Apelo da família, conversa com o pai e cartada contra Moro antecederam saída da disputa
Quarta-feira, 17 horas em Brasília. Esta era a data escolhida para a cerimônia em que o PSD anunciaria oficialmente a candidatura de Ratinho Junior à Presidência da República.
Quarta-feira, 17 horas em Brasília. Esta era a data escolhida para a cerimônia em que o PSD anunciaria oficialmente a candidatura de Ratinho Junior à Presidência da República.
Até o fim da tarde de domingo, quem levantasse qualquer possibilidade de Ratinho Junior desistir da candidatura seria automaticamente ironizado pelo grupo mais próximo do governador do Paraná. Mas o quadro começou a mudar na manhã de segunda-feira (23), quando Ratinho Junior chegou para trabalhar.
Naquele momento, o assunto da desistência apareceu pela primeira vez. Discretamente, um assessor espalhou a informação de que o governador estava cabisbaixo. E que tinha captado das conversas de corredor que ele, aparentemente, iria abandonar eleição presidencial.
Quem ouviu do outro lado da linha não levou a sério. Até porque, dali a poucas horas, Ratinho Junior se reuniria com deputados para um almoço de despedida do cargo.
O almoço aconteceu. E a palavra desistência não apareceu em nenhum momento. A explicação só viria mais tarde: o governador ainda queria comunicar a notícia pessoalmente a alguns aliados de primeira hora.
O presidente do PSD, Gilberto Kassab foi avisado ainda pela manhã, mas também foi surpreendido, segundo interlocutores. O ex-prefeito estava com o martelo batido na candidatura de Ratinho Junior e, segundo pessoas próximas, mal conseguiu dar atenção aos inúmeros telefonemas que recebeu.
Assim, boa parte do dia transcorreu. E foi só por volta das 15 horas que a equipe do gabinete começou a disparar telefonemas para avisar que seria publicada em breve uma nota oficial confirmando a saída dele da corrida presidencial.
Como informou ontem o analista de Política CNN Brasil Caio Junqueira, foram três fatores principais que teriam motivado a saída de Ratinho Junior da disputa.
Aliados próximos do governador ouvidos pelo blog garantem que o apelo da família foi a grande causa por trás da decisão. Mas há também especulações nos bastidores sobre o peso da negociação de palanques estaduais do PSD para a eleição, passando por uma reaproximação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A conversa com a mulher e os filhos teria ocorrido na noite de domingo, segundo os relatos feitos à CNN Brasil. Ratinho Junior também falou longamente com seu pai, o apresentador Ratinho. No círculo familiar, o temor de uma escalada de ataques vindos do campo bolsonarista teria sido um dos elementos mais fortes, com menções específicas a vídeos postados pelo blogueiro Oswaldo Eustáquio.
O caso Master também surgiu na conta, ainda de acordo com os relatos, já que as investigações esbarrarem na privatização da Copel, companhia de energia do estado.
Por fim, a sucessão no Paraná teria levado Ratinho Junior a avaliar que sua permanência no cargo de governador lhe permitiria fazer frente ao avanço da candidatura de Sergio Moro.
Ratinho Junior teria confidenciado que estaria inconformado com o endosso do PL a Moro e a filiação do ex-juiz. E teria tentado até o último minuto negociar um desembarque do partido do ex-presidente Jair Bolsonaro do projeto com o hoje senador.
Mas ouviu um sonoro “não” como resposta. Diante da negativa, Ratinho, ainda de acordo com aliados, avisou: vai com o candidato que o PSD escolher para a disputa presidencial, esvaziando as especulações de que poderia fazer campanha para Flávio Bolsonaro mesmo que seu partido esteja na corrida. (Clarissa Oliveira-CNN Brasil).
Foto: Geraldo Bubniak/AEN

