Veterano da política nacional, ex-governador e ex-ministro analisa chances de Jerônimo Rodrigues, aponta a força eleitoral do Nordeste e afirma que a Bahia foi decisiva — e continuará sendo — no destino do Planalto
Com a aproximação do calendário eleitoral, a leitura de quadros experientes da política nacional ganha ainda mais relevância. Em entrevista recente ao programa do Bocão News, apresentado por Zé Eduardo, o ex-governador, ex-ministro, ex-deputado federal e estadual Antonio Imbassahy (PSDB) fez uma análise direta, sem rodeios, sobre o cenário político da Bahia e do Brasil. As declarações, firmes e recheadas de números, rapidamente viralizaram nas redes sociais, especialmente nos Reels, ao apontarem que a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva depende, mais uma vez, do desempenho eleitoral em território baiano.
Ao comentar as chances do governador Jerônimo Rodrigues, Imbassahy ponderou que o julgamento definitivo caberá às urnas. “Muita gente acha que ele não tem o perfil de um bom administrador, mas isso só será efetivamente decidido agora, nessa eleição. Quem vai dar a sentença final é a população”, afirmou. Segundo ele, a lógica eleitoral na Bahia historicamente acompanha o cenário nacional, o que torna a disputa estadual ainda mais estratégica.
O tucano destacou que o Estado possui um comportamento político fortemente conectado à eleição presidencial. “A Bahia tem um histórico de eleger governador e senadores alinhados com o presidente eleito. Quando o presidente vence, ele arrasta”, observou, ao lembrar que Lula mantém forte influência no Nordeste, apesar de oscilações recentes em seus índices de aprovação.
Para sustentar sua análise, Imbassahy recorreu a dados do último pleito presidencial. Ele lembrou que Lula perdeu em São Paulo por cerca de 2,7 milhões de votos e no Rio de Janeiro por aproximadamente 1,2 milhão, enquanto, em Minas Gerais, houve praticamente um empate. “Somando essas perdas, chega-se a quase 3,9 milhões de votos no Sudeste”, explicou.
Na contramão desse cenário, a Bahia foi decisiva. “Na Bahia, Lula venceu com uma frente de 3,7 milhões de votos. Ou seja, o resultado baiano praticamente anulou o peso eleitoral dos três maiores colégios eleitorais do país”, cravou. Para Imbassahy, esse dado explica por que o Estado seguirá no centro das atenções do Partido dos Trabalhadores nas próximas eleições.
“São Paulo será observado para que Lula não perca de muito. Já a Bahia, para que ele ganhe de muito”, resumiu o ex-governador, reforçando que o desempenho no Estado pode ser, novamente, o fiel da balança na disputa presidencial.
A avaliação, feita com a autoridade de quem acumulou décadas de vida pública, reacende o debate sobre o papel estratégico da Bahia no xadrez político nacional — e confirma que, em tempos de eleição, ouvir os veteranos continua sendo um exercício indispensável para compreender o presente e antecipar o futuro.
Soteropolis Noticias
Foto: Câmara dos Deputados

