Apreensão e medo tomam conta de terceirizados da Prefeitura de Feira de Santana após eleições

Em Feira de Santana, a ansiedade e o medo dominam a rotina de
milhares de trabalhadores terceirizados da prefeitura. Para eles, a euforia que
veio com a reeleição do candidato do governo, José Ronaldo, do União Brasil,
logo se dissipou diante de uma realidade amarga. Apenas dias após a vitória nas
urnas, muitos desses funcionários foram surpreendidos por uma circular
informando que seus contratos com a prefeitura estavam sendo encerrados. O
aviso foi claro e devastador: todos serão desligados das empresas que prestam
serviço à administração municipal a parti do dia 3 de novembro.

Esses trabalhadores, que acreditavam estar seguros em seus
empregos, agora vivem em meio à incerteza. Muitos deles se dedicaram
incansavelmente à campanha, confiantes de que seus esforços seriam
recompensados com a continuidade de seus contratos. O apoio ao candidato do
governo foi, para muitos, mais do que uma simples escolha política. Era uma
aposta em seu próprio futuro e na estabilidade de suas famílias.

“Trabalhamos arduamente, com a esperança de que nossos
empregos seriam mantidos. Nunca imaginamos que, logo após as eleições, seríamos
jogados à incerteza”, desabafa um dos terceirizados que, por medo de
represálias, preferiu não se identificar.

A falta de clareza sobre o motivo dos desligamentos é um dos
fatores que mais angustiam os trabalhadores. Para eles, a lógica do
desligamento é difícil de entender, já que o prefeito eleito pertence ao mesmo
grupo político que atualmente governa a cidade. Em suas palavras, “se o governo
é de continuidade, por que estamos sendo dispensados?”

Enquanto alguns trabalhadores receberam a promessa de
recontratação a partir de março de 2025, a sensação de abandono é predominante.
Muitos questionam o que farão até lá, como sustentarão suas famílias e manterão
seus compromissos financeiros. O vazio deixado pela falta de um posicionamento
oficial agrava ainda mais a situação. A pancada é ainda mais dura devido ao
período: o fim do ano. Para milhares de trabalhadores em Feira de Santana, não
haverá comemoração.

Até o momento, o atual prefeito, Colbert Martins, do MDB, não
se pronunciou sobre o desligamento dos terceirizados. O silêncio das
autoridades, somado à ausência de explicações claras, tem alimentado um clima
de insegurança e tensão. Esses trabalhadores, que outrora se viam como peças
fundamentais na engrenagem do governo, agora enfrentam a dura realidade de uma
despedida abrupta, sem respostas ou garantias.

A cidade de Feira de Santana, que recentemente celebrou o
processo democrático com a reeleição de um governo de continuidade, agora
testemunha uma crise silenciosa. Nos bastidores, são as vidas desses
trabalhadores que estão em jogo, vivendo o dilema de lutar por seus empregos em
meio a um silêncio que assusta e desampara.

O que resta a esses trabalhadores, para além da esperança de
um retorno, é a espera por uma resposta. Uma explicação que faça sentido, que
traga de volta a segurança que perderam com uma simples circular. Para muitos,
março de 2025 ainda parece distante, e o tempo até lá será de apreensão e
angústia. (Rota da Informação).

Foto: Divulgação/RI

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