Outro número colhido pelo Datafolha assusta mais o
governo do que a constante queda da
presidente Dilma nas preferências do eleitorado, agora também acompanhada pela
diminuição dos índices de Aécio Neves e de Eduardo Campos: subiu para 13 o percentual dos que não sabem
em quem votar, enquanto passou para 17 a
decisão dos que votarão em branco
ou anularão o voto. Isso significa a insatisfação de 30 dos brasileiros. Quem sabe também a
descrença deles nas instituições atuais.
Junte-se esse fator aos protestos ostensivos que continuam ganhando as ruas do
país inteiro, mais as greves sucessivas,
e se terá a receita de um sério
conflito entre o Brasil real e o Brasil
formal. As categorias que
paralisam suas atividades ou se manifestam
ruidosamente às vésperas da copa do
mundo aproveitam-se de um período de
fraqueza do poder público, exposto ao crivo da comunidade internacional. Mesmo
assim, avoluma-se a indignação nacional,
antes represada e agora livre para mostrar-se.
Não faltam apenas lideranças, entre nós. Mais grave é
perceber a inexistência de organizações capazes de assumir o comando da
sociedade em desagregação. Dos militares nem se fala, graças a Deus. Por falar
NELE, registre-se que a Igreja perdeu
amplo terreno. Os sindicatos
desapareceram como força efetiva, impossibilitados de exprimir os anseios de
suas bases. Os partidos políticos, divididos em suas estruturas, nem programas
viáveis apresentam, sendo melhor exemplo a frustração causada pelo PT, que um
dia propôs-se a mudar o Brasil e hoje
corre atrás de fatias do poder. A
intelectualidade fecha-se, copiando as
ostras, enquanto as elites financeiras imitam o avestruz, enfiando a cabeça na
areia em meio à tempestade.
A conclusão é de que nos transformamos num país de
órfãos. O que poderia constituir-se num
alento, a sucessão presidencial de outubro, virou apêndice desimportante de uma
nave sem rumo. (Diario do Poder/Carlos Chagas)