Por Maria José Rocha Zezé*
Estudar no Instituto Central de Educação Isaías Alves -ICEIA – era uma honra
Maria José Rocha Lima
Ao concluir o curso ginasial fui estudar o Curso Normal no Instituto Central de Educação Isaías Alves – ICEIA-. O ICEIA era uma das melhores escolas públicas da Bahia e ministrava o melhor curso de formação de professores. O antigo ICEIA teve início com a Lei nº 37, publicada no dia 14 de abril de 1836, quando instituiu a existência de uma Escola Normal no Estado. Em 1968, recebeu o nome de Instituto Central de Educação Isaías Alves (ICEIA), em homenagem ao educador baiano Isaías Alves de Almeida (1888-1968), que teve um papel importante na fundação da Faculdade de Filosofia da Bahia e foi aluno da instituição. O ICEIA foi um celeiro na formação de grandes professores. Muito bem administrada pela professora Teodolina, conhecida por ser uma diretora de linha dura. A professora Teodolina era temida por todos os que condenavam a ordem, o progresso, a disciplina e abominavam a lei. Tudo era perfeitamente organizado. A escola era limpíssima, o chão permanentemente encerado, brilhava de dar gosto. Os jardins do ICEIA eram verdes e floridos, em qualquer época do ano, coisa raríssima na Bahia, tanto pelo clima, como pela falta de tradição cultural. Também os parques internos, do ICEIA, tanto os freqüentados pelas normalistas, quanto os freqüentados pelas crianças das escolas infantil e primária, eram mantidos em perfeito estado. Os banheiros eram de primeiro mundo, sempre havia chefes de disciplina por perto, evitando o mau uso. A disciplina exigida era exemplar: o silêncio nos corredores era sepulcral, durante o período das aulas. Já durante o recreio era permitido um barulhinho bom, mas sempre controlado. Eu andei me lembrando que o recreio era vigiado; tinha professores de educação física, que nos atraíam para espaços diferentes durante o recreio, evitando aglomeração de todos no mesmo espaço. O uniforme era impecável. Nunca me esqueço da colega Mara Renée Buzahr Fontes, a farda e a sua aplicação com os cadernos eram exemplares e valorizados. Tínhamos outras colegas estudiosas como Telma, Nazaré, Regininha Bastos, esta última minha prima. A professora Teodolina – Diretora do ICEIA- nos recebia no portão, verificando a completude do uniforme; e os cuidados do estudante com a farda, como chamávamos o uniforme, antigamente na Bahia. A blusa tinha que ser branquinha, nunca encardida. Os debruns azul marinho da manga e da gola, também, tinham que estar em ordem, isto é: com a cor viva e adequadamente aplicados. Os debruns de cor azul marinho, eram fitas, tiras de pano cosidas dobradas sobre a orla das mangas e gola da blusa de modo a formar uma guarnição em relevo. Também as saias tinham que estar dois dedos acima dos joelhos e devidamente plissadas. Os professores do ICEIA eram os melhores da Bahia. Eu não me lembro se esses ilustres professores eram professores do ICEIA; ou se eram as suas obras (palestras), que os faziam tão presentes por lá. Nilda Castro (esta, com certeza, foi minha professora); Dilza Atta, Consuelo Pondé, Consuelo Novaes, Luís Henrique Dias Tavares, neste caso acho que era a sua obra: História da Bahia, que o fazia tão presente; ainda tinha Babynha, uma excelente professora de Psicologia; Betty Coelho contadora de estórias. Enfim era uma plêiade de bons professores ou bons contatos da escola com os autores baianos. Sei também que de lá saíram várias autoridades, só me lembrei de pouquíssemos dos contemporâneos, mas podemos imaginar a plêiade. Como é um trabalho de memória lembrei-me do ex- Secretário de Educação Edilson Freire, que estudou lá desde o primário, no Getulio Vargas,–escola anexa- até o curso normal; lembrei-me da reitora Ivete Sacramento, que foi minha colega e eu deputada, outros a memória não alcançou. Agora, escrevendo essas memórias tive a triste notícia que não é mais ICEIA, mas ao comemorar 177 anos, de fundação em 2013 fora transformado em Centro Estadual de Educação Profissional.(memórias)
*Maria José Rocha Zezé – professora e política brasileira, ex-deputada estadual da Bahia

