Em vídeo nas redes sociais, ex-presidente da ALBA revive alianças, traições e expõe bastidores que, segundo ele, revelam o “verdadeiro jogo” da política baiana
Pré-candidato ao Senado Federal, o ex-deputado federal e ex-presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, Marcelo Nilo (Republicanos), como diz o ditado popular, “gastando a sola do tênis” pelo interior do estado, especialmente pelo sertão castigado pela seca e pelo solo rachado visitando suas bases eleitorais. Em suas caminhadas e encontros com eleitores, Nilo afirma que carrega consigo não apenas o presente da política, mas também uma memória viva do passado. Em mais um vídeo divulgado nas redes sociais, ele contou que foi abordado por três pessoas durante uma dessas caminhadas, que lhe perguntaram por que o senador Otto Alencar teria agido contra Angelo Coronel. A resposta, segundo Nilo, foi direta e carregada de ressentimento: “Eu sempre tive a virtude da gratidão, do reconhecimento e de ser verdadeiro. Otto Alencar eu conheço desde 1970, quando ele jogava bola no Central, e desde 1986, quando foi candidato a deputado estadual. Conheço há muitos anos”.
A partir daí, o ex-parlamentar passou a relembrar episódios que, em sua visão, expõem um padrão de comportamento do senador. “Quem não lembra o que ele fez comigo? Se você quiser, eu cito 30 exemplos, mas vou citar um”, afirmou, “eu era presidente da Assembleia Legislativa, fui ao Tribunal falar com ele, e ele comentou que alguns deputados estavam articulando uma CPI para desmoralizá-lo. Eu disse a ele em alto e bom som: você não vai sentar na cadeira, desde que não tenha feito nenhuma falcatrua na EBAL, e ele não fez; e eu não deixei ele sentar”, relatou, insinuando que agiu para barrar uma ofensiva política contra Otto.
Nilo também acusou Otto Alencar de ter usado aliados para atender a interesses pessoais e familiares. Segundo ele, o senador abandonou antigos parceiros quando precisou dos votos para eleger o filho. “O que ele fez com Zé Carlos Araújo? Arranjou uma briga, tomou os votos e o Zé Carlos foi derrotado. E agora o que está fazendo com o Angelo Coronel? Arranjou uma briga porque Coronel não nasceu para ser vice, nasceu para ser senador”, disse. O ex-deputado ainda afirmou que, em uma reunião em Brasília, Otto teria condicionado apoio político à nomeação do filho para o Tribunal de Contas do Estado – TCE. “Isso é público e notório”, cravou, ao afirmar que Coronel teria sido deixado de lado em meio a essas negociações.
No desfecho do vídeo, Marcelo Nilo fez um ataque direto e sem rodeios ao senador. “Eu diria a você, de coração: Otto Alencar é um dos homens mais ingratos que eu conheci no Brasil”, declarou, antes de recorrer a uma metáfora esportiva para classificar os personagens da política baiana. “Vou votar – Marcos Presídio – bola de Diamante, Otto Alencar – Bola de Ouro, os Bonfim’s (João Bonfim e filhos) – bola de prata”, ironizou, prometendo revelar, ao longo de sua caminhada, “quem realmente está ao lado do povo”. A fala, dura e carregada de acusações, reforça que a corrida pelo Senado na Bahia será marcada por embates cada vez mais explícitos e pessoais.

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Foto: Arquivo Pessoal/MNilo

