Ex-prefeita do PT confirma pré-candidatura à Câmara Federal, acusa a atual administração de “desmonte” e diz ter sido “traída” politicamente por Débora Régis
A ex-prefeita de Lauro de Freitas e atual secretária-executiva do Conselho da Federação da Presidência da República, Moema Gramacho (PT), reuniu jornalistas nesta terça-feira (13) — data simbólica por ser o número do seu partido — para uma roda de conversa em (blocos) marcada por críticas duras à atual gestão municipal, comandada pela prefeita Débora Régis (União Brasil), sua antiga aliada política.
No encontro, Moema confirmou que é pré-candidata a deputada federal, avaliou os governos Jerônimo Rodrigues e Lula e fez um balanço crítico do primeiro ano da atual administração de Lauro de Freitas.
A imprensa como elo com a população
Logo no início da conversa, Moema destacou o papel estratégico do jornalismo durante seus mandatos à frente da prefeitura.
Para a gente conseguir se reeleger, tinha que trabalhar muito e muito nos lugares, porque a informação para ir para fora só chegava através dos jornais e dos jornalistas. Era impressionante – afirmou.
Segundo ela, mesmo enfrentando críticas, sua gestão mantinha diálogo com a população por meio da imprensa.
Qualquer governo tem críticas. Mas havia um sentimento na rua, que passava para as pessoas. O povo avaliava e decidia” – completou.
Críticas à atual gestão e à retirada de políticas públicas
Moema acusou a prefeita Débora Régis de desmontar políticas públicas e iniciativas implantadas ao longo de suas gestões.
Ela está tirando coisas que a gente plantou. Tirou o carnaval de Lauro de Freitas, agora não teve São João. São símbolos culturais e econômicos para a cidade – criticou.
Segundo a ex-prefeita, a atual gestão não apresenta ações novas e se limita a desmontar o que já existia.
Coisas novas, positivas, eu não consigo identificar ainda. O que ela tem buscado fazer é retirar algumas coisas que eu fiz. Se ela for nessa linha, vai causar um grande prejuízo à população – advertiu.
A relação política rompida
Um dos momentos mais fortes do encontro foi quando Moema falou sobre a ruptura com Débora Régis, que foi sua aliada por mais de uma década.
Eu me senti completamente traída”, disse, sem hesitar.
Ela lembrou que Débora passou 12 dos 16 anos de sua trajetória política ao seu lado, inclusive como vereadora, e que jamais apontou falhas graves de sua gestão nesse período.
A premissa de um bom vereador é fiscalizar e legislar. Cadê todas essas falhas que agora ela aponta e que não foram ditas em 12 anos?”, questionou.
Moema também recordou que, no passado, Débora a elogiava publicamente.
Tenho vídeos dela me idolatrando, me elogiando. Foram 12 anos assim. Agora, de repente, nada prestou?”, ironizou.
Bastidores e apoio político no governo Wagner
A ex-prefeita revelou detalhes dos bastidores do período em que deixou a prefeitura, em 2012, para assumir a Secretaria de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza no governo Jaques Wagner.
Wagner me pediu para levar poucas pessoas para a secretaria. Eu levei cinco. Três eram da família de Débora: ela, o marido e a irmã”, relatou.
Moema disse que confiou à então aliada projetos estratégicos de inserção social.
Dei para Débora o Pronatec no Itinga, para trabalhar com a juventude. Para o marido, o melhor programa que o governo do Estado já fez: o Vida Melhor.”
Segundo ela, o programa beneficiou milhares de pessoas.
Compramos mais de 10 mil equipamentos, como carrinhos de cachorro-quente, kits de manicure, salões de beleza e cozinhas. Formamos mais de 20 mil empreendedores”, destacou.
Saúde pública no centro das críticas
Na avaliação do primeiro ano da gestão de Débora Régis, Moema apontou o fechamento e a paralisação de serviços de saúde como um dos principais problemas.
O Jorge Novis está fechado para reforma desde o início do ano. Faz um ano. Quando eu entrei, a primeira coisa que fiz foi reformá-lo todo, – disse.
Ela lembrou que, em sua gestão, o hospital realizou milhares de procedimentos.
Fizemos 4 mil cirurgias, implantamos a clínica da dor, o laboratório de análises clínicas. Hoje, tudo isso acabou. Fecharam o Jorge Novis.”
