As obras de duplicação da Estrada do Derba (BA-528) e de implantação do VLT provocaram desmatamento em uma área de proteção ambiental (APA) na região do Subúrbio Ferroviário de Salvador. Imagens de satélite do Google Maps colhidas no início do mês de junho mostram o tamanho da devastação ambiental em função das intervenções conduzidas pelo Governo do Estado.
A ferramenta de imagens de satélite, disponível na internet gratuitamente para quem quiser consultar, inclusive grupos de ambientalistas e outras entidades da sociedade civil, mostra rasgos na vegetação ao longo de toda a Estrada do Derba. Com um agravante: a área verde devastada integra uma Área de Proteção Ambiental (APA) que está entre as mais importantes de Salvador, sob os cuidados do próprio governo estadual.
Ainda no Google Maps, é possível ‘voltar no tempo’ e ver imagens mais antigas, fazendo o ‘antes e depois’ da região. As imagens de 04/02/2025 mostram a Estrada do Derba com uma vegetação marcante, onde praticamente não dá para ver a estrada entre as árvores. Já as imagens de 26/08/2025 mostram uma faixa grossa de barro nos dois lados da via, ao longo de toda a sua extensão. Ou seja: o avanço do desmatamento aconteceu em menos de seis meses.
Em algumas áreas, como a do entroncamento com o Hospital do Subúrbio, o desmatamento é ainda maior, com um grande clarão de barro onde nas imagens mais antigas estava coberto de verde. Outra região crítica é no encontro com a BR-324, onde toda a parte do anel viário perdeu cobertura vegetal considerável, assim como uma área verde à direita dos primeiros metros da Estrada do Derba.
O agravante é que as áreas verdes devastadas fazem parte da APA Bacia do Cobre / São Bartolomeu, um dos maiores resquícios de Mata Atlântica dentro de Salvador – maior, por exemplo, do que todo o Parque de Pituaçu e o Parque da Cidade. O território se estende desde o Parque São Bartolomeu, no Subúrbio, até a Lagoa da Paixão, em Valéria, contendo ainda a Represa do Cobre e o Parque de Pirajá, e foi declarado como Área de Proteção Ambiental por meio de decreto do Governo do Estado, constando como área de preservação também no Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU).
A APA, como consta no site do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), é uma das mais importantes da cidade “um dos últimos remanescentes de Mata Atlântica do município de Salvador, além de importante reserva de água potável, parte integrante do sistema de abastecimento local”. Além disso, o Parque São Bartolomeu “representa a maior referência dos cultos afro-brasileiros e seus atributos naturais formam um santuário, objeto de culto e peregrinação desde a metade do Século XIX”.
Entre os atributos naturais da APA estão a Represa do Cobre, um imenso espelho d’água com entornado por florestas e reservatório de água potável; a Lagoa da Paixão e nascentes de rios que cortam a capital baiana; as cascatas de Nanã, Oxum e Oxumaré e as pedras do Tempo e de Omolu, que compõem o cenário onde freqüentemente se realizam práticas de culto de origem afro-brasileira. Curiosamente, o desmatamento é apontado pelo Inema como a principal ameaça à APA. (Ascom 44).
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