Celebrado em 3 de maio, o Dia Nacional do Taquígrafo destaca profissionais, que asseguram a fidelidade dos registros no parlamento e acompanham, a evolução tecnológica, sem perder a essência do texto
Responsáveis por registrar com precisão cada palavra dita nos plenários, tribunais e sessões legislativas, os taquígrafos exercem uma função silenciosa, porém essencial para a democracia. Celebrado em 3 de maio, o Dia Nacional do Taquígrafo reconhece esses profissionais, que transformam discursos em memória oficial, garantindo transparência, segurança jurídica e preservação histórica dos atos públicos.
Instituído durante o 1º Congresso Brasileiro de Taquigrafia, realizado em 1951, em São Paulo, o 3 de maio remete a um marco ainda mais antigo: foi nessa data, em 1823, que a taquigrafia parlamentar foi oficialmente adotada no Brasil, durante a primeira Assembleia Constituinte. Desde então, a prática — definida como a arte de escrever tão rápido quanto se fala — tornou-se indispensável ao funcionamento das instituições.
Na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), a data não passou despercebida. Nesta terça-feira (05/05), a coordenadora do Departamento de Taquigrafia, Marilanja Pereira, reuniu a equipe para celebrar o ofício e reforçar sua importância. Em entrevista ao Soterópolis Notícias, ela destacou o papel estratégico da profissão:
“Nós somos aqueles que registramos e guardamos tudo o que acontece neste parlamento, e damos fé pública para a transparência. Registramos a história política baiana”, afirmou.
Mesmo sendo uma prática milenar, a taquigrafia acompanha as transformações tecnológicas. Com o avanço da inteligência artificial e das ferramentas de transcrição automática, o trabalho ganhou novos aliados — mas não perdeu sua essência.
“Com essa tecnologia que temos hoje, a nossa profissão evoluiu. Trabalhamos com transcrição automática, mas continuamos sendo especialistas do texto”, explicou Marilanja. “A tecnologia é ferramenta, mas a função primordial continua sendo o domínio da linguagem e da precisão”.
Apesar de sua relevância, a profissão ainda enfrenta desafios de reconhecimento no Brasil. Segundo a coordenadora, em países como Inglaterra, China e Estados Unidos, a valorização é maior — e, em alguns casos, há até escassez de profissionais.
“Não é tão conhecida aqui, mas em outros países é bastante valorizada. Inclusive, há demanda crescente por taquígrafos”, destacou.
O aprendizado da taquigrafia exige disciplina e dedicação. Baseado no método de Nelson de Oliveira, o ensino envolve princípios de geometria e fonética, para representar sons de forma ágil e eficiente. Na Bahia, a formação é oferecida exclusivamente pela Escola do Legislativo da ALBA, com duração média de um ano e meio para atingir a velocidade necessária ao exercício profissional.
Atualmente, o departamento conta com 14 taquígrafos, número considerado insuficiente diante da demanda. O ritmo de trabalho é intenso e cronometrado: cada profissional permanece cerca de quatro minutos no plenário registrando falas em tempo real e, posteriormente, conta com cerca de 40 minutos para revisar e finalizar a transcrição, que ainda passa por assistentes e revisores antes da publicação oficial.
Em tempos de informação instantânea e excesso de dados, o taquígrafo se mantém como um símbolo de precisão, responsabilidade e compromisso com a verdade. Mais do que registrar palavras, esses profissionais eternizam decisões, debates e momentos que moldam a sociedade. Invisíveis para muitos, mas indispensáveis para todos, seguem escrevendo — com técnica e rigor — a história viva da democracia brasileira.

Editor: Soteropolis Noticias
Foto: Divulgação SN