Olho em 2026
Moema Gramacho reafirmou sua disposição de voltar ao cenário eleitoral em 2026.
Sou pré-candidata à Câmara Federal, estou trabalhando e vou me eleger”, declarou, confiante.
A roda de conversa deixou claro que a ex-prefeita entrou de vez no debate político local e estadual, posicionando-se como uma das principais vozes de oposição à atual administração de Lauro de Freitas — e disposta a transformar o embate municipal em capital político para sua próxima disputa eleitoral.
No segundo e terceiros blocos da roda de conversa com jornalistas, a ex-prefeita de Lauro de Freitas e atual secretária-executiva do Conselho da Federação da Presidência da República, Moema Gramacho (PT), elevou o tom contra a atual gestão municipal e apresentou números, bastidores e decisões administrativas que, segundo ela, foram abandonadas pela prefeita Débora Régis (União Brasil).
Hospital fechado, “dando bicho”, e filas sem resposta
Moema afirmou que o fechamento prolongado de unidades de saúde expõe a população a um colapso no atendimento.
Está lá dando bicho dentro. Você imagina um hospital fechado há um ano. E aí a regulação está ótima? A fila zero já resolveu tudo?”, questionou.
Segundo ela, o fechamento do Hospital Jorge Novis e de estruturas vinculadas compromete toda a rede de atendimento.
Quando você deixa um hospital fechado por um ano, não é só ele que para. Toda a rede sente.”
O prédio do PA Covid e a promessa da central de autismo
A ex-prefeita explicou a origem do prédio que hoje está desativado. Segundo Moema, o imóvel foi construído sem custo para o município, como contrapartida social de um grande empreendimento.
Consegui que o empresáriado construísse o PASAI Covid como contrapartida social. Quando a Covid começou, ele já estava pronto.”
Depois da pandemia, o local foi destinado ao atendimento da BEMG e, posteriormente, reservado para se transformar em uma Central de Referência para Pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Na transição, eu deixei documentado que aquele prédio estava fechado e reservado para a central de autismo. Não precisava fazer nada dentro.”
Moema disse ter recebido informações de que a prefeita pretende mudar a destinação do imóvel.
Estão dizendo que ela vai tirar o Nelson Barros de lá, levar para a UPA e não vai mais fazer o centro de autistas. Isso mostra que não há compromisso real com os autistas.
A parceria com a UNIME e o modelo que reduziu custos
Moema dedicou boa parte da conversa a explicar a parceria entre a prefeitura e a UNIME, que permitiu ampliar o atendimento em saúde e educação sem aumentar gastos.
Era uma estrutura de hospital, com equipamentos de ponta, consultórios odontológicos, bonecos de simulação para treinamento. Tudo isso foi colocado à disposição do município.
Ela lembrou que, ainda em 2005, transformou uma dívida de R$ 21 milhões da universidade em 5 mil bolsas de estudo para moradores de Lauro de Freitas.
Quando saí, já tinha mais de 2 mil pessoas formadas. Eu via pai e filho se formando juntos, sem pagar um centavo.
Os critérios, segundo ela, eram claros:
Moradores do município, vindos de escola pública e famílias do Bolsa Família. A Universidade fazia a seleção.
Economia e estrutura compartilhada
No retorno à prefeitura, em 2017, Moema diz que refez o acordo em novo formato.
Dividimos a estrutura: prefeitura e universidade trabalhando juntas durante o dia, à noite só a prefeitura. Não pagava aluguel, não pagava água, nem luz. Foi uma grande economia.
Segundo ela, esse modelo permitiu usar mais de 130 consultórios odontológicos e ampliar a prevenção e os atendimentos.
Hoje, levando tudo para o Nelson Barros, vai pagar água, luz, quadro completo de funcionários. E não dá para comparar o tamanho e a estrutura.
Os R$ 35 milhões que entraram após a posse
Um dos trechos mais sensíveis da fala de Moema foi sobre os recursos federais liberados no fim de sua gestão.
Eu consegui aprovar R$ 35 milhões para a parceria. O dinheiro entrou na conta da Prefeitura no dia 31 de dezembro e compensou em 2 de janeiro.”
Ela questionou a versão da atual gestão de que não havia dinheiro em caixa.
