Trump diz estar “desapontado” com escolha de novo líder supremo do Irã

Presidente se recusou a dizer se Mojtaba Khamenei se tornará alvo dos EUA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta segunda-feira (9) que estava “desapontado” com o fato de o Irã ter nomeado Mojtaba Khamenei como líder supremo do país.

Mojtaba Khamenei é filho do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo assassinado durante os ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irã.

“Acreditamos que isso levará a mais do mesmo problema para o país”, disse Trump a repórteres em entrevista coletiva na Flórida.

Quando questionado se o novo líder é um alvo dos Estados Unidos e de Israel, Trump disse que seria “inapropriado” dizer que sim ou não.

Ainda assim, Trump insistiu que os EUA deveriam ter sido envolvidos na escolha do próximo líder do Irã.

“Queremos estar envolvidos”, disse Trump. Ele acrescentou: “Achamos que eles deveriam colocar um presidente, ou o chefe do país, que será capaz de fazer algo pacificamente, para variar”.

Trump já havia dito que o filho de Khamenei seria uma escolha “inaceitável”. Mas, em comentários feitos esta noite, ele reconheceu o momento de incerteza, dizendo a um grupo de legisladores republicanos que “ninguém tem a menor ideia” de quem irá governar o Irã.

Durante a coletiva de imprensa, o presidente também disse que os objetivos dos EUA no Irã estão “bastante completos”.

O que está acontecendo no Oriente Médio?

Os Estados Unidos e Israel estão em guerra com o Irã. O conflito teve início no dia 28 de fevereiro, quando um ataque coordenado entre os dois países matou o líder supremo do país, Ali Khamenei, em Teerã.

Diversas autoridades do alto escalão do regime iraniano também foram mortas. Além disso, os EUA alegam terem destruído dezenas de navios do país, assim como sistemas de defesa aérea, aviões e outros alvos militares.

Em retaliação, o regime dos aiatolás fez ataques contra diversos países da região, como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã.  As autoridades iranianas dizem que têm como alvo apenas interesses dos Estados Unidos e Israel nessas nações.

Mais de 1.200 civis morreram no Irã desde o início da guerra, segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, que tem sede nos EUA. A Casa Branca, por sua vez, registrou ao menos sete mortes de soldados americanos em relação direta aos ataques iranianos.

O conflito também se expandiu para o Líbano. O Hezbollah, um grupo armado apoiado pelo Irã, atacou o território israelense em retaliação à morte de Ali Khamenei. Com isso, Israel tem realizado ofensivas aéreas contra o que diz ser alvos do Hezbollah no país vizinho. Centenas de pessoas morreram no território libanês desde então.

Com a morte de grande parte de sua liderança, um conselho do Irã elegeu um novo líder supremo: Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei. Especialistas apontam que ele não fará mudanças estruturais e representa continuidade da repressão.

Donald Trump mostrou descontentamento com essa escolha, classificando como um “grande erro”. Ele havia dito que precisaria estar envolvido no processo e pontuou que Mojtaba seria “inaceitável” para a liderança do Irã. (Da CNN Brasil).

Foto: Irã, Teerã / DPA / Picture Alliance via

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