EUA e Japão intervêm no câmbio para fortalecer o iene em ação inédita desde 2011

Operação conjunta marca a primeira compra de ienes pelo governo americano em cerca de uma década e busca conter a forte desvalorização da moeda japonesa frente ao dólar

Em uma medida considerada incomum pelos mercados internacionais, os governos dos Estados Unidos e do Japão realizaram uma intervenção coordenada no mercado de câmbio para fortalecer o iene. A operação, confirmada nesta segunda-feira (3) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, representa a primeira atuação conjunta dos dois países nesse tipo de ação desde 2011 e a primeira compra de ienes pelo Tesouro americano em aproximadamente dez anos.

A iniciativa ocorre em um momento de forte pressão sobre a moeda japonesa, que vinha sendo negociada próxima de 160 ienes por dólar, o menor patamar em quase quatro décadas, refletindo a ampla diferença entre as taxas de juros praticadas pelos Estados Unidos e pelo Japão.

Segundo Trump, a compra de ienes teve como objetivo demonstrar apoio ao principal aliado asiático e enviar um “sinal de amizade” ao governo japonês diante da expressiva desvalorização da moeda.

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, também comentou a operação em publicação na rede social X. “Apoiamos fortemente as medidas decisivas do Japão no mercado cambial e na política monetária para corrigir a substancial desvalorização do iene”, afirmou.

A intervenção americana foi executada pelo Banco da Reserva Federal de Nova York (Federal Reserve Bank of New York), que atuou em nome do Tesouro dos EUA, vendendo euros e adquirindo ienes. De acordo com o jornal britânico Financial Times, as operações foram realizadas por meio de grandes instituições financeiras, entre elas Goldman Sachs e Morgan Stanley.

Um detalhe chamou a atenção durante uma reunião do gabinete do presidente Trump. Uma fotografia registrou um bloco de anotações utilizado por Scott Bessent com a indicação “Comprar ienes japoneses (JPY) – US$ 5 bilhões a US$ 10 bilhões”, sugerindo que o Tesouro americano estudava uma intervenção nessa faixa de recursos.

Do lado japonês, a atuação foi ainda mais robusta. Estimativas de analistas apontam que o governo do Japão injetou cerca de 8,45 trilhões de ienes — aproximadamente US$ 54 bilhões — para sustentar a moeda nacional e conter a volatilidade cambial.

A resposta dos mercados foi imediata. Após o anúncio da intervenção conjunta, o iene chegou a se valorizar para 155,21 unidades por dólar, registrando ganho superior a 4% em relação às mínimas recentes. Ao mesmo tempo, o dólar perdeu força frente a outras moedas relevantes no mercado internacional.

Apesar da reação positiva, especialistas avaliam que o efeito da intervenção tende a ser limitado caso não seja acompanhado por mudanças na política monetária japonesa. Segundo economistas, a manutenção de juros significativamente mais baixos no Japão em relação aos Estados Unidos continua sendo o principal fator por trás da desvalorização do iene nos últimos anos. Nesse cenário, novas elevações das taxas de juros pelo Banco do Japão podem ser decisivas para sustentar uma recuperação mais duradoura da moeda japonesa.

Da Redação – Soterpolis Noticias

Foto: Reprodução / Bank of Japan

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