O tradicional bloco afro da cidade estava fora das atrações da micareta
Nos próximos dias 16, 17 e 18 de janeiro a cidade de Lauro de Freitas vai sediar uma micareta. Ao invés de fazer o carnaval no município, a prefeitura municipal optou por realizar a Mica Lauro, uma festa antecipada. A substituição levantou preocupação e descontentamento da população que não viu garantida e estratégias de organização para movimentação da economia local e participação efetiva dos ambulantes que precisam vender os produtos para geração de renda. Outro descontentamento é não valorização dos artistas do cenário cultural da cidade uma vez que a Prefeitura recebeu recursos do Governo do Estado suficientes pra tal.
O mais estarrecedor era a ausência entre as atrações artísticas divulgadas até então do Bankoma, o bloco afro tradicional e originário da cidade, reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial de Lauro de Freitas.
O bloco já foi confirmado para desfilar no Carnaval de Salvador 2026, entretanto estava excluído pela gestão municipal da Mica Lauro. “Um absurdo!” Não tem como existir carnaval, micareta ou qualquer outra grande festa popular de rua, em Lauro de Freitas, sem o Bankoma. O Bankoma é, além de um bloco, um movimento cultural que celebra a nossa ancestralidade e orgulho do povo negro. Por isso, sempre foi incluído no carnaval de Lauro e também foi apoiado pela nossa gestão para a inclusão no carnaval de Salvador”, afirmou a ex prefeita de Lauro de Freitas e atual secretária executiva do Conselho da Federação da Presidência da República, Moema Gramacho.
Diante do desrespeito da gestão municipal com a cultura local, Moema Gramacho intermediou junto ao Governo do Estado da Bahia, um dos apoiadores do evento, a reparação e inclusão do Bankoma na Mica Lauro. “Agradeço imensamente ao nosso governador Jerônimo e ao nosso secretário de cultura, Bruno Monteiro, pela sensibilidade de inserir o Bankoma entre as atrações, demonstrando o respeito a cultura local e valorização do nosso povo de Lauro de Freitas”, agradeceu Moema.
Bankoma
O Bankoma foi fundado em 2000, no bairro de Portão, no município baiano de Lauro de Freitas. O bloco afro nasceu a partir das oficinas de arte-educação do Terreiro São Jorge Filho da Gomeia.
Além de desfilar no carnaval de Salvador e Lauro de Freitas, o Bankoma atua como um difusor de cultura, oferecendo oficinas de percussão, dança afro, tecelagem e confecção de adereços.
No idioma banto, a palavra Bankoma significa “reunião de pessoas”. Um nome muito apropriado já que o bloco costuma levar para avenida cerca de três mil pessoas.
Com 26 anos de história, o Patrimônio Cultural Imaterial de Lauro de Freitas, segue sendo presença, resistência, cultura e ancestralidade.
Viva, o Bankoma!
Ascom
Foto: Edgard Copque

