Deputado Radiovaldo Costa alerta para impacto nos combustíveis, inflação e reflexos diretos na Bahia
O acirramento do conflito envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel tem provocado forte tensão no cenário internacional, com consequências humanitárias e econômicas que já começam a repercutir no Brasil. O deputado estadual Radiovaldo Costa (PT) comentou, nesta terça-feira (4), os desdobramentos da guerra e destacou os impactos no mercado de petróleo e na economia baiana.
Segundo o parlamentar, o aspecto mais grave do conflito é a perda de vidas humanas. “O principal problema, e o de maior gravidade, são as vidas que estão sendo perdidas. É lamentável que o mundo presencie mais uma guerra, causando a morte de tantas pessoas”, afirmou.
Além da tragédia humanitária, Radiovaldo chamou atenção para os efeitos econômicos, especialmente por se tratar de uma região estratégica para o abastecimento energético mundial. O conflito atinge uma das áreas mais importantes para a produção e o escoamento de petróleo do planeta.
“Estamos falando da maior região produtora de petróleo do mundo. Pelo Estreito de Ormuz passam cerca de 20% de todo o petróleo mundial. Com a guerra, o que vimos nas últimas semanas foi um aumento expressivo no preço do barril, que já ultrapassou os 80 dólares. A última vez que isso ocorreu foi há mais de dois anos”, explicou.
Alta do petróleo e impacto nos combustíveis
De acordo com o deputado, o aumento superior a 20% no valor do barril deve impactar diretamente a economia mundial e, consequentemente, a brasileira. Na Bahia, os efeitos podem ser ainda mais intensos.
Radiovaldo destacou que a refinaria responsável pelo abastecimento do mercado interno baiano — atualmente operada pela empresa privada Acelen, após a privatização da antiga unidade da Petrobras — compra petróleo a preços internacionais. Assim, qualquer alta no mercado global tende a ser repassada ao consumidor final.
“O aumento do preço do barril vai impactar a economia brasileira e, muito mais, a economia baiana. Naturalmente, esse reajuste será transferido para o consumidor”, pontuou.
Questionado sobre possíveis reajustes, o parlamentar foi categórico: “Com certeza, gás de cozinha, diesel e gasolina — os três principais combustíveis consumidos pela população — serão impactados nos próximos dias, caso essa alta se mantenha”.
Ele observou ainda que a Petrobras, responsável pelo abastecimento de outras regiões do país, pode amortecer temporariamente os aumentos, retardando o repasse imediato. No entanto, na Bahia, a tendência é de reajustes mais rápidos devido à dinâmica do mercado local.
Efeito em cadeia: agronegócio e alimentos
O deputado também alertou para o chamado “efeito cascata” na economia. Segundo ele, toda a cadeia produtiva pode ser afetada, desde o agronegócio até a indústria e o comércio.
“O diesel é fundamental para o transporte de mercadorias. O gás de cozinha impacta diretamente quem produz alimentos. A gasolina influencia custos logísticos e produtivos. Se esses insumos aumentam, o preço final também sobe”, explicou.
Radiovaldo ressaltou que o agronegócio pode sofrer duplamente, tanto pelo aumento do combustível quanto pela dependência de fertilizantes importados, muitos deles oriundos de regiões afetadas por conflitos ou instabilidade geopolítica.
“Quem produz alimento vai pagar mais caro pelo gás e pelo diesel, e esse aumento será repassado ao consumidor. Isso pode gerar inflação e pressionar ainda mais o custo de vida da população”, afirmou.
Cenário de tensão e incerteza
Para o parlamentar, o momento é de cautela e preocupação. A continuidade do conflito tende a manter o petróleo em patamares elevados, ampliando a pressão sobre as economias emergentes.
“Vivemos um momento de muita tensão. Se o preço do barril continuar subindo no mercado internacional, a tendência é que os combustíveis sigam o mesmo caminho. E isso afeta diretamente a vida das pessoas”, concluiu.
Enquanto a comunidade internacional acompanha os desdobramentos diplomáticos e militares, o Brasil observa atentamente os reflexos econômicos, sobretudo no setor de energia, que exerce papel central na estabilidade de preços e no crescimento do país.
Editor – Soteropolis Noticias
Foto: DIvulgação/SN

