Petista obteve 64,2 milhões de votos e venceu por uma diferença de 4,4 milhões; análise do resultado aponta o peso da transferência de votos, da mobilização eleitoral e da participação dos eleitores
Por Itamar Ribeiro*
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente da República no domingo, 25 de outubro de 2026, ao derrotar Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições. Com 100% das urnas apuradas, segundo a totalização concluída às 23h26, Lula recebeu 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos. Flávio obteve 59.826.041 votos, ou 48,21%.
A diferença entre os dois candidatos foi de 4.430.191 votos. O resultado confirmou uma mudança em relação ao primeiro turno, realizado em 4 de outubro, quando Flávio terminou na liderança, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula.
Resultado final das urnas
A totalização do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrou 124.082.273 votos válidos, correspondentes a 96,76% do total de votos computados. Os votos brancos somaram 1.430.496, enquanto os nulos chegaram a 2.723.305.
O comparecimento foi de 128.236.074 eleitores, equivalente a 80,78% do eleitorado apto. A abstenção alcançou 30.509.005 pessoas, ou 19,22%.
Abstenção, votos brancos e nulos explicam a derrota?
Os números de participação eleitoral são importantes para compreender o resultado, mas não permitem concluir, isoladamente, que a abstenção ou os votos brancos e nulos determinaram a derrota de Flávio Bolsonaro.
A abstenção ficou abaixo do índice registrado no primeiro turno, quando chegou a 21,08%, segundo o balanço divulgado pelo TSE. Isso significa que a proporção de eleitores que deixaram de comparecer diminuiu entre as duas etapas da eleição. Ainda assim, o dado nacional não revela a preferência política de quem não votou nem permite identificar qual candidato teria sido beneficiado por uma participação maior.
Os votos brancos e nulos, somados, totalizaram 4.153.801. Embora representem um contingente expressivo, esses votos não entram no cálculo dos votos válidos que define o vencedor. Também não podem ser atribuídos a qualquer dos candidatos, pois não indicam, por si só, uma preferência por Lula ou Flávio.
Onde Flávio Bolsonaro perdeu a vantagem?
A comparação entre os resultados dos dois turnos oferece uma pista relevante. No primeiro turno, Flávio recebeu aproximadamente 56,1 milhões de votos, enquanto Lula obteve cerca de 53,9 milhões. Na votação final, o candidato do PL chegou a quase 59,8 milhões, e o petista ultrapassou 64,2 milhões.
Isso significa que Flávio também ampliou sua votação, mas Lula registrou um crescimento maior. Portanto, a derrota do candidato do PL não pode ser explicada simplesmente por uma perda absoluta de votos entre as duas etapas. O dado central é a diferença no crescimento da votação dos dois concorrentes.
Alguns fatores merecem investigação para compreender essa mudança:
- Transferência de votos: os eleitores que escolheram candidatos eliminados no primeiro turno precisaram decidir entre Lula, Flávio, voto branco, nulo ou abstenção. A forma como esses eleitores se distribuíram pode ter sido determinante.
- Mobilização eleitoral: as campanhas precisaram conquistar indecisos e estimular o comparecimento. O crescimento maior da votação de Lula indica que ele terminou a disputa com mais votos adicionais, mas não identifica, por si só, quais estratégias produziram esse resultado.
- Rejeição aos candidatos: a decisão de votar em um candidato pode estar relacionada tanto à identificação com suas propostas quanto à rejeição ao adversário. Para medir esse efeito, seria necessário recorrer a pesquisas de opinião e estudos sobre o comportamento eleitoral.
- Diferenças regionais: os resultados por estado e município podem revelar onde cada candidato ampliou ou reduziu sua vantagem. Uma avaliação mais completa deve comparar esses dados com o desempenho do primeiro turno e os índices locais de participação.
Esses elementos são hipóteses de análise, não conclusões definitivas sobre as causas da derrota. Para estabelecer o peso de cada fator, é necessário cruzar a apuração com pesquisas de transferência de votos, levantamentos de opinião e dados territoriais.
O que os números revelam sobre o segundo turno
A vitória de Lula por 51,79% a 48,21% mostra que a liderança no primeiro turno não assegurou a Flávio Bolsonaro a vitória final. A eleição terminou com uma diferença de 3,58 pontos percentuais entre os candidatos, depois de uma disputa marcada pela polarização política.
A principal questão para a análise eleitoral é entender por que Lula conseguiu ampliar sua votação em ritmo superior ao de Flávio no segundo turno. A abstenção, os votos brancos e nulos fazem parte desse quadro, mas não bastam para responder à pergunta.
O dado mais objetivo é que Flávio ampliou sua votação, mas Lula cresceu mais e conquistou a maioria dos votos válidos. A explicação política para essa diferença dependerá de uma análise mais detalhada da transferência de votos, da mobilização dos eleitores e das preferências manifestadas nas diferentes regiões do país.
Itamar Ribeiro* – Jornalista
Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil
