Presidente destacou que obras produzidas pelo selo ALBA Cultural trazem memórias da política e do jornalismo baiano
Em uma cerimônia muito concorrida, a Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) lançou, nesta quarta-feira (15), os livros “Um oposicionista na Política Baiana”, da professora Joandina Maria de Carvalho, e “Os comunistas estão chegando”, do jornalista, escritor e ex deputado, Emiliano José, obras que versam sobre a memória política e do jornalismo baiano produzidas pelo programa ALBA Cultural. No evento, realizado no saguão da ALBA e prestigiado por importantes profissionais do jornalismo baiano, o espaço de honra foi composto pela chefe do Legislativo, Ivana Bastos, a vice Fátima Nunes, o deputado Marcelino Galo, os ex-parlamentares Álvaro Gomes e Yulo Oiticica, e familiares de Paulo Jackson – sua viúva Suzana Nascimento, os filhos Daniel e André, e as irmãs Zenira, Zoráide, Zalvira e Idalina e o sobrinho Tiago.
Na cerimônia, a presidente da Casa ressaltou a importância da publicação das obras. Em relação a “Os Comunistas Estão Chegando”, de Emiliano José, ela disse que “uma narrativa de vários autores, de vários jornalistas, na época do comunismo, escrita por um ex-deputado, jornalista de excelência”. Já sobre o livro escrito por Joandina sobre a história de Paulo Jackson, a presidente afirmou que “merece toda a nossa referência”.
Ela lembrou que, no início da sua carreira política, as pessoas das comunidades que visitava já falavam de Paulo Jackson, seu conterrâneo. “Porque eu também sou filha de Caetité. Então, para mim é uma satisfação muito grande, na nossa gestão, poder editar esses dois livros”, disse.
ELOGIOS
Ivana elogiou a equipe do ALBA Cultural, capitaneado pelo jornalista Paulo Bina, “que tem brilhado com essa edição, que é o grande incentivador, quem nos convence, e a gente só agradece quando olha para o resultado final”, afirmou, manifestando o desejo de lançar mais grandes obras literárias e de expandir o projeto para o interior, levando as produções para bibliotecas dos municípios baianos.
Primeiro a falar no evento, Emiliano José ressaltou a importância do momento, em lembrança de Paulo Jackson, “desses homens que marcaram a existência por posições de muita coragem, de amor, de desassombro e posições de profunda dedicação ao nosso povo”, disse, solicitando um minuto de silêncio em sua memória. Também agradeceu à Ivana Bastos, por levar à frente o programa ALBA Cultural, “um projeto de fortalecimento da ideia de que o livro é absolutamente essencial à vida em civilização”.
Sobre seu livro, escrito a partir de textos publicados nas redes sociais, Emiliano ressaltou que o seu título, embora aparentemente provocativo, não tinha o objetivo de assustar. Em suas páginas, ele conta que, na época da ditadura, um agente secreto do SNI, infiltrado nos jornais Tribuna e Jornal da Bahia, que vigiava os passos dos jornalistas, sobretudo os comunistas, a exemplo de Tibério Canuto, Oldack Miranda e Antônio Jorge Moura. “E nós só estávamos fazendo jornalismo, não estávamos querendo derrubar o mundo, nem tomar os jornais como o agente do SNI dizia, a gente estava ali ganhando a vida”, garantiu.
Em “Os comunistas estão chegando”, seu autor conta a trajetória de 18 jornalistas baianos que conviveram com ele, a exemplo de Jadson Oliveira, Alex Ferraz, José Barreto de Jesus, José Carlos Menezes, Oldack Miranda, Mirtes Alcântara e José Sérgio Gabrielli. “Pouca gente sabe que ele (Gabrielli) foi jornalista perseguido brutalmente pelas forças de repressão, que teve que deixar a profissão para se tornar um grande acadêmico e depois se tornar presidente da Petrobras”, relatou.
PAULO JACKSON
Em sua terceira edição, o livro “Um oposicionista na Política Baiana” compila relatos e entrevistas que mostram a atuação política do ex-deputado Paulo Jackson, um dos pioneiros na fundação do PT baiano. Na publicação, depoimentos de familiares, sindicalistas, parlamentares e militantes viabilizam o entendimento do contexto da época e as lutas do engenheiro-sindicalista contra o carlismo, especialmente no ambiente partidário e nas disputas políticas dos anos 1990.
A obra, dividida em quatro capítulos — “A Bahia após o regime militar”, “Paulo Jackson – a morte e a construção da memória política”, “Família, memória e política” e “O parlamentar Paulo Jackson” – conta com o prefácio da presidente da ALBA, no qual ela salienta a atuação do ex-deputado petista como referência de compromisso, decência e competência na política estadual.
No ato de lançamento, Joandina Maria de Carvalho, destacou a responsabilidade de levar adiante as mensagens, as bandeiras, as lutas de Paulo Jackson. A escritora fez um paralelo entre o ex-deputado petista e o comunista Luiz Carlos Prestes, como engenheiros que entraram para a política e grandes conhecedores das regiões e do povo brasileiro. “A gente se sentia contemplado naquela luta de Paulo Jackson, um parlamentar excepcional que dava conta do trabalho aqui na Assembleia, nas comissões, que ocupava a tribuna, que mandava seu recado e que enfrentava as forças do carlismo. Então, isso hoje é motivo de recorrermos à memória para dizer que a luta continua e que Paulo Jackson vai ser sempre uma referência, um exemplo”, disse, agradecendo a Assembleia Legislativa pela publicação do livro e à família do protagonista do livro pelo acolhimento e apoio à iniciativa.
ALBA CULTURAL
Instituído no final do século passado, na presidência do então deputado Antônio Honorato, o programa ALBA Cultural teve significativa ampliação nas gestões que se seguiram, quando foram firmados convênios e parcerias com entidades relevantes da vida cultural do Estado, como a Academia de Letras da Bahia, o Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, a Universidade Federal da Bahia e a Associação Comercial da Bahia. A qualidade das obras trazidas ao conhecimento das novas gerações, pela iniciativa do Legislativo, elevou o programa ALBA Cultural ao patamar de um instrumento de cultura, suplantando o seu escopo anterior, que era o de ferramenta de marketing cultural da Assembleia, além de aproximar, ainda mais, a Casa do Povo de instituições fundamentais para a cultura e memória da Bahia. (Agencia Alba).
Reportagem: Rita Tavares
Edição: Franciel Cruz
Foto: AscomALBA/AgênciaALBA

