“Deixando São Luís e os Lençóis Maranhenses: o retorno à Bahia”

Por Itamar Ribeiro*

Toda viagem chega ao fim.

As malas são fechadas, os bilhetes de embarque reaparecem nas mãos e, aos poucos, cada viajante retorna à sua rotina. Mas existem lugares que insistem em permanecer conosco muito tempo depois da volta para casa.

O Maranhão passou a ocupar esse lugar em nossa memória.

Durante alguns dias conhecemos uma terra onde a história conversa com o presente, onde a cultura pulsa em cada esquina, onde o mar encontra as dunas e onde a natureza parece ter recebido um tratamento especial das mãos do Criador.

São Luís nos encantou com seu patrimônio histórico, seus casarões revestidos de azulejos portugueses, sua rica gastronomia, suas praias e um povo acolhedor que recebe o visitante como quem abre as portas da própria casa.

São Luis- MA

Depois vieram os Lençóis Maranhenses.

Ali compreendemos que existem paisagens que nenhuma fotografia consegue reproduzir fielmente. O vento desenhando as dunas, o silêncio quebrado apenas pela brisa, as lagoas de águas cristalinas refletindo o céu azul e o pôr do sol colorindo o horizonte compõem um espetáculo que ultrapassa qualquer descrição.

A cada passeio, nossa admiração crescia.

Na Lagoa Bonita, em Atins, no Canto de Atins, em Santo Amaro, no Rio Preguiças, em Vassouras, em Mandacaru e em tantos outros cenários, percebemos que a natureza continua sendo a maior artista do planeta.

Nada ali parece obra do acaso.

Tudo transmite equilíbrio, beleza e perfeição.

Mais do que conhecer um cartão-postal brasileiro, tivemos o privilégio de testemunhar um dos maiores tesouros naturais do mundo.

Mas o Maranhão não é feito apenas de paisagens.

É feito de gente.

Dos guias turísticos que compartilham conhecimento com entusiasmo.

Dos toyoteiros, que conduzem os visitantes pelas trilhas de areia com profissionalismo e responsabilidade.

Dos pescadores, artesãos, comerciantes, cozinheiros, recepcionistas e trabalhadores que fazem do turismo um instrumento de desenvolvimento, geração de renda e preservação ambiental.

Cada sorriso recebido tornou nossa viagem ainda mais especial.

Outro aspecto que merece reconhecimento é o trabalho realizado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, em parceria com as administrações municipais e os profissionais do turismo.

As regras de visitação, o controle de acesso aos circuitos, a fiscalização ambiental e a orientação aos visitantes demonstram que preservar é tão importante quanto receber.

Sem conservação não existe turismo.

Sem respeito à natureza não haverá esse patrimônio para as futuras gerações.

Viajar também é aprender.

Aprendemos que o Brasil possui riquezas naturais comparáveis às mais belas paisagens do planeta.

Aprendemos que não é preciso atravessar oceanos para viver experiências inesquecíveis.

E aprendemos, sobretudo, que viajar em família fortalece laços, cria memórias e transforma momentos simples em lembranças eternas.

Nossa passagem pelo Maranhão terminou.

Mas a gratidão permanecerá para sempre.

Ao olhar as centenas de fotografias registradas durante esses dias, percebemos que cada imagem guarda muito mais do que um cenário bonito.

Ela guarda emoções.

Guarda risos.

Guarda conversas.

Guarda abraços.

Guarda a alegria de um avô vendo o neto descobrir um mundo novo, de pais compartilhando momentos com a filha e o genro, de uma família celebrando o privilégio de estar reunida.

São lembranças que o tempo jamais apagará.

Itamar (avô) – Tiaguinho (neto)

Ao leitor que chegou até aqui, deixo um convite sincero.

Quando surgir a oportunidade, coloque o Maranhão em seus planos de viagem.

Conheça São Luís.

Percorra suas ruas históricas.

Experimente o arroz de cuxá, o camarão e os sabores da culinária regional.

Contemple o pôr do sol na orla da capital.

Depois siga para Barreirinhas, Atins, Santo Amaro e permita-se caminhar sobre as dunas dos Lençóis Maranhenses.