No dia 2 de janeiro eu já não tinha mais senha, não tinha nada. O dinheiro estava lá. Quem usou esse recurso?
Oposição fragmentada e disputas na Câmara
Moema também criticou a atuação dos vereadores de oposição à prefeita.
Eles são 16 contra 5. Tinham tudo na mão para eleger o presidente da Câmara. Mas não se unem. É vaidade.”
Segundo ela, a incapacidade de consenso enfraqueceu o Legislativo.
De 16, não conseguem chegar a um nome. E acabam se alinhando com os cinco da prefeita.
Volta à Câmara Federal e estratégia política
A ex-prefeita voltou a reafirmar sua pré-candidatura a deputada federal em 2026.
Renunciei ao meu mandato atendendo ao apelo do povo de Lauro de Freitas. Agora me sinto no dever de voltar.
Ela lembrou que foi a primeira mulher eleita deputada federal pelo PT da Bahia e que deixou o cargo para retornar à prefeitura.
Eu renunciei e voltei no risco de ganhar ou perder. Ganhamos.
Chapa ‘puro-sangue’ e confiança em Wagner e Lula
Questionada sobre a possibilidade de integrar uma chapa majoritária do PT na Bahia, Moema disse que confia nos articuladores do partido.
Essa discussão é precipitada, mas eu confio nos gestores que estão tratando essa chapa.
Ela citou os principais nomes do jogo político.
No Brasil, eu considero três grandes articuladores políticos: Jacques Wagner, Lula e, mesmo no campo da oposição, o Velho Senhor ACM. Ninguém pode negar.
No quarto e quinto blocos da roda de conversa com jornalistas, a ex-prefeita de Lauro de Freitas e atual secretária-executiva do Conselho da Federação da Presidência da República, Moema Gramacho (PT), avançou da política estadual para os bastidores de Brasília, detalhou como funciona a articulação federativa do governo Lula e apresentou exemplos concretos de como, segundo ela, muitos municípios perdem obras e investimentos por falhas administrativas — e não por falta de dinheiro do governo federal.
Quem ganha desde 2006 não pode se dividir
Ao ser questionada sobre o desenho da chapa governista para 2026, Moema defendeu a manutenção da aliança entre PT e PSD e minimizou o risco de ruptura.
Quem já ganhou o governo do Estado desde 2006 até hoje não pode se desunir com a possibilidade concreta de perder. PT e PSD vão achar uma saída unida, – afirmou.
Ela disse confiar diretamente nos articuladores da base.
Eu confio muito na habilidade de Jacques Wagner, de Rui Costa. O Wagner, para mim, é um dos grandes articuladores da política brasileira.
Avaliação do governo Jerônimo
Moema fez uma avaliação positiva, embora com ressalvas, do governador Jerônimo Rodrigues (PT).
Ele está pontuando bem. Precisa melhorar algumas coisas até a eleição, mas já demonstrou fazer um governo infinitamente melhor do que o que existia antes de Wagner.”
Segundo ela, a comparação favorece o atual governador quando o parâmetro é o passado.
Se fosse Jerônimo contra Wagner e Rui, ficaria calada. Mas, se for contra o que existia antes deles, Jerônimo ganha.
O Conselho da Federação: o ‘cérebro’ das políticas públicas
Na parte mais institucional da conversa, Moema explicou em detalhes sua função no Conselho da Federação, órgão criado no atual governo Lula para integrar União, estados e municípios.
O Conselho é um espaço onde se discutem todas as políticas públicas existentes e se formulam novas políticas para estados e municípios.
Presidido por Lula, o colegiado reúne os ministros da Casa Civil (Rui Costa), da Fazenda (Fernando Haddad), do Planejamento (Simone Tebet), além da ministra da articulação política (Gleisi Hoffmann), governadores e entidades municipalistas.
Eu coordeno tudo isso a partir do Palácio do Planalto. Atendo prefeitos, governadores e secretários o dia inteiro.
Quando a culpa não é de Brasília
Moema contou um episódio envolvendo vereadores de Eunápolis, que acusavam o governo federal de atrasar obras do Minha Casa, Minha Vida. Ao ligar para a construtora responsável, a versão mudou.
A empresa não podia começar porque o prefeito não tinha dado licença ambiental nem regularizado o terreno. E estavam culpando Brasília.
Segundo ela, quando a documentação foi providenciada, a obra começou.
