Vice-presidente da Assembleia Legislativa da Bahia revisita origens no sertão, relembra perdas familiares e destaca conquistas sociais ao longo de sua trajetória política
A deputada estadual Fátima Nunes (PT), vice-presidente da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), celebrou seus 73 anos com homenagens dentro e fora do Parlamento. Em clima de emoção e gratidão, a parlamentar concedeu entrevista ao Soterópolis Notícias, na qual revisitou sua história de vida — da infância no interior baiano à consolidação como uma das vozes políticas do estado —, destacando os desafios enfrentados, as perdas familiares e a crença na transformação social por meio da organização popular.
“Gratidão profunda por chegar até aqui”
Em tom emocionado, Fátima Nunes iniciou a entrevista refletindo sobre o significado de completar mais um ano de vida.
Minha gratidão ao nosso bom Deus por chegar aos 73 anos. Eu lembrei ontem, na celebração, no lugar onde nasci, que tive dois irmãos que não tiveram a chance de viver. Então, celebrar essa idade é uma gratidão profunda, porque Deus me permitiu chegar até aqui.
A deputada recordou as dores da infância no sertão, em Paripiranga, especialmente no distrito de Conceição de Campinas, marcadas por perdas familiares e pelas dificuldades sociais da época.
Da dor à luta coletiva
A vivência em meio à desigualdade social foi decisiva para moldar sua atuação política. Professora, ex-comerciária e filha do sertão, Fátima destacou que a consciência social nasceu da realidade vivida.
Percebendo a desigualdade, a fome, a seca e a falta de oportunidades, a gente começou a entender que essas mazelas podiam ser transformadas com união e organização do povo.
Ela relembrou o início de sua militância, ainda nos anos 1970, durante os resquícios da ditadura militar, quando passou a atuar ao lado de lideranças religiosas e sociais.
A gente acreditava que, juntando forças, poderia eleger representantes comprometidos com o povo. E isso foi acontecendo.
Conquistas que mudaram o sertão
Ao olhar para o presente, a parlamentar destaca avanços concretos nas regiões onde cresceu, como acesso à água, educação e mobilidade.
Hoje, as comunidades onde nasci têm água encanada, cisternas, estradas. Nossos filhos e netos estão na universidade. Na minha família mesmo, temos várias pessoas formadas, doutoras. Isso mostra que não ficamos parados.
Para ela, essas conquistas são fruto da persistência coletiva.
Valeu a pena acreditar que era possível transformar. Caminhamos e conquistamos.
Raízes, memória e pertencimento
Durante as comemorações, Fátima retornou ao local onde nasceu, em uma fazenda no interior do município, e se emocionou com a recepção da comunidade.
O salão e a igreja estavam lotados. Foi uma celebração da vida, da luta e das conquistas. As pessoas têm orgulho dessa história construída juntos.
Ela também relembrou figuras marcantes de sua trajetória e a influência política da própria família.
Uma Bahia que mudou
Ao comparar o passado com o presente, a deputada foi enfática ao afirmar que o interior baiano vive uma nova realidade.
Há 20 anos, não tinha hospital, água, estrada, escola. Hoje, a Bahia é outra. O sertão é outro. Houve uma transformação real na vida das pessoas.
Aos 73 anos, Fátima Nunes celebra mais do que uma data: comemora uma trajetória marcada por resistência, fé e compromisso social. Sua história se entrelaça com a de milhares de baianos que viram, nas últimas décadas, mudanças significativas em suas condições de vida. Entre memórias que ainda ecoam dor e conquistas que simbolizam resistência, a parlamentar reafirma sua fé inabalável na força do povo e na política como instrumento legítimo de transformação social. É dessa travessia — marcada por luta, organização e esperança — que nasce o sentido de sua trajetória pública: uma caminhada que ultrapassa fronteiras e conecta realidades, do sertão ao litoral, como expressão viva de uma Bahia que aprendeu a se reinventar.
Editor: Itamar Ribeiro – Soteropolis Noticias
Foto: Divulgação/Ascom

