Moacir Lopes: o pai que o tempo não conseguiu levar

Por Itamar Ribeiro

Há pais que nos dão a vida. Há pais que, além de nos dar a vida, nos ensinam a vivê-la. Meu pai, Moacir Lopes de Souza, foi desses homens que não precisaram de riqueza, títulos ou grandes discursos para deixar uma herança que o tempo não consegue apagar. Neste Dia dos Pais, mesmo sabendo que seus braços já não podem me abraçar, sinto sua presença nas lembranças, nos ensinamentos e nos caminhos que percorri. Sou o segundo filho entre os 13 filhos de Moacir e, olhando para trás, percebo que uma das maiores riquezas que recebemos foi justamente a simplicidade de um homem que conhecia profundamente o valor do amor, da solidariedade e do próximo.

Meu pai foi sapateiro, mas a vida lhe reservou outra missão. Em determinado momento, deixou a profissão para dedicar-se ao Evangelho. E foi assim que seus passos passaram a alcançar lugares onde talvez suas mãos jamais chegassem. Não apenas pregava a Palavra; vivia aquilo que ensinava. Era conselheiro, acolhedor, amoroso e tinha uma capacidade especial de sentir a dor dos outros. Ao longo de sua caminhada, conquistou muitos filhos na fé, pessoas que até hoje carregam consigo alguma palavra, algum conselho ou algum gesto daquele homem simples que encontrou na fé uma razão maior para viver. Hoje, não quero contar sua história inteira. Algumas vidas não cabem em uma biografia. Quero apenas registrar, neste Dia dos Pais, que o legado de Moacir continua caminhando entre nós.

Pai, talvez a eternidade tenha levado sua presença física, mas não conseguiu levar aquilo que você plantou. Seus ensinamentos continuam vivos nos seus filhos e começam a alcançar novas gerações. Seus netos e bisnetos conhecem sua história porque fazemos questão de falar de você, de lembrar seus conselhos e de preservar o seu jeito de viver. Quando mencionamos nossas raízes, seu nome está lá. Quando falamos de fé, sua voz parece voltar. Quando ensinamos o amor ao próximo, encontramos um pouco de você. Por isso, neste Dia dos Pais, não digo apenas parabéns. Digo obrigado. Obrigado pela vida, pelos ensinamentos, pelo exemplo e, principalmente, por ter me mostrado o caminho da salvação eterna. A saudade permanece, mas maior que a saudade é a gratidão. E enquanto houver alguém para contar a sua história, pai, você continuará vivendo entre nós.

Do seu filho,
Itamar Ribeiro

Foto: Arquivo familia

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