Isso prova que muitas vezes o problema não é o governo federal, é a gestão local.
Monitoramento em tempo real dos municípios
A secretária explicou que hoje o governo federal acompanha diariamente o andamento das políticas públicas em todo o país.
Nós temos equipes por região do Brasil que monitoram cada município. Se algo não funciona, vamos identificar a causa e corrigir.
Ela revelou que, em Lauro de Freitas, precisou intervir pessoalmente para evitar a perda de recursos.
A prefeita não mandou os documentos de quatro postos de saúde. Eu pedi ao ministro para prorrogar o prazo duas vezes. Se não fosse isso, Lauro teria perdido o dinheiro.
Crítica direta à gestão Débora Régis
Moema acusou a atual prefeita de má condução administrativa.
Ela só não perdeu o recurso porque eu pedi prorrogação. Senão, não tinha mandado nem o projeto.
Segundo a ex-prefeita, a empresa responsável pelas reformas acabou tendo o dinheiro redirecionado.
A Inova não reformou os postos porque o dinheiro foi usado no Nelson Barros. Vai ter que prestar contas.
‘Desconto Cidadão’ versus gás gratuito
Moema também revelou um projeto levado ao governo Lula por 30 mil empresários.
O Desconto Cidadão daria 20% a 80% de desconto em comida, gás, cinema, posto de gasolina. Sem gastar um centavo do governo.
Na avaliação dela, a medida aumentaria o poder de compra dos beneficiários do CadÚnico.
Não é melhor dar desconto em comida do que dar só um botijão de gás? Vai cozinhar sem comida?
Fiscalização: o elo mais fraco
Para Moema, o maior gargalo dos governos não é a falta de programas, mas a ausência de fiscalização.
Você entrega o equipamento, mas não fiscaliza. Tem unidade de saúde funcionando só duas horas por dia. Isso é inadmissível.
Ela defendeu maior presença do governo federal no acompanhamento local.
Não dá para delegar tudo a estados e municípios. Tem que ter gente da União indo lá ver se está funcionando.
A roda de conversa terminou com Moema pedindo aos jornalistas um diagnóstico franco sobre como a população enxerga hoje as políticas públicas federais.
Ainda dá tempo de consertar. Tem muita coisa boa funcionando, mas precisamos saber onde está falhando para corrigir.
Ex-prefeita acusa prefeitura de perder recursos, desmontar políticas para mulheres e governar sem fiscalização; petista confirma pré-candidatura a deputada federal
No sexto e sétimo bloco da entrevista, Moema Gramacho (PT) endureceu o tom contra a atual gestão de Lauro de Freitas, detalhou problemas graves na saúde mental infantil, rebateu acusações sobre suas contas públicas e confirmou que será candidata a deputada federal em 2026, afirmando que mantém forte base eleitoral no município e no interior da Bahia.
CAPS infantil reprovado por falta de funcionamento
Moema revelou que unidades do CAPS no município foram reprovadas e perderam recursos federais por não cumprirem os critérios mínimos de funcionamento.
Existe uma portaria, e ela precisa ser seguida. Se não cumprir, o Ministério corta a verba. Aqui, o CAPS infantil foi reprovado.
Segundo ela, o problema não é a estrutura, mas o atendimento.
CAPS infantil tem que ser de porta aberta. Aqui atende três crianças por dia, três vezes por semana. Assim você não consegue nem atingir 15 crianças em acolhimento.
Mesmo após alertas à prefeitura, a situação permaneceu, disse uma participante do encontro.
Convidei a prefeita, chamei a Secretaria de Saúde, disse: ‘vamos lá conhecer’. Mas passou o ano inteiro do mesmo jeito.
Não é prédio novo que resolve, é funcionamento
Moema criticou a decisão da gestão de apenas transferir o CAPS para outro imóvel.
Agora vão tirar o CAPS infantil dali e jogar para outro prédio. Mas não é a estrutura que resolve, é o funcionamento.
Ela prevê piora no atendimento.
Vai virar igual ao Nelson Barros: prédio bonito, mas sem gente para trabalhar. Vai favorecer credenciamentos de médicos conhecidos, enquanto falta mão de obra.
Proposta de um novo ‘Atende Mais’ para superar o Bolsa Família
Moema revelou que discute em Brasília a criação de um novo modelo de política social, inspirado no Mais Especialidades do SUS.
