Vorcaro afirma que grupo ligado a Jaques Wagner recebia R$ 3 milhões por mês

Acusação consta de proposta de colaboração premiada rejeitada pela PF e pela PGR; defesas de Wagner e Augusto Lima negam irregularidades

Da Redação – Soterópolis Notícias

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, afirmou em uma proposta de colaboração premiada que um grupo político ligado ao senador Jaques Wagner (PT-BA) receberia R$ 3 milhões por mês em supostos pagamentos de propina na Bahia. O relato consta de uma proposta de delação que não foi aceita pela Polícia Federal (PF) nem pela Procuradoria-Geral da República (PGR), por falta de elementos considerados suficientes para corroborar as acusações. A informação foi publicada pelo UOL nesta sexta-feira (25) e confirmada pela Jovem Pan.

É importante destacar que as acusações fazem parte do relato apresentado por Vorcaro e não foram comprovadas pelo acordo de colaboração, que acabou rejeitado pelas autoridades.

Como seriam os supostos repasses

Segundo o relato atribuído a Vorcaro, cerca de R$ 2 milhões mensais seriam movimentados por meio de um contrato entre o Banco Master e a PKL One, empresa relacionada à operação do Credcesta, cartão de crédito consignado destinado a servidores públicos.

Outros R$ 1 milhão por mês, ainda segundo a versão apresentada pelo ex-banqueiro, seriam pagos em dinheiro vivo.

Vorcaro também teria mencionado outras formas de repasse, incluindo distribuição de lucros e dividendos e contratos que, segundo ele, seriam fictícios.

O ex-banqueiro afirmou ainda que Wagner teria participação oculta na operação do Credcesta por meio da PKL One.

Contrato prevê pagamentos, mas não comprova propina

Um contrato entre o Banco Master e a PKL One prevê pagamentos mensais de aproximadamente R$ 2 milhões.

O documento, entretanto, não identifica Jaques Wagner ou outros políticos como beneficiários e, isoladamente, não comprova que os valores tenham sido destinados ao pagamento de propina.

Esse ponto é central para a compreensão do caso: existe o contrato mencionado no relato, mas a acusação sobre a destinação ilícita dos recursos permanece como uma alegação que não foi corroborada pelas autoridades responsáveis pela negociação da delação.

Venda do Credcesta também está sob investigação

A operação do Credcesta envolve ainda a antiga Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), estatal que detinha a operação antes de sua venda.

O leilão é alvo de investigação da Polícia Federal por suspeitas de fraude e possível direcionamento à empresa de Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro. O processo ocorreu quando Jaques Wagner ocupava o cargo de secretário de Governo da Bahia, durante a administração do então governador Rui Costa.

A defesa de Augusto Lima nega irregularidades e afirma que os serviços previstos no contrato entre a PKL One e o Banco Master foram efetivamente prestados.

PF e PGR rejeitaram a colaboração

De acordo com as informações divulgadas, a tentativa de colaboração de Vorcaro não avançou.

A Polícia Federal teria interrompido as negociações em duas oportunidades, enquanto a PGR rejeitou a proposta por considerar que os relatos apresentados não estavam acompanhados de elementos suficientes para confirmar as acusações.

O episódio, portanto, deve ser tratado como parte de uma investigação e de uma tentativa de colaboração que não foi aceita pelas autoridades, e não como comprovação das acusações feitas pelo ex-banqueiro.

O que dizem as defesas

A defesa de Daniel Vorcaro afirmou ao UOL que não confirma o conteúdo divulgado e questionou a origem, a autenticidade e a integridade dos documentos que teriam sido relacionados às tratativas de colaboração.

Os advogados também afirmaram que o material era preliminar e que Vorcaro continua disposto a fornecer informações às autoridades.

Defesa de Jaques Wagner nega acusações

A defesa do senador Jaques Wagner classificou as acusações como falsas e oportunistas e afirmou que elas estariam sendo utilizadas para interferir no processo eleitoral.

Os advogados disseram ainda que Wagner não conhece contratos fictícios relacionados à PKL One e que nunca manteve relação com a empresa.

A defesa também negou qualquer vínculo do senador com Daniel Vorcaro e afirmou que Wagner não atuou no Congresso em favor de interesses do Banco Master.

Augusto Lima também contesta relato

A defesa de Augusto Lima classificou as informações como falsas e negou que Wagner ou o ex-ministro Rui Costa tenham praticado atos em benefício de Lima ou do Banco Master.

Os advogados afirmaram que o contrato entre a PKL One e o Banco Master correspondeu a serviços efetivamente prestados e negaram qualquer irregularidade.

A defesa também criticou a divulgação de trechos de uma proposta de delação que não foi aceita pelas autoridades.

Vorcaro diz que tentou negociar colaboração

Em outro trecho de seu relato, Vorcaro afirmou que tentou apresentar sua versão dos fatos às autoridades e que teria buscado reuniões com a Polícia Federal.

Segundo ele, alguns encontros não teriam avançado ou ocorreram apenas de maneira protocolar.

O ex-banqueiro também mencionou preocupação com pessoas envolvidas no caso e citou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

Vorcaro afirmou que Rodrigues teria mantido anteriormente uma relação com o Banco Master e participado de eventos ligados à instituição. Essa afirmação também integra o relato do ex-banqueiro e não deve ser tratada como comprovação de irregularidade.

O que está comprovado e o que é alegação

O caso exige cautela porque envolve diferentes níveis de informação.

É fato que: existe uma proposta de colaboração atribuída a Vorcaro; PF e PGR não aceitaram o acordo; há contratos relacionados ao Credcesta; e existem investigações envolvendo operações do Banco Master.

É alegação de Vorcaro: que valores mensais de R$ 3 milhões seriam destinados como propina a um grupo ligado a Jaques Wagner.

Não está comprovado pelo material divulgado: que Wagner tenha recebido esses valores ou que os pagamentos previstos em contrato tenham sido utilizados para propina.

Essa distinção é fundamental para que o debate público não transforme uma acusação apresentada em uma proposta de delação rejeitada em fato comprovado.

Fonte: UOL, com confirmação da Jovem Pan.

Foto: Divulgação

Siga o Soteropolis Noticias no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Participe também dos nossos canais no WhatsApp, Facebook e X.

Mais notícias sobre