Dez anos sem Zé Nilton; uma vida dedicada à Rádio Sociedade

A coluna Feira em História, assinada pelo jornalista Zadir Marques Porto, traz fatos históricos e curiosos sobre a cidade

Por Zadir Marques Porto

Não é raro se ouvir a expressão “ninguém é insubstituível” quando as qualidades de alguém são ressaltadas em determinadas situações. É possível que essa opinião não esteja errada, mas o que não se deve é olvidar, ou deixar de rememorar, aqueles que, nas suas áreas de atuação, exemplaram. José Nilton Ramos foi um desses!

Sem o poder do microfone que, muitas vezes, projeta de forma incontestável quem o utiliza, José Nilton Ramos, popularizado como Zé Nilton, foi uma das figuras marcantes do rádio de Feira de Santana. Com uma peculiaridade: durante os 35 anos de vida profissional, vestiu uma só camisa, a da Rádio Sociedade de Feira de Santana, para a qual, com extrema dedicação, contribuiu decisivamente para colocá-la no patamar atual.

Em meados da década de 1960, quando a Rádio Sociedade trocava seus estúdios, que ficavam na Rua Desembargador Filinto Bastos (Rua da Aurora), no antigo Cine Plaza, e o escritório central (administração), no Edifício Café São Paulo, na Praça da Bandeira, pelo moderníssimo prédio próprio na Rua Frei Hermenegildo de Castorano, bairro Capuchinhos, logo “batizado”, com justiça, como “O Palácio do Rádio Baiano”, graças à pujante administração do sempre lembrado frei Aureliano de Grottamare, Zé Nilton entrou para a história da emissora.

Frei Aureliano, um administrador como poucos, já o conhecia da cidade de Esplanada e, confiante nas qualidades do jovem, um tanto tímido, mas honesto e trabalhador, não hesitou em trazê-lo para enfrentar a espinhosa tarefa de construir, literalmente, a primeira emissora de radiodifusão do interior da Bahia. Se existe “braço direito” em uma administração, como é dito popularmente em elogio a um auxiliar, Zé Nilton foi o “braço direito” de frei Aureliano.

Mesmo sem qualquer experiência em rádio e na área de contabilidade, o “noviço” de Esplanada mostrou competência e interesse, logo assumindo o setor administrativo e a área comercial, levando a emissora a alcançar um patamar elevado, figurando entre as mais importantes do Nordeste. Foi fundamental no projeto da RS para transmitir a Copa do Mundo de 1982, na Espanha, com equipe própria, o que representou forte investimento. Por meio de sua atuação na área comercial, a Sociedade captou os recursos financeiros necessários para comparecer ao Velho Continente com Dilson Barbosa, Itajay Pedra Branca, Dourival Oliveira, Dilton Coutinho e frei João da Cruz.

Ademais, José Nilton Ramos esteve presente em todas as grandes iniciativas da Rádio Sociedade de Feira: na modernização das instalações físicas, aquisição de equipamentos, contratação de profissionais e na atenção ao bem-estar deles, que sempre foi uma prioridade da administração de frei Aureliano de Grottamare. Além dos jogos de futebol, estimulou outras grandes transmissões externas, tanto religiosas quanto festivas ou populares — como a Micareta e o Carnaval de Salvador —, eventos da área econômica, a exemplo da Expofeira, a apuração de votos nas eleições municipais e acontecimentos sociais de relevância, como os muitos promovidos pelo Feira Tênis Clube e pelo Clube de Campo Cajueiro, ambos extintos há algum tempo.

Seu trabalho junto às principais agências de propaganda do Rio de Janeiro, São Paulo, Recife e Salvador estabeleceu um vínculo de proximidade com os grandes mercados publicitários, garantindo a presença de importantes marcas nacionais na programação comercial da emissora dos Capuchinhos. José Nilton Ramos casou-se em 8 de fevereiro de 1969 com a professora Telma Maria (filha do diácono José Barbosa), em uma união de afeto e compreensão, com profunda devoção a Santo Antônio, premiada com três filhos: Claudiana, Alessandra e Ricardo. O falecimento da esposa, em 2008, após pertinaz doença, foi um golpe muito forte para quem, durante 35 anos, viveu para a família e a Rádio Sociedade.

Deixando sua segunda casa — ou a extensão dela —, que era a Rádio Sociedade de Feira, mas a ela permanecendo fiel e leal, preferiu manter-se distante do rádio, apesar dos convites que lhe foram formulados. O dinâmico e criativo José Nilton Ramos faleceu enquanto dormia, aos 70 anos de idade, no dia 3 de janeiro de 2016, portanto há 10 anos. Todavia, seu trabalho no rádio local não foi apagado e hoje é representado com qualidade pela filha Alessandra Ribeiro, que tem importante atuação na área comercial e na produção da Rádio Nordeste FM, no programa Rádio Repórter, apresentado diariamente por seu marido, o jornalista paulista Renato Ribeiro, carinhosamente lançado no rádio feirense por José Nilton Ramos.

Foto: Arquivo Pessoal/ Zadir Porto

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