Diretoria de Políticas Públicas para as Mulheres amplia diálogo e apoio às mães atípicas de Antônio Cardoso

No Brasil, milhões de mulheres vivem a realidade da maternidade atípica — marcada por sobrecarga emocional, dificuldades financeiras e falta de políticas públicas contínuas. Estudos nacionais indicam que a maior parte das crianças com deficiência ou transtornos do desenvolvimento é cuidada exclusivamente pelas mães e que uma parcela significativa dessas mulheres deixa o mercado de trabalho para se dedicar integralmente aos filhos. Segundo o Censo 2022 do IBGE, mais de 14 milhões de pessoas vivem com algum tipo de deficiência no país, cenário que impacta diretamente a vida familiar e, sobretudo, a das mulheres cuidadoras.

É dentro desse contexto que mães atípicas de Antônio Cardoso se reuniram, quinta-feira (22/01), em um encontro promovido pela Diretoria de Políticas Públicas para as Mulheres. A reunião foi marcada pela escuta, troca de experiências e construção de encaminhamentos, com a participação do prefeito Jocivaldo dos Anjos, da diretora da pasta, Mércia Guerra, de um grupo de mães atípicas e das conselheiras tutelares Elisangela Cardoso e Maiana Araújo.

O encontro deu continuidade a um processo iniciado no ano passado, quando a Diretoria de Políticas para Mulheres promoveu a primeira escuta com mães atípicas, com o objetivo de orientar sobre a criação de uma associação. “A proposta é fortalecer a organização dessas mulheres enquanto sociedade civil e ampliar o acesso a direitos e políticas públicas”, salientou Mércia Guerra.

Durante a reunião, as mães relataram demandas relacionadas ao acesso a atendimento psicológico, serviços de saúde, educação especializada e geração de renda. Muitas destacaram o impacto da maternidade atípica na vida profissional, com relatos de interrupção do trabalho e redução da autonomia financeira, além do desgaste emocional provocado pela ausência de uma rede de apoio estruturada.

Para a diretora de Políticas Públicas para as Mulheres, Mércia Guerra, a escuta revelou a importância de olhar para essas mulheres para além do papel de cuidadoras. Segundo ela, a preocupação é garantir que as mães atípicas tenham momentos pensados também para elas, com ações voltadas à saúde mental, convivência social, atividades físicas, formação e desenvolvimento socioeconômico.

Durante a escuta, as conselheiras tutelares contribuíram com orientações sobre a proteção de direitos das crianças atípicas e a importância do acompanhamento das famílias pela rede de apoio. Também foram discutidos encaminhamentos, como orientações jurídicas para a constituição oficial da associação de mães atípicas, além do compromisso de realização de ao menos uma reunião mensal, assegurando a continuidade do diálogo. Outro ponto levantado foi a necessidade de ampliar a informação no município. Muitas mulheres ainda desconhecem a existência de uma Diretoria voltada especificamente para elas. “A proposta é fortalecer esse espaço de escuta, acolhimento e encaminhamento de demandas”, destacou o prefeito.

A reunião contou ainda com a participação das secretarias municipais de Educação e de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza, reforçando a importância de uma atuação integrada. Para as mães presentes, o encontro representou mais um passo na luta por políticas públicas que considerem tanto as especificidades das crianças atípicas quanto o cuidado com quem cuida.

Avanços em 2025

O ano de 2025, apesar de todas as dificuldades ainda existentes, foi marcado por conquistas, tanto na área da Educação, quanto na Saúde. De acordo com as secretarias que respondem por estas pastas, foi garantido suporte no traslado para realização de terapias em outros municípios, garantindo continuidade do cuidado; atendimento com neuropediatra; atendimento com psiquiatra infantil a partir dos 4 anos de idade; acesso a consultas com neurologista e pediatra, fortalecendo o acompanhamento clínico; ampliação da equipe de psicólogos, qualificando o cuidado em saúde mental.

A assistência integral por meio de equipe multidisciplinar, com cuidado centrado na criança e na família, também foi uma prioridade, além da garantia de encaminhamentos para benefícios eventuais e para o Benefício de Prestação Continuada (BPC), quando indicado; encaminhamentos para acesso a medicamentos especializados, conforme necessidade clínica e melhoria no abastecimento contínuo de medicamentos da atenção básica e da saúde mental.

Na área da Educação, dentre outras conquistas, houve a implantação de 4 salas de Atendimento Educacional Especializado; a contratação de duas psicólogas, uma psicopedagoga e auxiliares de classe nas turmas com estudantes Pcd. Foram realizadas reuniões com mães atípicas, rodas de conversar com as mães atípicas no distrito do Poço com parceria com o CRAS e a formação para os auxiliares de classe e profissionais da sala de recurso. (Ascom).

Foto: Divulgação/Ascom

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