Legislativo celebra os 70 anos da Cáritas Brasileira

A Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) celebrou, nesta sexta-feira (21), os 70 anos da Cáritas Brasileira, um organismo da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) que foi fundado em 12 de novembro de 1956. A sessão especial, realizada no Plenário Orlando Spínola, reuniu autoridades estaduais, representantes de delegações da Regional Nordeste, religiosos e dirigentes de movimentos sociais. Presente em mais de 170 países, a Cáritas é uma entidade que trabalha na defesa dos direitos humanos, oferece apoio a migrantes e refugiados, promove a economia popular solidária e luta pela criação de políticas públicas que beneficiam a população em vulnerabilidade social.
A proponente da homenagem, deputada Neusa Cadore (PT), salientou que a Cáritas é um patrimônio da sociedade brasileira, tendo atuação marcante em 13 regionais do país, agregando uma rede de 203 entidades parceiras e pastorais da Igreja Católica. “Celebrar os 70 anos da Cáritas Brasileira é reafirmar o compromisso com o futuro, porque desenvolvimento e liberdade só fazem sentido quando produz dignidade. Deixo aqui a minha gratidão a esta entidade por ter caminhado lado a lado com o nosso povo. Que os próximos anos nos encontrem juntas, defendendo a democracia, a justiça social e o cuidado com a causa comum”, declarou a parlamentar.

SOLIDARIEDADE

Representando o governador Jerônimo Rodrigues, o secretário estadual de Justiça e Direitos Humanos, Felipe Freitas, ressaltou que a Cáritas é uma organização sem fronteiras, que tem solidariedade e compromisso com os mais pobres. “A Assembleia Legislativa presta um grande serviço à Bahia ao reconhecer a importância desta entidade. Eu tive a alegria de, no início de minha vida profissional, ter sido funcionário da Cáritas, sendo beneficiado pelas políticas e ações desta organização”, confessou o titular da pasta da SJDH. A professora Tatiana Velloso, primeira-dama do estado, destacou que a instituição “promove dignidade, em especial para as pessoas que mais precisam de apoio social e políticas públicas”.
Foi uma sessão repleta de momentos de muita emoção. Integrante do Motumbaxé, Deivid Pereira declamou uma poesia, garantindo que a Cáritas faz a diferença em diferentes territórios onde trabalha: “Vocês não têm noção do bem que fazem para nossas comunidades”. A coordenadora do projeto, Roberjane Nascimento, mencionou a relevância do Programa Infância, Adolescência e Juventude (Piaj), com foco no fortalecimento de vínculos familiares e formação continuada de crianças e jovens. “É uma honra estar aqui para falar de vida, futuro, dignidade e direitos fundamentais. A proteção social necessita de corpo, endereço e afeto”, assegurou a ativista.
CARIDADE
Um vídeo institucional foi exibido, contando a história da instituição “que comemora sete décadas com um olhar voltado para o futuro”. Em mensagem gravada, o bispo de Aparecida (SP), dom Mário Antônio, presidente nacional da Cáritas Brasileira, defendeu a missão da entidade, ressaltando que “a caridade cristã consiste em se aproximar das pessoas, escutar, acolher e defender a dignidade humana”.
Delegações da Regional Nordeste III participaram Do encontro em Salvador. Adriano Leitão, da cidade de Crateús, no Ceará, pontuou que a Cáritas “possui trajetória de luta ao lado da população mais pobre, buscando realizar uma organização coletiva que amplie a consciência crítica e permita a construção de novas políticas públicas”. Dirigente da instituição em Natal, capital do Rio Grande do Norte, Maria Barbalho relatou “a importância da entidade na articulação que contribuiu para a criação e o fortalecimento da ASA, uma rede que reúne organizações e movimentos comprometidos com a convivência do semiárido brasileiro”. O teólogo Eusébio Conceição, líder quilombola do município baiano de Antônio Cardoso, fez questão de agradecer o apoio da Cáritas na Bahia, “reafirmando que a parceria começou há muitos anos e vai continuar, sempre com muita escuta e respeito de ambas as partes”.

De acordo com o bispo referencial dom Vicente Ferreira, em plena Casa do Povo, é preciso ter a coragem de dizer vários nãos diante do quadro atual em diversos cantos do Brasil. “Não ao Feminicídio, Não à Homofobia, Não ao Racismo, Não à Violência contra os povos originários. Que sejamos capazes de manter essa profecia do Reino de Deus: Cáritas, nunca se esqueça que seu nome é Amor”, expressou o religioso.
SERVIR
A última oradora do encontro foi a diretora-executiva nacional da Cáritas, Valquíria Lima. Ela falou sobre a missão da instituição, que é “servir com prioridade aos pobres, miseráveis, excluídos e marginalizados, promovendo a justiça social e a liberdade transformadora”. Valquíria agradeceu à deputada Neusa Cadore pela comemoração e disse estar muito feliz pelos depoimentos significativos proferidos na reunião. Ela lembrou de dom Helder Câmara, o bispo de Olinda criador da instituição, mas também de Santa Dulce dos Pobres. Pediu que o Anjo Bom da Bahia abençoe a missão da Cáritas, ao completar 70 anos de existência, e reproduziu o pensamento da bondosa freirinha, canonizada pelo Papa Francisco. “Quem tem mãos para servir, não tem tempo para fazer o mal. A nossa política é amar o próximo”, finalizou a diretora.

Prestigiaram a sessão especial o ex-deputado Marcelino Galo, atual superintendente de Assuntos Parlamentares da ALBA; a vereadora de Salvador, Marta Rodrigues (PT); o teólogo Marcelo Barros, assessor das Comunidades Eclesiais de Base; o bispo referencial do Maranhão, dom Evaldo Carvalho; a professora da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), Ludmila Cavalcante; e Gerinaldo da Silva Lima, secretário-executivo da Cáritas Bahia/Sergipe.

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