Por Itamar Ribeiro – Editor/Opinião
A nova pesquisa do Instituto Paraná Pesquisas, divulgada nesta quinta-feira (24), apresenta uma fotografia eleitoral que merece ser analisada com atenção. ACM Neto aparece numericamente à frente, com 46,7%, enquanto Jerônimo Rodrigues registra 42%. Mas, para além da fotografia, o que chama a atenção é o movimento observado em relação à rodada anterior.
Em agosto, Neto tinha 48,5% e Jerônimo, 40,1%. Agora, os dois aparecem com 46,7% e 42%, respectivamente. Houve, portanto, redução da distância entre os dois principais candidatos, de 8,4 para 4,7 pontos percentuais.
É aqui que começa a minha leitura como editor.
A fotografia mudou
Não considero prudente olhar apenas para quem aparece numericamente na frente. A direção dos números também importa.
Neto oscilou negativamente 1,8 ponto percentual, enquanto Jerônimo cresceu 1,9 ponto. Isso não permite afirmar, isoladamente, que existe uma tendência consolidada, mas mostra que a fotografia de setembro é diferente daquela registrada em agosto.
A pesquisa anterior mostrava uma distância mais confortável entre os dois. A nova rodada apresenta uma disputa mais próxima.
E isso muda o ambiente político da reta final.
A margem de erro exige cautela
A diferença registrada no primeiro turno é de 4,7 pontos percentuais, diante de uma margem de erro de 2,7 pontos. Por isso, há diferentes interpretações jornalísticas sobre a classificação do cenário: CartaCapital, CNN e outros veículos tratam a disputa como empate técnico, enquanto outras análises destacam a vantagem numérica de Neto.
Para o leitor do Soterópolis Notícias, minha avaliação é que não se deve transformar esses números em certeza eleitoral.
Pesquisa é fotografia, não resultado de urna.
O dado que merece atenção: o segundo turno
Se há um número particularmente interessante nesta rodada, é o da simulação de segundo turno.
ACM Neto aparece com 48,4%, contra 44,2% de Jerônimo. A diferença é de 4,2 pontos, dentro da margem de erro de 2,7 pontos, cenário classificado como empate técnico por diferentes veículos.
Isso revela algo importante: quando a disputa é colocada diretamente entre os dois principais nomes, a distância permanece relativamente estreita.
Não estamos diante de uma fotografia de ampla vantagem de um candidato sobre o outro.
E há outro dado que merece ser colocado na mesa
A pesquisa também mostra 56,1% de aprovação ao governo Jerônimo, enquanto a intenção de voto no governador aparece em 42% no primeiro turno.
Essa diferença é politicamente relevante.
Ela mostra que aprovar uma administração não significa necessariamente declarar voto no candidato que a representa.
Existe, portanto, uma distância entre avaliação administrativa e decisão eleitoral. E esse é um dos pontos que considero mais interessantes da pesquisa.
Rejeição também entra no cálculo político
Outro indicador importante é a rejeição.
Segundo o levantamento, 42,9% afirmam que não votariam de jeito nenhum em Jerônimo, enquanto 36,1% dão a mesma resposta em relação a ACM Neto.
Esse dado merece atenção porque uma eleição não é determinada apenas pela capacidade de conquistar votos, mas também pela existência de eleitores que rejeitam determinadas candidaturas.
A combinação entre intenção de voto, aprovação administrativa e rejeição produz um quadro muito mais complexo do que simplesmente olhar para o primeiro número da tabela.
Minha leitura
A pesquisa não autoriza falar em eleição definida.
O que ela revela, na minha avaliação, é uma disputa que entrou em uma fase mais apertada, especialmente quando comparamos os números atuais com os de agosto.
ACM Neto continua numericamente à frente nos cenários apresentados pelo instituto, mas a distância diminuiu. Jerônimo cresceu nos dois principais cenários comparados, enquanto Neto oscilou para baixo. No segundo turno, a diferença está dentro da margem de erro.
Há, portanto, elementos suficientes para considerar a reta final eleitoral mais aberta do que sugeria a rodada anterior, mas não para antecipar o resultado das urnas.
E talvez esse seja o principal ensinamento desta pesquisa: na política, uma fotografia pode ser importante, mas o movimento entre uma fotografia e outra pode ser ainda mais revelador.
Faltam poucos dias para o eleitor baiano transformar intenção em voto. Até lá, novas declarações, debates, agendas, fatos políticos e, principalmente, o comportamento do eleitorado poderão alterar a fotografia novamente.
Esta é a leitura editorial do Soterópolis Notícias sobre os números divulgados nesta quinta-feira (24) – Paraná Pesquisas/Bahia Notícias.
Foto: Divulgação