Padilha fez uma coisa muito boa quando abriu o Mais Especialidades também para a iniciativa privada. Isso ampliou muito o atendimento.
Segundo ela, a mesma lógica poderia ser aplicada ao social.
Podia criar um ‘Atende Mais’ integrando Bolsa Família, acompanhamento de grávidas, Pronatec, saúde e emprego, com participação da iniciativa privada.
Nunca tive uma conta reprovada
Moema respondeu duramente às acusações feitas por adversários políticos.
Quem acusa tem que provar. Eu nunca tive uma conta reprovada no Tribunal de Contas em quatro mandatos.”
Ela disse que a atual prefeita tentou espalhar uma versão falsa logo no início do governo.
Disseram que eu tinha deixado a prefeitura zerada. Isso foi desmentido pelos sindicatos e pelos conselhos, porque tudo estava no Portal da Transparência.”
Segundo Moema, a própria Comissão de Transição recebeu toda a documentação.
Entregamos tudo: Leila, Ápio, Kivio, dois procuradores. Está tudo documentado.”
Durmo com o meu travesseiro de ouro
Em um dos momentos mais emocionais da entrevista, Moema falou de sua trajetória pessoal.
Meu pai me deixou uma herança: um travesseiro de ouro. É dormir com a consciência tranquila, sem dever nada a ninguém.
Ela lembrou sua origem no Pelourinho, filha de uma família pobre, e afirmou que nunca usou a política para enriquecer.
Críticas ao desmonte das políticas para mulheres
Moema acusou a atual gestão de desmontar estruturas que ela criou.
Criamos a primeira Secretaria de Políticas para as Mulheres do Brasil em 2005. Hoje ela foi rebaixada a um departamento.”
Ela citou o fechamento do Centro Lélia Gonzalez, que atendia mulheres vítimas de violência.
Lá tinha psicólogos, advogados, assistentes sociais. Hoje, com o feminicídio aumentando, isso foi fechado.”
Pré-candidata a deputada federal
Moema confirmou oficialmente que disputará uma vaga na Câmara Federal em 2026.
Quanto mais mulheres disputando, melhor. Precisamos mudar a cara daquele Congresso.”
Ela lembrou o preconceito que sofreu quando foi deputada federal, inclusive por um colega de parlamento – Eduardo Bolsonaro.
No meu primeiro dia na Comissão de Segurança Pública, ele (Eduardo) perguntou o que uma mulher estava fazendo ali. Isso é preconceito.”
Tenho no mínimo 50 mil votos
Moema afirmou que mantém uma base eleitoral sólida em Lauro de Freitas.
Eu nunca tive menos de 50 mil votos como prefeita. Dei 47 mil votos ao meu sucessor.
E fez uma aposta política:
Não tenho menos de 50 mil votos. Vamos apostar?
Oposição fraca e desgaste da prefeita
Moema avaliou que a atual gestão está se desgastando sozinha.
Débora não vai precisar nem da oposição para se destruir.”
Ela reconheceu que a oposição do PT precisa ser mais organizada.
Estamos conversando no partido para construir uma oposição real, baseada nos problemas da gestão.”
Projeto da duplicação da Avenida Gerino é travado
Moema revelou bastidores de um projeto estratégico para o município.
O projeto da duplicação da Gerino, com vias exclusivas para ônibus elétrico e dois viadutos, foi aprovado em Brasília por R$ 155 milhões.”
Segundo ela, o recurso acabou sendo redirecionado para o VLT de Salvador, com a promessa de que o Estado faria a obra por meio de empréstimo.
Jerônimo já tomou R$ 26 bilhões. Está na hora de fazer essa obra.”
Olho em 2026
Ao final do encontro, Moema Gramacho reafirmou sua disposição de voltar ao cenário eleitoral em 2026.
Sou pré-candidata à Câmara Federal, estou trabalhando e vou me eleger”, declarou, confiante.
A roda de conversa deixou claro que a ex-prefeita entrou de vez no debate político local e estadual, posicionando-se como uma das principais vozes de oposição à atual administração de Lauro de Freitas — e disposta a transformar o embate municipal em capital político para sua próxima disputa eleitoral.

Soteropolis Noticias
Fotos: Lucas Lins

