Após 18 anos no PSB, deputada faz balanço de trajetória, fala em “missão cumprida” e admite mudança de partido em busca de viabilidade eleitoral
A tarde desta terça-feira (31) foi marcada por emoção e despedida na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA). A deputada Fabíola Mansur (PSB) encerrou seu período como parlamentar em exercício com um discurso que comoveu colegas e marcou o fim de um ciclo de quase duas décadas na legenda socialista.
Suplente, Fabíola ocupava a cadeira do deputado Ângelo Almeida, que estava licenciado para atuar no governo de Jerônimo Rodrigues (PT). Com o retorno dos titulares ao Legislativo, em razão do calendário eleitoral, a parlamentar se despediu não apenas do mandato, mas também de uma trajetória política construída ao longo de 18 anos no Partido Socialista Brasileiro.
Após o pronunciamento no plenário, ainda emocionada, Fabíola conversou com a imprensa e refletiu sobre sua saída da sigla. Segundo ela, a decisão foi tomada após uma análise cuidadosa do cenário político. “Foram 18 anos de afinidade completa com as bandeiras partidárias, de muito aprendizado. Um partido que defende pautas democráticas, saúde, educação pública de qualidade, direitos humanos. Tudo que nos move na política”, afirmou.
Apesar do vínculo histórico, a deputada reconheceu que o momento exige novos caminhos. “A gente tem que entender que, para defender essas pautas, também precisa sobreviver politicamente. Depois de uma análise madura, consciente, achei por bem abrir uma nova porta. Encerrar esse ciclo não é fácil, mas é necessário para continuar na batalha”, declarou.
A decisão de deixar o PSB, segundo Fabíola, não foi precipitada. Ela revelou que ainda tentou permanecer na legenda até os últimos momentos da janela partidária, mantendo diálogo com a direção, incluindo a deputada Lídice da Mata, uma das principais lideranças da sigla. “Resisti até ontem. Ninguém pode dizer que eu fico mudando de partido. Fiz isso de forma muito madura”, ressaltou.
Conhecida por sua atuação em pautas identitárias e de direitos humanos, a parlamentar também falou sobre os desafios enfrentados nesse campo. “A política, às vezes, é cruel com quem levanta essas bandeiras. Mas é preciso fazer uma leitura de cenário para entender onde há mais chances de eleição”, pontuou.
Ao encerrar sua fala, Fabíola Mansur destacou o sentimento de dever cumprido e a disposição para seguir na vida pública. “Minha missão está cumprida no partido. Saio de cabeça erguida, honrei o PSB, fui apoiada pela militância, mas agora é hora de evoluir. Precisamos ter condições reais de esperançar uma vitória”, concluiu.
A saída da deputada simboliza não apenas uma mudança individual, mas também reflete os movimentos estratégicos que marcam o cenário político às vésperas das eleições, onde despedidas e recomeços caminham lado a lado.
Editor: Soteropolis Noticias
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