Governador de São Paulo critica homenagem a Lula no carnaval, questiona rigor da Justiça Eleitoral e diz que “quem perde é o Brasil”
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (PL), entrou no debate que tomou conta das redes sociais após o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, na última segunda-feira (16). Uma das alas, que homenageou o presidente Lula (PT), apresentou um figurino que retratava evangélicos dentro de “latas de conserva”, o que gerou reação imediata de familiares, líderes religiosos e representantes de segmentos conservadores.
Em vídeo que circula nas plataformas digitais, Tarcísio foi além da crítica ao desfile e evocou uma frase atribuída a Nicolau Maquiavel para sustentar seu argumento.
“Aos amigos, tudo. Aos inimigos, a lei.”
Segundo o governador, a máxima — que ele afirma refletir um traço histórico da política brasileira — traduz o que considera ser o uso “parcial e seletivo do poder público, favorecendo aliados, enquanto aplica rigorosamente a lei contra opositores”.
Eleições de 2022 na mira
Tarcísio citou episódios das eleições de 2022, mencionando a inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro, declarada por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação em reunião com embaixadores realizada, em julho daquele ano, no Palácio da Alvorada.
Ele também relembrou as comemorações do Bicentenário da Independência, em 7 de setembro, quando Bolsonaro discursou após evento oficial. Para o governador paulista, houve “postura muito dura” das instituições naquele contexto.
O chefe do Executivo paulista ainda mencionou a proibição de veiculação de documentários da produtora Brasil Paralelo, críticos ao então candidato Lula. À época, a medida foi enquadrada como restrição de conteúdo com caráter eleitoral.
“Perceberam a diferença?”, questionou Tarcísio. “Se o desfile não foi propaganda antecipada, o que será então? Por que não haverá o mesmo nível de rigor agora?”
Críticas ao conteúdo do desfile
No vídeo, o governador afirma que o samba-enredo trouxe trechos de jingles associados às campanhas petistas no período pós-redemocratização, além de referências a bandeiras do atual governo e à presença do presidente na avenida.
“Lamentavelmente, a sátira, a ironia, a pesquisa histórica, as homenagens e até a crítica, que sempre marcaram os carnavais, deram lugar à propaganda política descarada, ao desrespeito aos evangélicos, ao discurso divisionista”, declarou.
Para ele, o episódio simboliza um ambiente de permissividade. “Está valendo tudo. E, nesse vale-tudo, quem é que perde? Perde o Brasil.”
Diagnóstico institucional e crise fiscal
O discurso do governador, contudo, não se limitou ao carnaval. Tarcísio ampliou o foco e criticou o que chamou de “patrimonialismo”, “captura do orçamento público” e ausência de debate sobre produtividade, qualidade das instituições e renovação de lideranças.
“Não há como sermos fortes sem instituições fortes, com sistema de freios e contrapesos que funcione, com mercado mais competitivo e inovação”, afirmou.
Ele também alertou para o que definiu como “crise fiscal contratada” e questionou quais ideias estarão em debate numa nova disputa presidencial. Em tom provocativo, sugeriu que faltaram alas que remetessem a escândalos como mensalão e petrolão, citando casos e operações investigativas do passado.
“O verdadeiro carnaval com o nosso dinheiro está na hora de acordar”, concluiu.
O episódio amplia a tensão política em torno da relação entre cultura, liberdade artística e propaganda eleitoral, reacendendo o debate sobre os limites entre manifestação cultural e disputa política em pleno ano pré-eleitoral.
Da Redação – Soteropolis Noticias
Foto: Rede Social/Facebook

