Vice-presidente da Assembleia Legislativa da Bahia destaca trajetória marcada pela educação, luta social e atuação em defesa dos trabalhadores rurais e da igualdade de gênero
A deputada estadual e vice-presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, Fátima Nunes (PT), compartilhou sua trajetória de vida e atuação política durante entrevista ao podcast “Notícia Boa é Aqui”. Com raízes no interior baiano, ela relembrou desafios pessoais, destacou sua militância em movimentos sociais e reforçou suas principais bandeiras: direitos dos trabalhadores rurais, acesso à água, educação pública e maior participação das mulheres na política.
Trajetória de vida e origens
Natural de Paripiranga, no interior da Bahia, Fátima Nunes construiu sua história a partir de uma realidade simples e marcada por desafios. Filha de trabalhadores, relembrou a coragem da mãe, que ainda jovem migrou para São Paulo em busca de melhores condições de vida.
A deputada contou que viveu na zona rural durante a infância e, desde cedo, demonstrou o desejo de estudar para transformar sua realidade. “Eu queria estudar para ter uma oportunidade de vida”, destacou. Sua formação como professora foi o ponto de partida para a atuação social, especialmente em comunidades carentes.
Entrada na política e atuação social
Antes de ingressar na vida parlamentar, Fátima esteve profundamente envolvida com movimentos da Igreja Católica, sindicatos e associações comunitárias. Esse engajamento foi fundamental para moldar sua atuação política.
Segundo ela, sua trajetória sempre esteve ligada à luta coletiva: “A gente fazia caridade, mas também fazia luta”. A atuação em movimentos sociais abriu caminho para sua eleição e consolidação na política baiana, onde atualmente cumpre o quinto mandato como deputada estadual.
Principais bandeiras do mandato
Ao longo da carreira, Fátima Nunes tem defendido pautas voltadas à população mais vulnerável, especialmente do campo. Entre as principais bandeiras, destacam-se:
- Direitos dos trabalhadores rurais: defesa da reforma agrária e melhores condições de vida no campo
- Acesso à água: incentivo a políticas como cisternas e abastecimento hídrico no semiárido
- Educação pública: valorização de professores e melhoria da infraestrutura escolar
- Segurança alimentar: combate à fome e fortalecimento da produção local
“A gente sempre trabalhou com a certeza de que, se o campo não planta, a cidade não janta”, afirmou.
Projetos e políticas públicas
Entre os projetos de maior impacto, a deputada destacou iniciativas voltadas à convivência com o semiárido, com foco no uso sustentável dos recursos naturais, além de políticas de segurança alimentar.
Ela também ressaltou a importância de programas como o acesso à água e energia elétrica no campo, embora tenha criticado dificuldades no fornecimento energético, especialmente após processos de privatização.
Desafios na política e protagonismo feminino
Fátima Nunes chamou atenção para o avanço da presença feminina na política baiana, destacando a eleição inédita de uma mulher para a presidência da Assembleia Legislativa após mais de um século de existência.
Mesmo assim, apontou que ainda há desafios culturais a serem superados. “O maior desafio é mudar a concepção de que o homem pode tudo e a mulher não”, afirmou.
Segundo ela, a luta não é apenas por espaço feminino, mas por uma política mais justa e representativa: “Nós não fazemos política só para mulheres, fazemos para toda a sociedade”.
Violência contra a mulher e papel da educação
A deputada também abordou o crescimento dos casos de violência contra a mulher, incluindo feminicídios. Para ela, o enfrentamento passa não apenas por punições mais rígidas, mas principalmente pela educação.
“Ninguém é dono de ninguém. É preciso ensinar desde cedo o respeito e o diálogo”, destacou.
Como mãe de dois filhos, ela defendeu o papel da juventude na transformação social e na construção de uma cultura mais igualitária.
Com uma trajetória marcada pela superação e pelo compromisso social, Fátima Nunes reafirma sua atuação política voltada à inclusão, justiça social e igualdade de gênero. Sua história reflete a conexão entre vivência pessoal e ação pública, consolidando sua presença como uma das vozes ativas na defesa das populações mais vulneráveis da Bahia.
Editor: Soteropolis Noticias
Foto: Rede Social

