O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), ironizou sugerindo uma “CPI do lixo na Bahia” ao ser questionado, na manhã desta quinta-feira (10), sobre a abertura de uma investigação de invasões de terra no extremo sul do estado pela Assembleia Legislativa da Bahia (Alba). A instalação do colegiado contra o MST, feita no início desta semana, atende uma ordem do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) diante de um requerimento protocolado em abril de 2023 pelo deputado estadual Leandro de Jesus (PL).
“Fico sempre meditando sobre as atitudes de alguns deputados, o que é natural. Não estou dizendo que não é para fazer. Mas existem outras decisões que a Assembleia podia também tomar. Uma sugestão é fazer uma licitação sobre as empresas de lixo na Bahia para ver se descobria alguma coisa. Então, faça do MST, faça o que for preciso. Mas é uma sugestão, de repente a Assembleia possa ter coragem de criar uma CPI para descobrir sobre as empresas do lixo”, disse.
Jerônimo se referiu à Operação Overclean que investiga o empresário José Marcos de Moura, conhecido como Rei do Lixo, amigo do ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil). Ele é apontado como um dos líderes de uma organização criminosa que desviou cerca de R$ 1,4 bilhão por meio de fraudes em licitações e contratos públicos. O vice-presidente nacional do União Brasil não é citado na investigação, mas mira outros correligionários filiados ao partido.
Em um evento em Salvador na última sexta-feira (4), ACM Neto se irritou ao ser questionado sobre sua relação com Moura e chegou a interromper uma repórter diante da pergunta.
“Por quê? Por quê? Eu? Primeiro, eu jamais afastei a minha relação de amizade com Marcos Moura. Marcos é meu amigo, e todos sabem disso. Jamais foi negado em nenhum momento. Agora, daí eu ter participação, envolvimento ou responsabilidade em qualquer coisa é outra história”, respondeu o ex-prefeito, que também relacionando o partido a movimentações para desgastá-lo com a Overclean. (Carolina Papa / Leandro Aragão).
Foto: Carolina Papa/bahia.ba