Crime que chocou o país teve motivação ligada ao combate ao tráfico em comunidade quilombola na RMS
Em decisão proferida nesta terça-feira (13), no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador, o Tribunal do Júri condenou dois homens pelo assassinato da ialorixá e líder quilombola Maria Bernadete Pacífico Moreira, a Mãe Bernadete. O executor, Arielson da Conceição Santos, recebeu pena de 40 anos, 5 meses e 22 dias de prisão, enquanto o mandante, Marílio dos Santos, foi condenado a 29 anos e 9 meses.
Os réus foram considerados culpados por homicídio qualificado, com agravantes como motivo torpe, uso de meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima. A sentença manteve a prisão preventiva do executor e determinou a expedição de mandado de prisão contra o mandante, ainda não cumprido. O Ministério Público da Bahia destacou que o crime foi articulado e teve como motivação a atuação firme da líder religiosa contra a expansão do tráfico de drogas no Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho.
Durante o julgamento, promotores ressaltaram a consistência das investigações conduzidas pela Polícia Civil e pelo Gaeco. “Houve a realização de justiça de forma completa”, afirmou o promotor Raimundo Moinhos. Para Jurandir Pacífico, filho da vítima, o desfecho traz alívio após dias difíceis: “Foi doloroso, mas fica a sensação de que a justiça foi feita”.
Mãe Bernadete foi executada em 17 de agosto de 2023, dentro de sua residência, com dezenas de disparos, na presença de familiares. Segundo as investigações, sua morte está diretamente relacionada à resistência contra atividades criminosas na comunidade. Outros três acusados ainda aguardam julgamento.
Da Redação – Soteropolis Noticias
Foto: Arte sobre foto de Walisson Braga/Conaq

