Governador citou investigação durante comício em Alagoinhas; candidato do União Brasil nega envolvimento e afirma que divulgação do caso tenta interferir nas eleições
Por Redação
O governador e candidato à reeleição Jerônimo Rodrigues (PT) voltou a cobrar explicações de ACM Neto (União Brasil) após a divulgação de um relatório sigiloso da Polícia Federal (PF) que atribui ao ex-prefeito de Salvador papel de liderança em uma organização criminosa investigada na Operação Overclean. O assunto foi abordado pelo governador durante um comício em Alagoinhas, na noite de quarta-feira (30).
Jerônimo mencionou a repercussão do caso na imprensa nacional e afirmou que ACM Neto deveria se manifestar sobre o conteúdo do documento.
A CNN tornou a mostrar que tem possibilidade de ele [ACM Neto] estar em organização criminosa juntando pessoas a tomar dinheiro público” afirmou o governador.
O que diz o relatório da PF
Segundo reportagem da CNN Brasil, o documento foi produzido no âmbito das investigações da Operação Overclean e aponta ACM Neto como liderança de uma organização investigada por suposto direcionamento de licitações e fraudes em contratos públicos em Belo Horizonte (MG).
O relatório cita contratos relacionados à Secretaria Municipal de Educação da capital mineira e estima que o esquema investigado tenha movimentado cerca de R$ 1,4 bilhão.
A PF afirma ainda que ACM Neto e o empresário José Marcos Moura, conhecido como “Rei do Lixo”, mantiveram 232 conversas entre agosto e dezembro de 2024. Para os investigadores, os registros indicariam uma relação considerada intensa entre os dois.
A investigação também aponta que integrantes do grupo teriam ocupado posições estratégicas na administração municipal de Belo Horizonte para viabilizar contratações investigadas pela PF.
ACM Neto contesta acusações
Após a divulgação das informações, ACM Neto negou envolvimento nas irregularidades e classificou a divulgação do relatório como uma tentativa de interferência no processo eleitoral.
Em nota, a defesa política do candidato afirmou haver uma “tentativa de interferir no processo eleitoral com a criação e divulgação de factoides e insinuações mentirosas e falsas”. Neto também sustenta que não possui relação com os fatos investigados.
Pedido de buscas foi negado pelo STF
O caso já havia chegado ao Supremo Tribunal Federal (STF). Em setembro, o ministro Kassio Nunes Marques negou um pedido da Polícia Federal para realizar buscas contra ACM Neto.
A decisão contrariou manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR), que havia concordado com as medidas solicitadas pela PF. Segundo a CNN, Nunes Marques considerou que os elementos apresentados naquele momento não eram suficientes para autorizar as medidas contra o candidato.
A decisão, portanto, não equivale a uma conclusão sobre a responsabilidade de ACM Neto nas suspeitas investigadas. O caso permanece no âmbito da investigação.
A Operação Overclean apura suspeitas relacionadas a contratos públicos, licitações, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Em fases anteriores, a PF também investigou o empresário José Marcos Moura e outros envolvidos.
Fonte: CNN Brasil, com informações sobre declarações de Jerônimo Rodrigues e manifestações de ACM Neto.
Foto: Divulgação/Assessoria e Assessoria/ACM Neto

