Lula defende respeito à soberania dos países em discurso no G7 e critica unilateralismo nas relações internacionais

Presidente brasileiro também alertou para o avanço do crime organizado transnacional, cobrou mais cooperação internacional e defendeu ampliação dos recursos para o combate às mudanças climáticas

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, defendeu nesta terça-feira (16) o respeito à soberania dos Estados no enfrentamento ao crime organizado internacional. A declaração foi feita durante sua participação na cúpula do G7, realizada na cidade francesa de Évian-les-Bains, a convite do presidente da França, Emmanuel Macron.

Ao abordar os desafios da segurança global, Lula afirmou que o combate aos crimes transnacionais deve estar associado às políticas de desenvolvimento e ocorrer dentro dos limites estabelecidos pelo direito internacional. Sem mencionar diretamente os Estados Unidos, a fala foi interpretada por analistas políticos como uma referência à recente decisão do governo norte-americano de classificar as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

Durante o discurso, o presidente destacou que o crime organizado afeta diretamente a população ao desviar recursos públicos que poderiam ser investidos em áreas essenciais como educação, saúde e infraestrutura. Segundo ele, o enfrentamento dessas organizações exige cooperação entre os países, mas sempre respeitando a autonomia e a soberania das nações.

Lula também argumentou que o combate ao narcotráfico não pode ocorrer de forma isolada, devendo incluir ações contra crimes relacionados, como lavagem de dinheiro e tráfico internacional de armas. Nesse contexto, defendeu o fortalecimento dos mecanismos de cooperação institucional e o intercâmbio de informações entre países, inclusive por meio da Interpol.

A participação do presidente brasileiro ocorreu diante dos principais líderes das economias mais desenvolvidas do mundo, incluindo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Críticas ao protecionismo e ao neoliberalismo

Em outro trecho de sua fala, Lula criticou o avanço de políticas protecionistas e unilateralistas no cenário internacional. Segundo ele, essas práticas não oferecem respostas efetivas aos desafios globais e contribuem para ampliar as desigualdades entre países ricos e em desenvolvimento.

O presidente afirmou que a distância entre a prosperidade das economias avançadas e a realidade enfrentada por bilhões de pessoas nos países do Sul Global continua crescendo, cenário que atribuiu, em parte, à concentração de riqueza observada nas últimas décadas.

Lula também associou o modelo neoliberal ao agravamento das desigualdades econômicas e às crises políticas enfrentadas por diversas democracias ao redor do mundo, defendendo uma agenda internacional voltada para a inclusão social, o desenvolvimento sustentável e a redução das disparidades econômicas.

Financiamento climático

Durante sua participação na cúpula, o presidente brasileiro voltou a defender o fortalecimento dos compromissos ambientais assumidos pela comunidade internacional. Lula alertou para a insuficiência dos recursos atualmente destinados às ações de combate às mudanças climáticas e afirmou que o financiamento climático global precisa alcançar pelo menos US$ 1,3 trilhão por ano para acelerar a implementação das metas previstas no Acordo de Paris.

Segundo o chefe do Executivo brasileiro, ampliar os investimentos em sustentabilidade e adaptação climática será fundamental para garantir um desenvolvimento mais equilibrado e enfrentar os impactos ambientais que afetam especialmente as populações mais vulneráveis em diversas regiões do planeta.

Da Redação – Soteropolis Noticias

Foto: Ricardo Stuckert / PR

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