Imóveis municipais podem ter sido alvo de ”grileiro” através da troca de registro (área institucional por particular)

Uma medida absolutamente necessária foi adotada pela Prefeitura de Feira de Santana, nesta quarta, ao criar, por meio de portaria publicada no Diário Oficial Eletrônico, o Grupo Especial de Apuração Fundiária. O objetivo é apurar “possíveis irregularidades e responsabilidades” envolvendo a apropriação indevida, por terceiros, de áreas públicas municipais. O ato assinado pelo prefeito José Ronaldo prevê a investigação de registros cartorários, regularizações fundiárias e loteamentos, alem de eventuais participações de agentes públicos em possíveis falcatruas.

A criação desta equipe, a ser comandada pelo experiente secretário de Planejamento, Carlos Brito, é repercussão da Operação “Sinete”, desenvolvida por forças de segurança, que desarticulou esquema criminoso neste município através de grilagem de terras, falsificação de documentos, entre ouras fraudes, a partir de denúncia formal apresentada pelo Ministério Público Estadual.

Em conversa com o secretário, ele disse que  há interesse direto do Município no âmbito das investigações pelas autoridades. “Em princípio, faremos apuração interna mas também acompanharemos o trabalho dos órgãos de segurança e prestaremos a colaboração que for necessária. Afinal, tudo (relacionado com compra e venda de terras) passa pela Prefeitura”.

Uma das possibilidades, ele diz, é que tenha ocorrido troca de registro de área institucional (por particular) ou registro em duplicidade, arranjos que facilitam a comercialização irregular. “Vamos ficar atentos pra ver se existe área municipal, nos relatórios e levantamentos dos cartórios com os imóveis sob suspeição.  Se houver, vamos pedir adoção das providências”, afirma o presidente do Grupo Especial de Apuração Fundiária.

Com prazo de atuação de 180 dias, prorrogável por igual período mediante justificativa, o Grupo de Trabalho vai ser formado por representantes da PGM (Procuradoria Geral do Município), CGM (Controladoria Geral do Município), Secretaria de Administração, Secretaria de Planejamento, Secretaria de Desenvolvimento Urbano e da Secretaria da Fazenda, cada  órgão com um titular e um reserva. 

Uma das ações a ser executada é o levantamento e mapeamento de todas as áreas públicas municipais, com o cruzamento dos dados cadastrais, fiscais e registrais. O foco é identificar possíveis ampliações artificiais de área, retificações irregulares e registros suspeitos, bem como analisar processos administrativos de regularização fundiária. 

Poderá também requisitar documentos, convocar servidores para prestar esclarecimentos, solicitar apoio técnico de outros órgãos e requerer auditorias específicas. As informações vão ser solicitadas junto a cartórios, órgãos públicos e concessionárias. O grupo deverá  produzir relatórios técnicos, propor medidas administrativas e judiciais cabíveis, encaminhar achados ao Ministério Público e demais órgãos de controle.

Há, em Feira de Santana, muita especulação acerca da possível perda de áreas públicas, pelo Município. Entretanto, a Prefeitura jamais agiu com o rigor exigido para desvendar possíveis mistérios relacionados com o patrimonio imobiliário que pertence à sociedade. Esta é a grande oportunidade de chegar a uma conclusão, se tudo não passa de lenda ou se “debaixo deste angu tem carne”. Em seis meses, caso a comissão realmente esteja dedicada ao trabalho, já teremos uma ideia. (Valdomiro Silva/Tribuna Feirense).

Foto: ACM/Secom PMFS

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