Decisão liminar do ministro Kassio Nunes Marques interrompeu divulgação de levantamento após questionamentos sobre possível indução de respostas
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deve analisar ainda nesta terça-feira (8) a decisão liminar do presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, que suspendeu a divulgação de uma pesquisa eleitoral realizada pelo Instituto AtlasIntel. O levantamento apontava queda na popularidade do senador Flávio Bolsonaro (PL) e foi alvo de contestação por parte do Partido Liberal (PL).
De acordo com informações de bastidores da Corte Eleitoral, interlocutores do ministro avaliam que há maioria favorável à manutenção da decisão. O pedido de suspensão foi apresentado pelo partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, que argumentou haver direcionamento em perguntas incluídas na pesquisa, especialmente após a repercussão de um áudio envolvendo Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro.
Embora a pesquisa já tenha sido divulgada, fontes ligadas ao TSE consideram que o julgamento possui relevância institucional por estabelecer parâmetros para a atuação dos institutos de pesquisa em um cenário eleitoral considerado sensível. A expectativa é de que a decisão tenha efeito pedagógico, reforçando a necessidade de observância dos critérios metodológicos tradicionalmente adotados em levantamentos eleitorais.
Na decisão liminar, Nunes Marques apontou indícios de possível indução das respostas dos entrevistados. Entre os elementos considerados está a utilização de conteúdo relacionado a uma investigação envolvendo o Banco Master, circunstância que, segundo o magistrado, poderia comprometer a neutralidade das respostas coletadas.
O ministro também destacou que a suspensão temporária da divulgação não representa prejuízo irreversível ao instituto de pesquisa, uma vez que, caso a regularidade metodológica seja posteriormente confirmada, não haverá impedimento para o reconhecimento da validade do levantamento.
Outro ponto observado na decisão foi o fato de que outras 27 pesquisas realizadas anteriormente pela AtlasIntel não apresentaram questionamentos semelhantes nem utilizaram material de áudio com características parecidas às verificadas no estudo contestado.
Em nota, o Instituto AtlasIntel informou que respeita a decisão judicial e reafirmou a confiabilidade de seus métodos de pesquisa. A empresa declarou estar colaborando integralmente com a Justiça Eleitoral e fornecendo todos os esclarecimentos solicitados.
Segundo o instituto, a metodologia empregada segue critérios técnicos rigorosos e a expectativa é de que a análise do colegiado do TSE confirme a legalidade e a robustez do estudo. A AtlasIntel também afirmou confiar que a avaliação técnica dos fatos permitirá o completo esclarecimento da controvérsia.
Da Redação – Soteropolis Noticias
Foto: Antônio Augusto/STF

