fé não seja afrontada dentro da sala de aula”, concluiu.
Soteropolis Noticias
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