O ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, defendeu nesta
quinta-feira (15) a presidente da Petrobras, Graça Foster, e toda a atual
diretoria da estatal em relação ao esquema de corrupção desvendado pela
Operação Lava Jato, da Polícia Federal. Graça, particularmente, voltou a ficar
em evidência depois da prisão, ontem (quarta, 14), do ex-diretor da área
internacional Nestor Cerveró, que voltou a fazer transferência de bens e
movimentações financeiras consideradas suspeitas pelos investigadores do caso,
e por isso foi preso. Como o jornal O Globo revelou em agosto do ano passado,
ela e Cerveró transferiram bens em procedimentos que, segundo a oposição ao
governo Dilma Rousseff no Congresso, foram realizados depois que eles passaram
a ser investigados pela compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos,
desfavorável à Petrobras.
Para Eduardo Braga, não há provas de envolvimento de Graça
em qualquer tipo de desmando referente à petrolífera. |Até hoje, não há nenhuma
prova sequer contra Graça Foster. Não há nenhuma prova sequer contra esses
diretores que aí estão. Não seria justo, vendo o esforço que a Petrobras está
fazendo com seus técnicos e sua diretoria, de recuperação de gestão e
eficiência, puni-los sem dar a chance para que apresentem os resultados que a Petrobras
aponta que apresentará|, observou o ministro, em entrevista ao serviço de
informação online da Agência Estado.
O ministro disse ainda que o governo já estuda mudanças no
conselho de administração da estatal, que passa por |convergência de fatores
negativos|, mesmo diante das boas notícias alcançadas em relação ao setor
produtivo. Como este site mostrou na semana passada, a empresa passou a liderar
a produção mundial de petróleo entre as empresas de capital aberto.
Eduardo Braga manifestou otimismo em relação ao futuro da
petrolífera, com a ressalva de que empresas |enroladas| na Operação Lava Jato,
com contratos de investimento vigentes com a Petrobras, ainda representam um
problema. Para Braga, |duas Petrobras| devem ser levadas em consideração: a que
foi alvo do esquema bilionário de recursos públicos e a |instituição
brasileira| que é uma das protagonistas do setor energético.
A entrevista concedida à Agência Estado confronta as
declarações do advogado de Cerveró, Edson Ribeiro, para quem dois pesos e duas
medidas são usados para diferenciar Graça Foster de seu cliente ? que, a pedido
do Ministério Público Federal, foi preso justamente em decorrência de
transferências e movimentações financeiras. Para Edson, não há explicação para
o fato de Graça não ter sofrido a mesma punição já que executou os mesmos
procedimentos pelos quais Cerveró foi detido.
Foto: Geraldo Magela/Agência Senado