Dom Gilvan é homenageado na ALBA por trajetória dedicada à fé e às causas sociais

O bispo auxiliar da Arquidiocese de Salvador, Dom Gilvan Pereira Rodrigues, foi agraciado pela Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), na manhã desta segunda-feira (28), com a Comenda 2 de Julho. A mais alta honraria do Legislativo baiano foi concedida por projeto de resolução do deputado Luciano Ribeiro (UB), “em reconhecimento aos relevantes serviços prestados à sociedade baiana, especialmente nas áreas social, educacional, religiosa e humana” pelo bispo.

Ao saudar o homenageado, Luciano Ribeiro lembrou que reverenciava não apenas um amigo, mas também uma personalidade, “um homem vocacionado à fé e às causas sociais, com importância especial para a nossa sociedade”. Ele declarou que “quiseram Deus e o destino que eu retornasse a esta Casa para ter a oportunidade, a satisfação e o orgulho” de conceder ao religioso a Comenda, destinada a personalidades que muito contribuíram com o Estado. Para ele, Dom Gilvan “é uma inspiração”.

O bispo recebeu a Comenda com “emoção muito grande” e considerou tratar-se de um distintivo “que é muito significativo para nós baianos e para o Brasil”. Ele fez menção ao 2 de Julho como “um sinal verdadeiro da Independência do Brasil” e revelou que, em um primeiro momento, não se considerou merecedor da homenagem, mas, ao verificar o contexto de criação da Comenda, sentiu-se “muito lisonjeado e homenageado de fato, porque independência, liberdade, soberania” são princípios que pautam “a minha existência. Eu gosto de viver isso”.

Dom Gilvan, que também celebrou um ano como bispo auxiliar da Arquidiocese de Salvador, “ajudando e servindo ao povo, trabalhando naquilo que eu mais gosto, que é na conscientização, na busca do sentido da vida, na perspectiva da liberdade, da independência, de uma sociedade mais fraterna e que todos possam dialogar”, agradeceu a Deus e ao deputado Luciano Ribeiro pela homenagem recebida. Ele recordou que conheceu o político quando era prefeito de Caculé e os momentos que marcaram “uma relação muito próxima de amizade e também de compromissos sociopolíticos”.

Para o Arcebispo Primaz do Brasil, Cardeal Sérgio da Rocha, a concessão da Comenda foi “muito merecida, pelo que ele tem feito ao longo dos anos, primeiramente como padre, e agora como bispo”. Mas considerou ser, também, “um reconhecimento da própria missão da Igreja, da relevância do papel da Igreja na sociedade; a Igreja que contribui para a construção da fraternidade, da justiça e da paz através das suas organizações, das pastorais, dos movimentos, contando com apoio de padres e bispos e, nesse caso, com o apoio de Dom Gilvan”. Trata-se, portanto, de “uma justa homenagem”.

TRAJETÓRIA DE SUPERAÇÃO

No discurso de acolhimento e saudação, Luciano Ribeiro discorreu sobre a vida do religioso, “sertanejo assim como eu”, marcada pela superação, “com foco total nos estudos e na vida religiosa, fazendo a opção pela caminhada vocacional”. Nesta trajetória, Dom Gilvan percorreu as cidades de Caetité, Vitória da Conquista e Belo Horizonte, onde concluiu a sua formação. Logo depois, iniciou as atividades como padre na paróquia de Brumado, onde, além da orientação espiritual, “sempre teve, também, papel de relevância na comunidade”.

Apesar da dedicação intensa à função primordial de pastor, continuou Luciano Ribeiro, o religioso “nunca se descuidou dos estudos”. “E não é que aquele menino vindo lá do Curral do Mato foi até Roma e lá permaneceu por dois anos, onde se tornou Mestre em Teologia Moral. Quanto orgulho!”, declarou o deputado, lembrando que, ao retornar, Dom Gilvan foi ser pároco em “minha amada Caculé”.

