Em manifestação ao TSE, senador pede medidas de transparência que envolvem familiares, assessores, empresas e integrantes do governo petista. Lula havia proposto a abertura de sigilos durante debate na Band.
Da Redação
O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, respondeu ao desafio feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a abertura de sigilos telefônicos, fiscais e bancários dos dois candidatos e de seus familiares. Em manifestação apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Flávio condicionou a autorização para acessar seus dados dos últimos 20 anos, além dos registros de empresas e familiares, ao cumprimento de uma série de exigências por parte do adversário.
Segundo informações dos colunistas Fernando Keller e Beatriz Oliveira, da Jovem Pan, o senador estabeleceu cinco grupos de medidas que, segundo ele, devem ser atendidas para que a proposta de transparência seja aplicada também ao seu caso. Flávio afirmou que apresentará as autorizações solicitadas após o cumprimento das condições ou que seja registrada no processo uma eventual recusa de Lula.
Cinco grupos de exigências
Entre os pedidos apresentados pelo senador estão:
- Sigilos de assessores e auxiliares: autorização para acesso a dados telefônicos e telemáticos de pessoas que atenderam ou mantiveram linhas utilizadas por Lula, além de informações bancárias e fiscais de determinados auxiliares.
- Empresas de familiares e Instituto Lula: abertura de sigilos de empresas ligadas aos filhos e familiares do presidente, de sociedades nacionais e no exterior, do Instituto Lula e de pessoas e entidades que teriam recebido recursos dessas organizações.
- Relações com o Banco Master: divulgação de registros de visitas do banqueiro Daniel Vorcaro à Polícia Federal e a palácios presidenciais, planos de voo, passageiros de aeronave ligada a ele e registros de uma reunião no Palácio do Planalto, realizada em 4 de dezembro de 2024. O documento também inclui pedidos relacionados aos sigilos do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto.
- Investigação sobre o INSS: acesso a dados bancários, fiscais, telefônicos e telemáticos de Roberta Luchsinger, de sua empresa RL Consultoria, de Edson Claro, de Frei Chico — irmão de Lula — e do sindicato SINDNAPI, além de registros de visitas e deslocamentos relacionados a órgãos públicos.
- Gastos e agendas do governo: divulgação de despesas do cartão corporativo da Presidência desde janeiro de 2023, da agenda da primeira-dama anterior a fevereiro de 2025, de visitas dos filhos do presidente ao Palácio da Alvorada e de informações sobre o uso de helicópteros da Força Aérea Brasileira (FAB).
Os pedidos apresentados por Flávio envolvem diferentes pessoas, empresas e órgãos públicos. A inclusão desses nomes e entidades no documento não significa, por si só, comprovação de irregularidades.
Proposta de Lula começou no debate da Band
A iniciativa teve origem no debate presidencial promovido pela Band, no domingo (18), quando Lula afirmou que autorizaria a abertura de seus sigilos e dos registros de familiares caso Flávio fizesse o mesmo.
Na documentação mencionada, o presidente incluiu seis familiares: a primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, e os filhos Lurian Cordeiro Lula da Silva, Marcos Cláudio Lula da Silva, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, Sandro Luís Lula da Silva e Luís Cláudio Lula da Silva.
O desafio também abrange empresas nas quais os candidatos sejam sócios, administradores ou responsáveis financeiros, conforme os critérios apresentados no documento.
No caso de Lula, a manifestação menciona a empresa L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações Ltda., da qual ele é apontado como sócio não administrador.
Empresas ligadas a Flávio também entram na discussão
A relação apresentada no material inclui cinco empresas ou estruturas empresariais associadas ao senador: Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia, All In One Corretora de Seguros Ltda., Bravo Grafeno Tecnologia e Inovação Ltda., Bolsonaro Digital Ltda. e Alcazar Holdings, registrada na Ilha da Madeira, em Portugal.
Sobre a Alcazar Holdings, o documento menciona uma possível relação societária com Willer Tomaz e afirma que Flávio figuraria como “usuário master” de uma conta bancária, segundo informações atribuídas a apurações da Polícia Federal divulgadas pela imprensa.
A proposta de abertura de sigilos, portanto, passou a envolver não apenas os dois candidatos, mas também familiares, assessores, empresas e registros relacionados a diferentes episódios políticos e financeiros.
Disputa por transparência na reta final eleitoral
A troca de iniciativas ocorre na reta final da campanha para o segundo turno, marcado para domingo (25). Lula defende a abertura dos sigilos como forma de demonstrar transparência, enquanto Flávio condiciona sua autorização ao atendimento das exigências que apresentou à Justiça Eleitoral.
A efetiva abertura dos dados depende dos procedimentos legais aplicáveis e das autorizações pertinentes. As exigências apresentadas por uma das partes não constituem, por si só, comprovação das acusações ou de eventual responsabilidade dos envolvidos.
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