Em entrevista à TV Bahia, Pablo Souza negou descumprimento de determinação judicial para circulação de 100% da frota e prometeu entregar registros de GPS às autoridades
Da Redação – Soterópolis Notícias
O secretário municipal de Mobilidade de Salvador, Pablo Souza, atribuiu a uma mobilização de apoiadores políticos os problemas na circulação de ônibus durante o segundo turno das eleições, realizado no domingo (25). Em entrevista à TV Bahia nesta terça-feira (27), ele reconheceu os impactos sobre os eleitores, mas negou que a Prefeitura tenha descumprido uma determinação para colocar 100% da frota nas ruas.
Segundo o secretário, a administração municipal foi informada por volta das 9h30 de domingo sobre uma mobilização em garagens de ônibus para impedir a saída de veículos sem adesivos de candidatos. Ele afirmou que as empresas iniciaram a retirada do material de campanha e que a Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob) orientou para que nenhum coletivo fosse impedido de circular por causa da propaganda eleitoral.
“Não se tratou de um problema operacional em função do impedimento, em função do adesivo”, declarou Souza. Na avaliação dele, a mobilização acabou afetando a operação ao condicionar a saída dos veículos à presença de material político.
Garagem no Caminho de Areia teve maior impacto
Pablo Souza apontou a garagem 5 da empresa Plataforma, no bairro do Caminho de Areia, como o local onde houve maior impacto operacional. Ele afirmou que a Semob acompanhou a situação e tentou reforçar o serviço ao longo da manhã.
O episódio provocou questionamentos sobre a quantidade de ônibus disponibilizada durante a votação e sobre a diferença entre o serviço anunciado pela Prefeitura e a frota efetivamente observada nas ruas.
Secretário contesta cobrança por 100% da frota
Questionado sobre a operação, Souza afirmou que o município adotou a mesma estratégia do primeiro turno, com uma frota proporcional à demanda habitual dos domingos. Segundo ele, essa prática é utilizada há cerca de dez anos.
O secretário sustentou que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não determinou a circulação de 100% da frota em nenhuma capital brasileira. A declaração foi dada após a entrevistadora mencionar uma divulgação da própria Prefeitura que informava a utilização de 100% da frota dos dias úteis para atender à demanda eleitoral.
Souza também rejeitou a interpretação de que a redução dos coletivos tenha sido uma retaliação ou resultado de uma mudança de planejamento entre os dois turnos. Para ele, a principal diferença foi a mobilização em torno dos adesivos políticos.
Sobre as reclamações de ônibus parados nas garagens, inclusive veículos sem adesivos, e de motoristas de folga, o secretário afirmou que a escala de trabalho foi a mesma do primeiro turno. Ele também defendeu o direito dos rodoviários de terem condições de comparecer às urnas.
Prefeitura promete apresentar registros de GPS
Durante a entrevista, o secretário reconheceu que a circulação dos ônibus foi prejudicada e que eleitores precisaram recorrer a alternativas para chegar aos locais de votação. Segundo ele, o serviço foi normalizado ao longo da tarde, e a gratuidade do transporte foi mantida das 6h às 20h.
Souza justificou sua ausência em Salvador durante parte do fim de semana informando que estava em Paris, em missão institucional a convite do governo francês. Ele afirmou, entretanto, que manteve contato com empresários do setor, dirigentes das concessionárias, equipes da Semob e representantes sindicais para acompanhar a operação à distância.
O secretário também anunciou que disponibilizará às autoridades os registros de GPS dos ônibus, com informações sobre itinerários, frota e frequência do serviço no domingo. De acordo com ele, os dados seriam encaminhados ainda nesta terça-feira (27), no contexto da apuração sobre os problemas registrados durante o segundo turno.
Secretário diz que vai colaborar com investigação
Pablo Souza afirmou que retornou a Salvador na segunda-feira (26), quando o mandado de prisão expedido pela Justiça Eleitoral já havia sido revogado. Ele reiterou que pretende colaborar com as investigações e fornecer informações sobre o funcionamento do transporte público durante a votação.
O caso permanece sob apuração, e os registros operacionais anunciados pelo secretário poderão contribuir para esclarecer as circunstâncias da redução da frota, a atuação das empresas e os impactos sobre o deslocamento dos eleitores.
Foto: Raquel Franco/Bahia.ba
