Rearranjo atinge quase um terço da Casa, fortalece partidos emergentes e antecipa disputa de 2026
A poucos meses do início efetivo da corrida eleitoral de 2026, o fim da janela partidária, encerrada na última sexta-feira da Paixão (3), provocou uma das mais expressivas reconfigurações recentes na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA). Ao todo, 20 dos 63 deputados estaduais mudaram de partido, redesenhando o equilíbrio interno da Casa e sinalizando novas estratégias políticas.
O volume de trocas representa cerca de 31,7% do total de parlamentares, índice elevado que evidencia não apenas movimentações pontuais, mas uma reorganização estrutural das bancadas. Na prática, os partidos reposicionam suas forças de olho no desempenho eleitoral, acesso a recursos e tempo de propaganda.
Com o novo desenho, legendas como Avante e PV emergem fortalecidas, enquanto siglas tradicionais perderam espaço. O PSD e o PT, por sua vez, mantiveram protagonismo, preservando suas bancadas e consolidando posição no topo do ranking.
A configuração divulgada neste sábado (4) ainda não considera o retorno de deputados licenciados que deixaram cargos no primeiro escalão do governo Jerônimo Rodrigues (PT). Entre eles estão Jusmari Oliveira (PSD), Osni Cardoso (PT), Neusa Cadore (PT) e Angelo Almeida, que recentemente migrou para o PT. A volta desses nomes pode provocar novos ajustes no cenário.
Avanços e perdas marcam nova correlação de forças
O principal destaque da janela partidária foi o crescimento do Avante, que protagonizou a maior expansão entre as legendas. O partido saltou de um para seis deputados, após atrair nomes como Felipe Duarte, Laerte do Vando, Luciano Araújo, Soane Galvão e Vitor Azevedo, além de já contar com Patrick Lopes.
O PV também saiu fortalecido no processo. A legenda ampliou sua bancada de três para cinco parlamentares, impulsionada pelas filiações de Antonio Henrique Júnior, Eduardo Salles e Fabíola Mansur. Apesar da saída de Ludmila Fiscina, o saldo foi positivo.
Na contramão, o Progressistas (PP) registrou uma das maiores perdas. O partido caiu de seis para quatro deputados, após baixas relevantes. Mesmo com novas adesões, o resultado final evidenciou perda de força no Legislativo.
O União Brasil seguiu a mesma tendência de retração. A sigla reduziu sua bancada de dez para oito parlamentares, impactando diretamente sua capacidade de articulação dentro da Casa.
Já o PSD manteve estabilidade e segue como uma das maiores forças da AL-BA, com dez deputados. O partido compensou perdas pontuais com novas filiações, preservando seu peso político.
O PL ampliou presença e passou de três para cinco deputados, consolidando crescimento estratégico. O movimento reforça o projeto da legenda de ampliar protagonismo nas eleições de 2026.
Por outro lado, PT, PCdoB e PSOL optaram por manter suas estruturas intactas. A preservação das bancadas indica coesão interna e alinhamento político em meio ao cenário de intensas mudanças.
Estratégia eleitoral e articulações de bastidores
As mudanças registradas na AL-BA seguem uma lógica nacional. A janela partidária funciona como um período estratégico para reposicionamento político, permitindo que parlamentares escolham partidos mais competitivos para disputar eleições.
Além do cálculo eleitoral, pesam fatores como alianças regionais, acordos com lideranças e a montagem de chapas majoritárias. Nesse contexto, a troca de legenda vai além da afinidade ideológica e envolve diretamente a viabilidade eleitoral.
O que se observa na Bahia é um movimento que antecipa cenários e projeta possíveis alianças, tanto no âmbito estadual quanto nacional.
Impacto direto no funcionamento da Assembleia
A nova configuração das bancadas deve influenciar o dia a dia da Assembleia Legislativa. Partidos maiores passam a ter mais força nas negociações e maior protagonismo em votações estratégicas.
Enquanto isso, siglas com menor representação tendem a buscar alianças e formação de blocos para manter relevância política e espaço nas decisões da Casa.
O redesenho também impacta a distribuição de cargos internos, como presidências de comissões e lideranças partidárias.
Entenda a janela partidária
Prevista na legislação eleitoral brasileira, a janela partidária permite que deputados troquem de partido sem risco de perder o mandato por infidelidade partidária.
Fora desse período, a mudança pode resultar na perda da cadeira, já que o mandato é considerado pertencente ao partido.
Realizada sempre no último ano antes das eleições, a janela concentra intensas negociações. É nesse momento que parlamentares reavaliam estratégias, buscam melhores condições de disputa e se alinham a projetos políticos mais viáveis.
Ranking das bancadas após a janela partidária na AL-BA
Com as mudanças consolidadas, a nova composição da Assembleia ficou assim:
1º lugar (empatados):
PSD – 10 deputados
PT – 10 deputados
2º lugar:
União Brasil – 8 deputados
3º lugar:
Avante – 6 deputados
4º lugar (empatados):
PV – 5 deputados
PL – 5 deputados
5º lugar (empatados):
PP – 4 deputados
PCdoB – 4 deputados
6º lugar (empatados):
Republicanos – 3 deputados
PDT – 3 deputados
7º lugar (empatados):
MDB – 2 deputados
PSDB – 2 deputados
PSB – 2 deputados
8º lugar (empatados):
PSOL – 1 deputado
Patriota – 1 deputado
Novo cenário projeta disputa acirrada
Com o fim da janela partidária, a AL-BA entra em uma nova fase política. Mais do que simples trocas de legenda, o movimento revela estratégias bem definidas, antecipa disputas e redefine o equilíbrio de forças que deve marcar os próximos anos na política baiana.
Da Redação – Soteropolis Noticias
Foto: Divulgação/Alba