O então padre Gilvan, “já naquela oportunidade, foi pra mim um presente de Deus e do destino, pois eu era então o prefeito da época”. O político, já no primeiro contato, se encantou pelo religioso. “Minha intuição dizia que ali havia encontrado uma raridade, um amigo, um irmão enriquecedor, tanto na minha vida espiritual, quanto na minha tarefa de cuidar das pessoas”. O padre foi descrito pelo deputado como um homem culto, carismático, trabalhador, visionário, “e de um coração enorme, em busca de acolhimento àqueles mais vulneráveis. Sua vocação na vida é servir a Deus e à causa humanitária”, disse.

Luciano confessou que bebeu, como prefeito, “desta fonte de sabedoria e bondade”, em busca de inspiração na condução dos destinos de Caculé. Creditou a Dom Gilvan a implantação no município “de tantas políticas inovadoras, que renderam as melhorias dos indicadores na saúde, na educação e no social, rendendo, à época, diversos prêmios, inclusive de organismos internacionais, a exemplo da ONU”.

Ao concluir o pronunciamento, Luciano Ribeiro revelou que a amizade entre os dois transcendeu os aspectos religiosos, passando ao campo familiar, e “hoje nos tornamos verdadeiros irmãos da vida, partilhando momentos entre nós que nos enriquecem e deixam grandes e boas memórias”. O deputado revelou “o quanto é gratificante ser o portador desta homenagem” e considerou, por fim, que o mundo atual, “tão descrente de valores éticos e morais, bem como de pessoas vocacionadas à doação às causas humanitárias, necessita muito da sua liderança e exemplo. Fiquem todos com Deus!”, desejou.

HISTÓRIA DE VIDA

Monsenhor Gilvan nasceu em 1972 e foi ordenado sacerdote em 1999. Nascido na pequena comunidade rural Curral do Mato, em Mortugaba, desde pequeno dedicou-se aos estudos e à experiência na fé a partir da Comunidade Eclesial de Base. Entrou para o Seminário São José, em Caetité, em 1989, onde concluiu a formação escolar fundamental e formou-se no Magistério. Continuou os estudos em Vitória da Conquista e, em 1995, mudou-se para Belo Horizonte, onde se graduou em Teologia e Filosofia. Ao final do curso, foi designado para a paróquia de Bom Jesus, em Brumado.

Em 2006, foi estudar em Roma, onde obteve o título de Mestre em Teologia Moral, com especialização em Bioética pela Pontifícia Universidade Lateranense de Roma. Retornando ao Brasil, foi designado para a Paróquia Sagrado Coração de Jesus, em Caculé. Dois anos depois, assumiu a Reitoria da Teologia da Diocese de Belo Horizonte e aproveitou para obter o terceiro diploma, desta vez em Psicologia Clínica na PUC-Minas, e especializar-se em Logoterapia e Saúde da Família pela Universidade Estadual da Paraíba. Em 2024, foi nomeado, pelo Papa Leão XIV, bispo auxiliar na Arquidiocese de São Salvador da Bahia.

A sessão especial de concessão da Comenda 2 de Julho foi presidida pelo deputado proponente Luciano Ribeiro, com a mesa dos trabalhos composta pelo deputado Nelson Leal (PP), pelo Arcebispo Sérgio da Rocha, pelos bispos auxiliares da Arquidiocese de Salvador, Dom Marco Eugênio Galrão e Dom Gabriel Filho; pelo presidente Regional Nordeste III e bispo da Diocese de Camaçari, Dom Dirceu de Oliveira Medeiros. Também compuseram a mesa o Vigário Geral da Arquidiocese e reitor da Basílica Santuário do Senhor do Bonfim, padre Edson Menezes; o Coronel Costa Neto, representando o comando da Sexta Região Militar; e o conselheiro da OAB-Bahia, Adriano Batista, representando a presidente Daniela Borges. (Ascom).

Foto: Paulo Mocofaya

Siga o Soteropolis Noticias no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Participe também dos nossos canais no WhatsApp, Facebook e X.