Tenho certeza de que você voltará para casa levando muito mais do que belas fotografias.

Voltará levando paz.

Voltará levando inspiração.

Voltará levando a certeza de que Deus continua revelando Sua grandeza por meio da criação.

De retorno pra casa

Ao desembarcarmos de volta em nossa terra natal, tivemos a agradável sensação de que a viagem havia terminado apenas no calendário. Na memória e no coração, ela continuaria viva por muito tempo.

Eu retornei para Salvador, na querida Bahia, enquanto Aline, Tiago e o pequeno Tiaguinho seguiram viagem de volta para Recife, levando consigo as mesmas recordações e o mesmo sentimento de gratidão que nos acompanhou durante toda a jornada.

A rotina, naturalmente, voltou a ocupar seu espaço.

Era hora de reencontrar os amigos, retomar os compromissos do dia a dia, voltar às atividades profissionais e reiniciar os exercícios na academia, afinal, quem gosta de viajar sabe que é preciso preparar o corpo para a próxima aventura que, certamente, Deus reservará no tempo certo.

Também era tempo de reencontrar os sabores da nossa terra.

Nada substitui o prazer de saborear um autêntico acarajé preparado no azeite de dendê, sentir novamente o aroma da carne de sol acompanhada de um bom aipim, apreciar um caranguejo bem temperado ou desfrutar das inúmeras delícias que fazem da culinária baiana um patrimônio da nossa cultura. Assim como o Maranhão nos conquistou pelos seus sabores, a Bahia nos recebeu de braços abertos, lembrando-nos que cada lugar possui sua identidade, seus temperos e seus encantos.

Viajar, afinal, também nos ensina a valorizar aquilo que temos em casa.

Depois de contemplar paisagens inesquecíveis, conhecer novos costumes e viver experiências extraordinárias, voltamos diferentes. Não porque o mundo tenha mudado, mas porque nosso olhar passou a enxergá-lo com mais sensibilidade.

Percebemos que cada viagem amplia nossos horizontes, fortalece os laços familiares e renova nossa esperança. Descobrimos que o maior patrimônio que levamos na bagagem não são as lembranças compradas, mas os momentos vividos ao lado das pessoas que amamos.

Enquanto organizávamos as fotografias no celular, revíamos os vídeos e comentávamos os episódios mais marcantes da viagem, uma certeza se fortalecia em nosso coração: os Lençóis Maranhenses permanecerão para sempre em nossa memória, não apenas pela exuberância de suas dunas e lagoas cristalinas, mas porque ali vivemos dias de comunhão, alegria e contemplação da grandiosidade da criação divina.

Agora, a vida segue seu curso.

Novos compromissos, novos desafios e novos sonhos ocupam nossos dias.

Mas uma coisa é certa: em algum momento voltaremos a abrir um mapa, pesquisar um novo destino, preparar as malas e reunir novamente a família.

Porque quem descobre o prazer de viajar compreende que cada partida representa um novo aprendizado, e cada retorno renova a certeza de que Deus continua escrevendo, com delicadeza e perfeição, os mais belos capítulos da nossa caminhada.

Encerro este relato com as palavras do salmista, que traduzem exatamente o sentimento que tomou conta do nosso coração durante toda essa viagem:

“Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos.” (Salmo 19:1).

E também com outra declaração que acompanhou nosso retorno:

“Que darei ao Senhor por todos os benefícios que me tem feito?” (Salmo 116:12).

A resposta é simples.

Gratidão.

Gratidão pela vida.

Gratidão pela família.

Gratidão pelas estradas percorridas.

Gratidão pelas pessoas que encontramos.

Gratidão por contemplar uma das mais belas obras do Criador.

Porque algumas viagens terminam no aeroporto.

Outras continuam para sempre dentro de nós.

Até a próxima viagem.

A vovó Ana, Tiaguinho e Aline subindo para o mirante da Lagoa Bonita

Itamar e turistas seguindo para a Lagoa Bonita (Toyteiros)

Itamar Ribeiro, jornalista e escritor*

Fotos: Arquivo familia

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