Presidente brasileiro defendeu a reforma do sistema internacional, criticou a escalada de conflitos e encerrou a fala mencionando as eleições de outubro
Da Redação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez nesta terça-feira (22) um discurso de forte conteúdo político durante a abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York.
Segundo informações da Jovem Pan, Lula abordou conflitos internacionais, a situação de Gaza, a guerra entre Rússia e Ucrânia, relações comerciais, mudanças climáticas, inteligência artificial, crime organizado e democracia. Ao tratar do Brasil, afirmou que o país não se submete à influência de outras nações e defendeu maior autonomia nas relações internacionais.
Críticas ao sistema internacional
Logo no início do pronunciamento, Lula afirmou que a ONU atravessa uma crise de credibilidade diante da dificuldade de atuar na prevenção e solução de conflitos armados.
O presidente criticou especialmente o funcionamento do Conselho de Segurança da ONU e o poder de veto dos seus integrantes permanentes. Para Lula, o atual modelo contribui para o que classificou como uma crise de liderança mundial.
Gaza e conflito no Oriente Médio
Ao abordar a guerra entre israelenses e palestinos, Lula defendeu uma solução política baseada na convivência entre dois Estados.
O presidente classificou como “genocídio” a atuação do governo de Benjamin Netanyahu em Gaza, ao mesmo tempo em que condenou os ataques terroristas praticados pelo Hamas e citou as vítimas israelenses do conflito.
Lula também criticou as pressões contra o Tribunal Penal Internacional (TPI) e defendeu a atuação da relatora especial da ONU, Francesca Albanese.
Ucrânia e Estreito de Ormuz
A guerra entre Rússia e Ucrânia também esteve entre os temas abordados. Lula voltou a defender uma solução negociada e afirmou que a diplomacia deve ser o caminho para encerrar o conflito.
O presidente também mencionou o Estreito de Ormuz, importante rota internacional para o transporte de petróleo, relacionando a instabilidade na região ao aumento dos preços de combustíveis, fertilizantes e alimentos.
“O Brasil não cabe no quintal de ninguém”
Um dos momentos de maior destaque do discurso ocorreu quando Lula tratou da posição brasileira diante das grandes potências.
Sem citar diretamente os Estados Unidos naquele trecho, o presidente defendeu a autonomia brasileira e afirmou que diferenças ideológicas não devem impedir a aproximação entre os países da América Latina e do Caribe.
“O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, declarou Lula.
O presidente também falou sobre Venezuela, Nicarágua, Haiti e Cuba, defendendo a autodeterminação dos povos e criticando interferências externas em processos políticos.
Segurança e combate ao crime organizado
Na área de segurança, Lula afirmou que o Brasil deve assumir a responsabilidade pela proteção de suas fronteiras e defendeu cooperação internacional para combater o fluxo de armas e recursos financeiros destinados às organizações criminosas.
O presidente citou iniciativas brasileiras na área de segurança e relacionou o enfrentamento ao crime organizado ao combate à corrupção.
Tarifas e economia
Lula também criticou o uso de tarifas comerciais como instrumento de pressão entre países.
Na avaliação apresentada pelo presidente, o sistema multilateral de comércio atravessa dificuldades e precisa ser fortalecido. Ele também destacou o desempenho das exportações brasileiras e a entrada de investimentos estrangeiros no país.
Clima e petróleo
A agenda ambiental ocupou parte importante do pronunciamento.
Lula defendeu o combate às mudanças climáticas, citou a redução do desmatamento na Amazônia e destacou o Fundo Florestas Tropicais para Sempre.
Ao mesmo tempo, afirmou que o Brasil continuará pesquisando novas reservas de petróleo, incluindo a Margem Equatorial, mas declarou que o país não abrirá mão da agenda ambiental.
Minerais estratégicos e tecnologia
Outro tema abordado foi a exploração de minerais críticos e terras raras. Lula afirmou que as riquezas naturais brasileiras devem atender aos interesses nacionais e defendeu transferência de tecnologia e geração de valor dentro do país.
Na área tecnológica, o presidente defendeu maior regulamentação das grandes plataformas digitais e da inteligência artificial. Também falou sobre proteção de crianças, adolescentes e mulheres no ambiente digital.
As apostas eletrônicas e o Pix também entraram no discurso. Lula criticou o modelo de negócios das bets e defendeu a manutenção do Pix como infraestrutura pública de pagamentos.
Escala 6×1 e direitos sociais
Na parte social, Lula voltou a defender o fim da escala de trabalho 6×1, argumentando que os trabalhadores devem ter mais tempo para descanso, qualificação profissional e convivência familiar.
O presidente também falou sobre desigualdade, educação, saúde, direitos das mulheres e combate à violência de gênero.
Eleições de 4 de outubro
No encerramento do discurso, Lula direcionou a fala para as eleições brasileiras de 4 de outubro.
O presidente afirmou que os eleitores escolherão não apenas presidente, governadores e parlamentares, mas também os rumos políticos do país. Também defendeu a segurança do sistema eleitoral brasileiro e criticou o que chamou de desinformação e influência de interesses estrangeiros na campanha.
Lula terminou o pronunciamento reafirmando a defesa da soberania brasileira e da democracia.
Foto: Reprodução/Redes Sociais/Jovem Pan.

